Apoio à produção extrativista da Terra Indígena Jiahui

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Por André Vianna, coordenador do Programa Manejo Florestal do Idesam

No dia 5 de outubro, sai de Manaus rumo a Terra Indígena Jiahui com o objetivo de atuar em atividades de fomento à produção de castanha e açaí na aldeia durante duas semanas. Atualmente, os Jiahui comercializam produtos como: fruto de açaí, castanha e óleo de copaíba> mas a venda é feita de forma individual e sem muitos recursos: muitos tem que utilizar o ônibus ‘de linha’ para transportar os produtos até a sede de Humaitá, município onde a TU está localizada. Em 2012, ocorreu a primeira experiência de comercialização coletiva.

Saiba mais sobre a etnia Jiahui aqui: Um pequeno histórico sobre os Jiahui

Como o maior entrave para a produção Jiahui é o transporte e a comercialização, trabalhamos com uma oficina de comercialização coletiva, assim como, com outras duas oficinas de boas práticas de açaí e castanha, as quais tinham como objetivo discutir e melhorar a qualidade dos produtos.

Nos primeiros dias utilizamos vídeos do Programa da Futura Florestabilidade para discutir práticas de coleta e armazenamento. Entre outros aspectos, verificamos que atividades, como mais uma etapa de seleção, além da que eles já fazem, poderiam ajudar a melhor a qualidade da produção de castanha. Também vimos modelos de paiol para armazenar castanha e de mesa secadora, itens os quais começariam a ser construídos pelos Jiahuis na semana seguinte de trabalho na Terra Indígena.

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Após as oficinas, fomos, eu e mais seis lideraças Jiahuis, até Manicoré. Lá visitamos duas cooperativas a COVEMA – Cooperativa Verde de Manicoré e a COOPEMA – Cooperativa dos Produtos Agropecuários e Extrativistas dos Recursos Naturais. Por meio deste intercâmbio os Jiahui puderam, além de visitar uma usina beneficiadora de castanha a qual é gerida pela COVEMA, conhecer um pouco como uma cooperativa funciona e todo histórico de criação e trabalho destas organizações.

Depois do intercâmbio, os Jiahui pareceram estar bem animados com a forma de trabalho das cooperativas. Ao voltarmos à TI eles repassaram tudo o que viram, aprenderam e o que aprenderam no intercâmbio. As discussões foram bem recebidas e os demais demonstraram estar interessados em melhorar sua forma de comercialização. Outro ponto importante foi o interesse da COVEMA em ser um futuro comprador de óleo de copaíba dos Jiahui, fato que os deixou bem esperançosos.

Como fechamento das atividades, levamos matérias de construção para a Terra Indígena e iniciamos as atividades para a construção de um paiol e uma mesa secadora de castanha; discutimos aspectos de comercialização coletiva, após o repasse do intercâmbio, como diferenças entre associação e cooperativa, assim como meios de organizar e monitorar a produção, meios como os empregados pela COVEMA.

Ainda foi possível, nos últimos dias, caminhar pelos castanhais, pelos locais de quebra e limpeza de castanha, pelos locais de ocorrência de açaí e pelos possíveis acessos alternativos. Durante toda essa caminhada discutimos técnicas de boas práticas e meios de melhorar o transporte destes produtos.  Menciono discussões, pois não estava apenas repassando técnicas e procedimentos, mas sim aprendendo e construindo as técnicas e procedimentos mais indicadas.

Ao sair da Terra Indígena espero não ter deixado apenas novas práticas e equipamentos. Espero também ter deixado uma maior motivação para o trabalho e para a organização da comercialização, o que para mim era o maior objetivo da atividade como um todo. A vontade de se organizar e trabalhar melhor, por meio de atividades que mantém a floresta, será fundamental para a melhoria da geração de renda dos Jiahui, fator fundamental para garantir a qualidade de vida deste povo no local que tanto lutou para reconquistar.

Veja também: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/jiahui/1328

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