Apuí se prepara para primeiros experimentos em pecuária de menor impacto ambiental e maior produtividade

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Em dezembro de 2011, o Projeto Semeando Sustentabilidade em Apuí completa mais uma etapa: será finalizada a implementação das Unidades Demonstrativas (UDs) de pecuária, implantadas em quatro fazendas do município. Essas UDs buscam oferecer alternativas mais rentáveis e de menor impacto ambiental para a sociedade pecuarista de Apuí. Este modelo de pecuária, conhecido como manejo rotacional semi-intensivo, já é antigo nas propriedades do sul e sudeste do Brasil, porém ainda é pouco utilizado na Região Amazônica. Um exemplo é o município de Paragominas (PA), que em anos recentes tem transformado o modelo de pecuária extensiva em Pecuária Verde.

De acordo com o pesquisador Diego Brandão, coordenador das atividades de campo do Projeto Semeando Sustentabilidade em Apuí, o modelo atual do sul do Amazonas – de pecuária extensiva – facilita o desmatamento.

“Quando o gado é colocado em uma área recém desmatada, existe uma alta na produtividade, o gado cresce e ganha peso rápido. Porém, com o passar dos anos, os nutrientes dessa área são rapidamente esgotados, o que resulta na perda de produtividade do pasto e, consequentemente, do rebanho. Depois de cinco ou seis anos, os produtores abandonam o pasto subutilizado e desmatam uma nova área de floresta. E todo o processo se repete”, explica, lembrando que a área degradada geralmente não passa por nenhum tratamento de recuperação, nem da pastagem, tampouco de composição florestal, e a regeneração natural ocorre de forma muito lenta.

Em Apuí o sistema vai funcionar da seguinte maneira: o produtor seleciona uma área (em torno de 15 hectares, por exemplo); mas, em vez de deixar o gado com toda essa área disponível, ele a divide em parcelas, ou subpastos (cinco de três hectares cada). O gado fica, então, em uma dessas áreas durante aproximadamente seis ou sete dias, e depois é levado para outra parcela pelo mesmo período, até que se complete o ciclo e ele volte à parcela inicial. Isso permite que cada uma dessas áreas tenha tempo suficiente para o rebrotamento do pasto.

O capim que serve de alimento para o gado tem um processo de desenvolvimento dividido em três fases: durante os primeiros vinte dias ele é basicamente água; de 25 a 40 dias, apresenta um alto teor de proteína. E depois disso é, em sua maioria, fibra. “Com esse manejo, o gado volta para uma determinada área quando o capim está em sua maior concentração de proteína e, com isso, tem a dieta ideal para obter um aumento de peso. O pecuarista vai, no mínimo, dobrar a produtividade do rebanho por área utilizada sem precisar derrubar um pé de árvore”, explica Brandão.

Segundo o biólogo, ainda é preciso superar uma questão cultural de grande parte dos pecuaristas da Amazônia. Em Apuí não é diferente. O objetivo da implementação das unidades demonstrativas é mostrar aos produtores que é possível incrementar sua produção sem desmatar áreas nativas. “Muitos deles tem dificuldade em aceitar que em apenas cinco ou seis dias (período em que o gado permanece em cada parcela) o gado apresente melhor produtividade do que utilizando o sistema atual. Mas vamos tentar mudar isso com resultados de campo”, projeta.

A introdução do gado nas unidades experimentais e o início do acompanhamento dos resultados deverão acontecer a partir de janeiro de 2012.

Pecuária x Meio Ambiente

A evolução do desmatamento em Apuí – localizado no sul do Amazonas – tem sido causada principalmente pela expansão inadequada da pecuária. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o município já ocupa o terceiro lugar entre os mais desmatados, atrás apenas de Lábrea e Boca do Acre.

A pecuária de menor impacto é uma das linhas de atuação do Projeto Semeando Sustentabilidade em Apuí, realizado pelo Idesam e com o apoio da Secretaria de Meio Ambiente de Apuí (Sema – Apuí) e do Fundo Vale para o Desenvolvimento.

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