Boletim divulga desmatamento recorde em corredor indígena

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Já está disponível, na biblioteca virtual do Idesam, a primeira edição do Boletim do Desmatamento do Corredor Tupi-Mondé (RO/MT). De periodicidade semestral, o informativo analisa dados coletados entre janeiro e julho de 2017, através do aplicativo Global Forest Watch (GFW), concebido pelo World Resources Institute (WRI) para o monitoramento de florestas e emissão de alertas diante de ameaças importantes.

A ferramenta funciona em todo o mundo e, no Brasil, tem permitido acompanhar o desmatamento em uma área de grande pressão, situada entre Rondônia e Mato Grosso. Imagens de satélite, dados abertos e informações fornecidas pela população local permitem mapear onde o desmate acontece na região, suas causas e agentes.

>> Faça o download do boletim neste link.

Conforme Pedro Soares, gerente do Programa Mudanças Climáticas do Idesam, a primeira etapa do mapeamento é feita com base em imagens dos satélites LandSat e Sentinel, disponibilizados pela Agência Espacial Europeia (ESA).

“Em seguida, validamos essas informações com as lideranças indígenas locais, que ainda ajudam a identificar os agentes [causadores] e os vetores [motivos] do desmatamento. O ganho dessa metodologia é a precisão conferida pelo olhar de quem está no local”, explica o pesquisador.

O trabalho de acompanhamento do Corredor Indígena Tupi-Mondé é realizado pelo Idesam juntamente com Ecam — Equipe de Conservação da Amazônia, Gamebey — Associação Metaleirá do Povo Indígena Suruí e Kanindé — Associação de Defesa Etnoambiental.

 

Atividades ilegais e fiscalização

Entre janeiro e julho de 2017 — período compreendido na primeira etapa do estudo —, a região perdeu cerca de 1.200 hectares de floresta, o equivalente a mais de 1.700 campos de futebol. A destruição segue um ciclo já bem estabelecido.

“Primeiro, vem o corte ilegal de madeira e as atividades mineradoras de ouro ou diamante, que são de grande liquidez. O dinheiro arrecadado subsidia, mais tarde, atividades de pecuária e agricultura. Em alguns territórios, os indígenas participam, às vezes, como mão de obra, como no caso da mineração”, afirma Soares.

O Corredor Tupi-Mondé possui uma área total de 3,5 milhões de hectares, divididos em sete Territórios Indígenas, com 6 mil habitantes das etnias Cinta Larga, Zoró, Paiter-Surui, Gavião e Arara. Ele está situado no meio do arco do desmatamento da Amazônia e integra um importante corredor florestal de grande biodiversidade.

Para Soares, o ciclo de perda de floresta é alimentado também pela ausência crônica de fiscalização por parte dos órgãos responsáveis.

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