Carneiro hidráulico é alternativa de baixo custo para produtores

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Por Izamir Barbosa
Edição de Samuel Simões Neto

As dificuldades geográficas enfrentadas por produtores rurais do Amazonas não se restringem somente a levar seus produtos até os pontos de comercialização: os problemas também estão em trazer os insumos necessários até o campo, para poder produzir.

Vital para qualquer tipo de produção, a água é um desses insumos e, por muitas vezes, precisa ser ‘transportada’ até plantios que se encontram mais distantes dos cursos d’água disponíveis. A seca e a falta de chuvas cada vez mais acentuadas também contribuem negativamente para esse cenário.

A solução, no entanto, pode ser mais simples e barata do que se imagina. Em outubro de 2015, o Idesam iniciou – no Projeto de Assentamento do Tarumã-Mirim (PATM), localizado na zona rural de Manaus – a realização de oficinas para implantação de bombas artesanais, chamadas “carneiro hidráulico”, nas propriedades rurais locais. Através de atividades teóricas e práticas, o curso apresenta a alternativa tecnológica aos produtores rurais, como forma de aprimorar o uso da água na produção.

Conforme o engenheiro florestal André Vianna, coordenador do projeto, o uso do ‘carneiro’ é indicado para pequenas propriedades pois tem baixo custo de instalação e quase não precisa de operação. “O mecanismo usa diferenças de pressão para bombear água do igarapé até o campo. Como não precisa de uma fonte externa de energia, ele funciona indefinidamente a partir do momento da instalação”, explica.

A primeira edição da oficina no PATM aconteceu nos dias 8 e 9 de outubro e contou com a participação de 43 produtores. A programação teve uma etapa teórica, quando os técnicos do projeto apresentaram as vantagens econômicas e ambientais do uso da ferramenta; e uma prática, em que técnicos e produtores montaram o carneiro hidráulico, realizando testes em um igarapé próximo e tirando dúvidas dos participantes.

A aposta na tecnologia do carneiro hidráulico é a solução principalmente para períodos de dificuldades. Para a produtora rural Maria de Fátima, moradora do ramal Santa Luzia,  o curso foi de extrema importância para os agricultores.

“É disso que precisamos há tempos, pois virá a ser muito útil para períodos de seca e falta de chuvas, como estes que estamos enfrentamos agora. Irei implantar em minha propriedade, pode ter certeza”, disse.

A atividade faz parte do Projeto de Assessoria Técnica, Ambiental e Social desenvolvido por Idesam e Incra em 10 assentamentos do Amazonas. Novas oficinas poderão ser realizadas conforme a demanda dos produtores locais. A meta é capacitar, ao todo, cerca de 150 produtores.

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