Como captar R$ 70 bilhões para conservar a Amazônia?

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Por Pedro Soares e Mariano Cenamo, para o Blog Coalizão Brasil: Clima, Florestas e Agricultura

A Amazônia brasileira é um colosso: tem a maior área de floresta tropical do planeta, é o maior bioma do Brasil, com mais de 4,1 milhões de km2 de extensão, ou cerca de 60% do território nacional, e nela vivem 20 milhões de pessoas.

Entretanto, gera menos de 8% do PIB brasileiro e enfrenta sérios problemas sociais e ambientais. Sua economia depende basicamente da exploração de recursos naturais e minerais e do agronegócio, que já levou à substituição de cerca de 20% de sua cobertura florestal original por pastagens e outros cultivos agrícolas.

Daí vem a pergunta: como desenvolver a economia da região sem destruir suas florestas e biodiversidade? A resposta é: por meio da possibilidade, muito real, de se obter R$ 70 bilhões para a Amazônia e, assim, conciliar prosperidade e conservação.

Nos últimos dez anos a Amazônia gerou a maior contribuição já feita por um país para combater as mudanças climáticas. Em 2004, as emissões totais do Brasil foram de 3,8 GtCO2e (gigatoneladas de dióxido de carbono equivalente), sendo mais de 75% do setor de mudança de uso da terra (segundo o SEEG – Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa), que significa a alteração na cobertura original do solo e inclui o desmatamento. A derrubada de florestas na Amazônia é o maior responsável por essas emissões.

Devido a uma série de fatores econômicos, sociais e principalmente de esforços do governo federal, estados, municípios, sociedade civil e populações tradicionais e indígenas, chegamos a 2014 com uma taxa de desmatamento de 5 mil km2 – uma redução de 80% em relação a 2004! E as emissões nacionais foram de 1,8 GtCO2e no ano de 2014 (SEEG).

Ou seja, a contribuição para o clima foi enorme. Além disso, nos últimos oito anos, mais de 4 GtCO2e deixaram de ser lançadas para a atmosfera, valor próximo ao que a União Europeia emitiu só em 2013 (4,4 GtCO2e). Com isso, o Brasil ganhou enorme destaque e reconhecimento internacional. Tal feito era para ser comemorado, não fosse um problema: esse gigantesco ativo ambiental e contribuição climática não foram reconhecidos e valorizados, e tudo indica que o desmatamento voltará a crescer.

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