(Português do Brasil) Unidades implementadas em Apuí são destaque em artigo sobre pecuária na Amazônia

pecuaria

Sorry, this entry is only available in Brazilian Portuguese. For the sake of viewer convenience, the content is shown below in the alternative language. You may click the link to switch the active language.

Atualizado em 15/05/2018
Por Gabriel Carrero
Colaboração de Henrique Saunier e Ana Carolina Bastida

 

Um estudo publicado no periódico cientifico internacional Sustainability (Sustentabilidade em português) apresenta resultados de seis iniciativas sobre intensificação pecuária na Amazônia, implementadas com apoio de organizações não governamentais e de pesquisa agropecuária. Dentre elas, duas são coordenadas pelo Idesam. Ambas são sistemas silvipastoris com pastejo rotacional (SSPR), para leite e carne, implementados no sul do Amazonas com apoio do Fundo Vale, as únicas duas que envolvem o plantio de árvores para diversas finalidades e as que apresentaram maior ganho de produtividade entre as iniciativas estudadas.

O rebanho bovino brasileiro é o segundo maior do mundo, e a Amazônia Legal é a região onde o País tem expandido suas pastagens, que representam 60% da área total desmatada na região e são ocupadas por cerca de 60 milhões de cabeças de gado, ou quase um terço do rebanho bovino brasileiro. A pecuária na Amazônia é realizada em pastagens de baixa produtividade e não compatível com as metas do governo federal de reduzir o desmatamento e restaurar 12 milhões de hectares de áreas degradadas até 2030. Intensificar a produção de carne e leite com maior produtividade por área seria uma forma de atingir a demanda por carne e leite sem desmatar mais áreas.

As informações das iniciativas, coletadas através de um questionário preenchido pelas instituições representantes, apresentam detalhes técnicos, de produtividade, de custos e receitas. O artigo discute os sucessos e os desafios enfrentados em comum, com uma reflexão sobre os riscos e mecanismos para a expansão dessas atividades em larga escala na região.

Das iniciativas, duas são voltadas para grandes produtores de gado de corte e envolvem manejo rotacional e boas práticas agropecuárias no Mato Grosso e Pará. A iniciativa do Acre, liderada pela Embrapa, é a maior e envolve 6,4 mil produtores e mais de 500 mil hectares com plantio de ervas leguminosas com o pasto em manejo rotacional. As duas do Idesam e Imaflora (Florestas de Valor) no Pará são as que envolvem árvores e são voltadas exclusivamente para pequenos e médios produtores familiares.

Quando comparados os sistemas extensivos de produção pecuária no sul do Amazonas (Apuí, Manicoré e Novo Aripuanã) com os de SSPR coordenados pelo Idesam, os aumentos de produtividade por hectare foram de 270% para carne e 490% para os de leite. Os SSPR têm um maior custo inicial, mas conseguem ter os maiores ganhos de produtividade devido ao incremento de produção de várias plantas que, além de servirem de alimento, fornecem sombra aos animais e melhoram a qualidade do solo, descompactando-o com as raízes que fixam nitrogênio e trazem mais nutrientes com a decomposição de galhos e folhas.

Infelizmente, a grande distância associada aos mercados encarecem os insumos e resumem a margem de lucro do produtor da região, quando comparado a outras iniciativas localizadas com melhor acesso aos mercados consumidores do sudeste do Brasil.

As maiores barreiras que o artigo traz para a expansão das práticas incluem os altos custos de implantação, uma percepção dos produtores como uma atividade de alto risco, seguidas de falta de investimento pelo governo e mercados, e difícil acesso ao crédito. Além dessas barreiras, mesmo que os sistemas propostos aumentem a produtividade e a rentabilidade, eles poderiam incentivar o desmatamento, ao invés de reduzi-lo, já que o negócio se tornaria mais rentável.

As estratégias das iniciativas para garantir que o desmatamento seja reduzido são atrelá-las por contrato ao comprometimento do produtor em seguir as leis do código florestal e de não desmatar mais em suas áreas, desenvolvendo planos de restauração de áreas degradadas quando necessário.

Outra sugestão do estudo para garantir pecuária sem desmatamento é incluir o monitoramento da venda de bezerros de pequenas propriedades para as grandes, já que acordos com frigoríficos de carne sem desmatamento só incluem o rastreamento das fazendas que engordam os bois, sem contar as fazendas onde os bezerros são comprados.

Entre as estratégias mais importantes para recrutar os produtores estão o boca-a-boca, dias de campo e o treinamento de técnicos de campo. A implantação de mais unidades demonstrativas e mais dias de campo para compartilhar as experiências pode reduzir a percepção de risco que muitos produtores veem nos sistemas.

Entre as soluções mais relevantes para uma pecuária sustentável na Amazônia estão o aumento da assistência técnica e grandes redes de transferência de tecnologia, incentivos positivos e suporte financeiro de mercados e governo, além de um esforço destes setores para aumentar a transparência na cadeia produtiva da pecuária na venda de bezerros.

 

‘Financiamento solidário’ 

Na busca por estratégias para expansão da pecuária sustentável no Sul do Amazonas, o Idesam vem trabalhando, desde 2016, em um programa de microcrédito voltado para pequenos produtores rurais que desejam implementar sistemas mais sustentáveis de pecuária em suas propriedades.

Através desse programa, o produtor acessa insumos, serviços e assistência técnica necessários para implantação dos Sistemas Silvipastoris e paga pelo serviço de adiantamento a um preço abaixo do praticado no mercado. Estes pagamentos viabilizam a entrada de novos produtores, como uma espécie de financiamento solidário.

Atualmente seis produtores pioneiros já tiveram acesso ao adiantamento e, em breve, mais produtores poderão acessar o benefício.

Leave a comment