Fórum de Mudanças Climáticas define grupos de trabalho visando a Amazônia

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Um ponto central da discussão no Fórum foi é o uso do REDD+ (Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação Florestal), que, no Brasil pode atrair US$ 45 bilhões de dólares líquidos para a Amazônia até 2030

Por Paulo André Nunes, do A Crítica.

Uma das grandes decisões tomadas durante o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, instituição diretamente ligada à Presidência da República, e que foi realizada na última terça-feira (14) em Brasília, foi a criação de dois grupos de trabalho dedicados à Amazônia. Com isso, a reunião deu um passo importante no combate ao desmatamento.

Um desses grupos é o coordenado pelo pesquisador sênior Mariano Cenamo, da ong Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), que será o facilitador para discutir as “fontes de financiamento para a floresta”.

Coordenado por Virgílio Viana, superintendente da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), o outro grupo tem como foco o “avanço do desmatamento na Amazônia”, em alta desde 2014.

A redução do desmatamento da Amazônia é o principal setor para o atingimento das metas nacionais assumidas na Convenção do Clima. A situação atual é preocupante pois o problema só cresceu nos últimos dois anos: em 2015 subiu 24%, e em 2016 o patamar de crescimento foi de 29% segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Um ponto central da discussão no Fórum foi é o uso do REDD+ (Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação Florestal), que, no Brasil, de acordo com modelagem econômica recente do Environmental Defense Fund (EDF), pode atrair US$ 45 bilhões de dólares líquidos para a Amazônia até 2030, se incluir captações junto ao mercado e os chamados offsets – quando um país ou setor produtivo compensa externamente emissões de carbono que não consegue zerar com recursos próprios. Uma oportunidade promissora que já está na mesa de negociações vem do setor de aviação civil, representado pela Icao (Organização Internacional da Aviação Civil), que se mobiliza para criar uma Medida Internacional de Mercado para compensar as emissões do setor por meio de offsets, incluindo o REDD+.

“Nos últimos dois anos o desmatamento cresceu e há certo consenso para estabelecer estratégias para reduzir esse problema e promover o desenvolvimento sustentável. A redução tem que ser atrelada ao desenvolvimento sócio-econômico senão os resultados não serão permanentes”, destaca o pesquisador sênior Mariano Cenamo, por telefone, para A CRÍTICA.

Sobre a importância do grupo de trabalho do qual será facilitador, o representante do Idesam disse que “a agenda de discussões vai ser principalmente voltada a aumentar o volume de financiamento que podemos destinar para investir nessa agenda de redução de desmatamento e conservação de floresta e à promoção de economia com base sustentável”.

Publicado originalmente em 17/03/2017, no Portal A Crítica.

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