Idesam lança “Guia para Produção de Café Sustentável”

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Por Samuel Simões Neto

No último dia 5 de agosto, foi realizado, no Parque do Mindu, em Manaus, o lançamento do “Guia para Produção de Café Sustentável na Amazônia”, do Idesam. Produzida em parceria com o Imaflora, a publicação traz informações adquiridas no projeto Café em Agrofloresta, desenvolvido em Apuí, no sul do Amazonas, desde 2012.

O evento contou com a presença de pesquisadores e estudantes das áreas ambientais e reuniu instituições que acumulam trabalhos sobre produção sustentável. Além de representantes do Idesam e Fundo Vale, participaram das discussões o pesquisador Eduardo Trevisan, do Instituto de Manejo e Certificação Florestal (Imaflora) a ambientalista Elisa Wandelli, da Embrapa Amazônia Ocidental e o deputado estadual Luiz Castro, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Estado (Caama/Aleam).

Para Gabriel Carrero, gerente do programa Produção Rural Sustentável, a grande contribuição do guia é mostra como a experiência de sucesso adquirida em Apuí durante os últimos 3 anos pode ser levada para outras regiões da Amazônia e ganhar escala.

Conforme Carrero, o projeto chegou no município de Apuí no momento em que o café passava por uma grande crise na região. “Depois de uma grande baixa no preço do café, muitos produtores decidiram transformar suas áreas em pasto, pois a venda não cobria o custo que eles tinham. O Idesam pediu esse voto de confiança e, depois que os primeiros resultados começaram a surgir, os produtores renovaram seu interesse na produção”, contou.

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Elisa Wandelli, da Embrapa, destacou que o café é naturalmente uma espécie agroflorestal. “Quando o café está disposto a pleno sol, há um esforço energético desnecessário pelo excesso de luminosidade. Ele precisa de outras plantas, não só pela sombra, mas também para serem hospedeiros dos inimigos naturais de pragas, como a broca do café”, explicou.

A pesquisadora também criticou a produção de alimentos baseada no uso de agrotóxicos: “Uma pessoa consome, em média, 5 quilos de café por ano. Por motivos ambientais e pela saúde, é um produto que precisa ser produzido em sistema agroecológico”.

O deputado Luiz Castro reforçou a necessidade de aliar aumento da produtividade e responsabilidade ambiental. “Não se deve criminalizar o agricultor, é preciso fornecer meios e orientação para conduzir a agricultura para uma visão socioambiental”, disse.

O parlamentar destacou também a importância do cooperativismo para fortalecer a cadeia produtiva da cafeicultura. “Mais forte do que 28 produtores isolados é uma cooperativa que tenha voz frente às instituições do Estado”.

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Com a finalização do projeto, Eduardo Trevisan, do Imaflora, alertou que a assistência técnica pode ficar prejudicada, uma vez que o poder público tem dificuldades em chegar nessas áreas. Ainda assim, o especialista destacou que o projeto tem uma “continuidade natural”, desde que haja o comprometimento das instituições locais.

“Uma série de coisas interessantes ainda precisam ser feitas, como a busca por alternativas criativas de comercialização e a exportação do grão para outros estados e municípios”, citou.

Wandelli defendeu que o Amazonas precisa apostar na formação e capacitação agroecológica e florestal, e sugeriu a criação de escolas rurais para a sustentabilidade. “Os órgãos de pesquisa e extensão devem internalizar isso. Precisamos de políticas públicas, não só para o café, mas para outras espécies”, destacou.

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