“O turismo pode viabilizar geração de renda sem causar impacto ambiental”

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Por Rogério Lima

Entre os dias 9 e 12 de setembro, um grupo de 23 universitários do Paraná e de Santa Catarina visitou a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã para uma atividade de Turismo de Base Comunitária. A atividade, que envolveu estudantes do curso de Engenharia Florestal, foi realizada através de uma parceria entre o Idesam e as instituições de ensino visitantes: Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR).

O Idesam conversou com o prof. Dr. Alessandro Camargo Angelo, que liderou e organizou a viagem dos universitários para o Norte do país. Angelo é formado em Engenharia Florestal e doutor em Ciências Biológicas pela UFPR, onde leciona atualmente. Voltando da viagem, ele fala sobre a experiência na reserva.

IDESAM – Qual foi o objetivo da viagem com os alunos para o Norte do país?

Alessandro Camargo – Há alguns anos, nós temos buscado fazer esse tipo de vivência, levando alunos para realidades geográficas diferentes das quais eles estão acostumados. Quando se trata de uma RDS, você tem limites impostos pela categoria de Unidade de Conservação, mas, ao mesmo tempo, existem oportunidades. Dentre essas oportunidades, o turismo de base comunitária e o agroextrativismo, que é o foco que tem sido dado nessa atividade.

IDESAM – E como a RDS do Uatumã foi incluída no roteiro?

AC – Através de contatos com pessoas da região – alguns ex-alunos das turmas que já visitaram o Norte –, a reserva foi mencionada como sendo um local de muitos atrativos e com uma situação peculiar no que se refere ao regime de condução. Partindo dessa direção, fizemos algumas investigações para saber quem estaria atuando na RDS do Uatumã e então chegamos no Idesam.

IDESAM – Depois de ter vivenciado um pouco do Turismo de Base Comunitária que vem sendo implantando na RDS do Uatumã, qual a sua visão geral sobre ele?

AC – Eu acredito que o turismo é uma das formas de viabilizar a geração de renda sem causar (desde que devidamente dimensionado), impacto ambiental,  descaracterizando a reserva. Mas é necessária uma qualificação de quadro dentro da UC (…). É necessário também estabelecer claramente quais são os limites. De repente você começa a estruturar uma atividade e gerar um determinado fluxo – o objetivo é esse –, mas temos que ter esse cuidado. Até que ponto esse fluxo é uma solução e a partir de que ponto ele é um problema?

IDESAM – Apesar de uma viagem curta, qual foi sua percepção geral sobre a RDS do Uatumã e suas comunidades?

AC – Durante a visita, vimos várias coisas que acho relevantes. Entre elas, o trabalho que o Idesam realiza com os comunitários, ouvindo a opinião deles – isso é uma prática que contribui para o êxito de qualquer projeto a ser implantado ali. Eles têm opinião, experiência e um feeling a respeito de como a floresta pode responder à intervenção humana. Pudemos perceber essa união entre o conhecimento acadêmico e o conhecimento de vivência que os comunitários possuem – o resultado só pode ser mais produtivo. Esse é um aspecto que vai ser lembrado acerca da RDS.

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