COP15 – ONGs e imprensa fora das negociações

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As sessões de negociações da COP 15 nesta quarta-feira foram marcadas pela ausência quase que total das ONGs observadoras e de grande parte da imprensa. A grande restrição ao acesso causou revolta e tumultos nos últimos dias, o que tem praticamente impossibilitado acompanhar as notícias de perto. Isto, de certa forma, “mancha” todo o processo de negociação, pois ambos os grupos são fundamentais em pressionar as negociações e garantirem maior transparência e credibilidade ao processo.

Do lado de dentro, as discussões estão travadas, o que gera uma ação em cadeia, impossibilitando um avanço rumo a um acordo ambicioso e legalmente vinculante. Somado a isso, diversos países estão realizando reuniões paralelas não inclusivas, o que acaba gerando desconfortos entre as Partes e dificultando ainda mais o avanço das negociações.

Enquanto grande parte da sociedade exige firmemente que sejam feitas alterações nos rumos das economias e sejam assumidas finalmente metas ousadas de redução, os negociadores parecem não avançar no mesmo sentido. Está cada vez mais difícil acreditar em um acordo que seja legalmente vinculante e que almeje transferências significativas de recursos e tecnologias para países menos desenvolvidos. Tais recursos são fundamentais para garantir ações de mitigação e adaptação (orçadas na ordem de U$ 140 bilhões por ano) nos países mais suscetíveis às alterações climáticas.

Para se ter uma idéia, o Fundo de Adaptação proposto pela Convenção do Clima é abastecido com 2% das transações financeiras obtidas com projetos que tramitam no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Este Fundo conta hoje com cerca de U$ 30 milhões, valor ínfimo frente às ações necessárias.

No que diz respeito ao REDD+, foi apresentado um texto, acordado dentro do AWG-LCA (que ainda apresenta diversos colchetes – que marcam pontos não resolvidos), mas que representa o texto que mais conseguiu avançar nesta Conferência.

Almir Suruí foi premiado por defender a floresta com Projeto de REDD do Suruí.
Outro evento que mereceu destaque nesta quarta feira foi o “Support REDD+ Gala”, promovido pela Coalização das Nações de Florestas Tropicais, para homenagear e reconhecer os esforços de indivíduos e instituições envolvidos na luta para incluir e desenvolver um mecanismo de REDD+. Dentre os presentes, estavam os presidentes da Guiana e do Gabão, além de celebridades como Viviane Westwood e Bianca Jagger.

Além destes, alguns diretores também fizeram discursos expondo suas visões e expectativas perante REDD+, lembrando todo o histórico da inclusão da questão das florestas tropicais nas COPS, desde 2005, iniciada pela Coalizão. A artista Maya Lin, da Fundação What is missing?, após apresentar o vídeo “Unchop a Tree” (http://creativity-online.com/work/maya-linwhat-is-missing-foundation-unchop-a-tree/18269), premiou 7 indivíduos, de diversos países, que contribuíram com esforços para desenvolver atividades de luta contra o desmatamento e promoção do desenvolvimento sustentável e redução da pobreza. Dentre elas, cabe destacar o líder indígena Almir Suruí, Jane Goodall e Wangari Maathai, que vem lutando para um planeta mais verde.  O evento serviu para dar mais incentivo para que as negociações de REDD+ atinjam o objetivo nas negociações da COP, demonstrando a importância da floresta em pé para todos os seres vivos que nela habitam e dela necessitam.

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