RDS Rio Negro quer aprimorar sistemas agrícolas

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Por Izamir Barbosa,
Edição: Samuel Simões Neto,
Foto: Gustavo Ganzaroli

Uma das etapas mais importantes na elaboração do Plano de Gestão de uma UC (Unidade de Conservação) é o chamado levantamento socioeconômico. Com ele, é possível ter um ‘retrato falado’ das populações locais: suas características, tradições, modos de vida, e também aspirações e visões de futuro.

Responsável pela elaboração do estudo na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro, o Idesam apresentou, em março, a primeira versão do levantamento socioeconômico das comunidades locais.

Durante os estudos, um ponto que chamou a atenção dos pesquisadores é o desejo da população em desenvolver a agricultura na região. Ainda que a reserva esteja situada em um meio rural, com grande potencial para atividades agroextrativistas, a proximidade com as sedes dos municípios de Manacapuru, Novo Airão e Iranduba vem ocasionando um quadro de queda nesse tipo de produção.

Para a bióloga Fernanda Freda, coordenadora de projetos do Idesam, o contexto de onde a RDS está inserida possibilita fácil acesso a bens de consumo.

“Eles tem uma característica bastante notada em comunidades muito próximas a regiões mais desenvolvidas. Eles optam por consumir produtos industrializados ao invés de diversificar a agricultura. A atividade agrícola existe, porém é limitada em variedade”, ressalta.

Outro motivo é a falta de engajamento dos jovens comunitários que, por estarem focados em formação profissional fora da reserva, não participam efetivamente da produção familiar e de assuntos gerais da RDS. A situação é comum no meio rural amazônico e acontece em inúmeras reservas e municípios do interior. As limitadas oportunidades de estudo e de geração de renda são um agravante.

Contudo, o atual quadro de produção não limita nos comunitários o desejo de reverter a situação na RDS. Durante a Oficina de Planejamento Participativo (OPP) realizada entre 14 e 17 de março, na comunidade Tumbiras, os próprios comunitários pediram auxílio no desenvolvimento de uma futura produção orgânica.

A pesquisadora destaca que os sistemas agroflorestais (SAFs) despertam grande interesse nos comunitários, pois são caminho para gerar produções agrícolas mais significantes para as famílias. “Eles desejam aprimorar os seus conhecimentos para progredirem com os sistemas agroflorestais e trazer, assim, perspectivas melhores para o futuro da reserva”, finaliza.

O Plano de Gestão da RDS Rio Negro

A iniciativa de elaboração de Plano de Gestão da RDS Rio Negro começou a partir do Programa Áreas Protegidas da Amazônia, o Idesam foi selecionado para realizar o Plano de Manejo da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro, situada entre os municípios de Manacapuru, Iranduba e Novo Airão, a 200 km da capital do Estado e com uma área total de 102.978 hectares.

Como parte da elaboração do Plano de Gestão da RDS Rio Negro, o Idesam realizou o levantamento socioeconômico e ambiental no período de agosto a dezembro de 2015 para avaliar aspectos culturais e de subsistência da região. Com mais uma etapa finalizada, a equipe responsável pelo projeto dá início à construção da segunda parte do plano, que envolve as atividades e propostas a serem implementadas.

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