Reunião Anual do GCF foca em maior autonomia dos estados e diálogo com setor privado

Governador Tião Viana (AC) durante fala em Balikpapan

Texto: Fernanda Barbosa
Edição: Samuel Simões Neto

 

Os 35 estados da Força Tarefa dos Governadores para o Clima e Florestas (GCF) se reuniram esta semana em Balikpapan, Indonésia, para a Reunião Anual de 2017. Os estados brasileiros que compõem o GCF foram representados por seus delegados GCF, além dos governadores Tião Viana (Acre) e Confúcio Moura (Rondônia) e da vice-governadora Claudia Lelis (Tocantins).

A reunião centrou na convergência de interesses dos estados e o setor privado, nacional e internacional. Apesar dos objetivos comuns, a comunicação entre diferentes atores nem sempre é fácil. Assim, foi lançada a Declaração de Balikpapan, que inicia um processo de diálogos regionais e globais para promover o desenvolvimento sustentável e reduzir o desmatamento. Com viés prático, ela busca conectar atores e criar parceiras de implementação efetivas e duradouras para a sustentabilidade jurisdicional. A declaração está baseada em três agendas de trabalho: parcerias e acordos de commodities, financiamento do desenvolvimento de baixas emissões e promoção dos direitos humanos, dos povos indígenas e comunidades tradicionais.

O governador Confúcio Moura (RO), em sua fala final, destacou a importância da comunhão dos líderes subnacionais comprometidos com as florestas, rios e comunidades. “Nossos problemas são comuns”, justificou.

Moura aproveitou a ocasião para anunciar a criação do Consórcio da Amazônia Legal, cuja carta de intenção foi assinada em Porto Velho, na ocasião do último Fórum dos Governadores da Amazônia Legal.

Tião Viana (AC) defendeu que, enquanto o debate sobre a crise ecológica estiver ocorrendo somente entre os chefes de Estado, a agenda permanecerá caminhando lentamente.

“[A agenda ambiental] é uma agenda quase refém da economia, em uma visão conservadora. O planeta exige outro procedimento, pois vivemos a mais grave crise ecológica que já enfrentamos. Não há saída se não houver uma revisão de procedimentos, de atitudes e de entendimentos”, salientou, ao defender que os estados e províncias estão plenamente capacitados a oferecer respostas mais aceleradas aos recentes desafios ambientais.

O governador acreano frisou a necessidade de urgência nas ações de combate às mudanças climáticas: “Façamos rapidamente e não erremos. Eu agradeço aos países que estão aqui reunidos por mostrarem um entendimento diferente. É possível alcançar respostas e reduzir a tragédia ecológica em que estamos inseridos”.

 

Boas-vindas a Roraima

Os oito estados membros acolheram mais um membro brasileiro este ano, Roraima. Dessa forma, o GCF alcança, a partir de então, todos os estados da Amazônia Legal brasileira. No processo de votação, todos os estados brasileiros demonstraram seu apoio à inclusão de Roraima, ressaltando que 65% do território é área protegida e 15%, faz parte de Unidades de Conservação (estaduais e federais). Além da experiência no combate das queimadas naturais, os presentes ressaltaram ainda a diversidade cultural e conhecimento tradicional pelas populações indígenas que lá habitam, totalizando mais de 30 mil indígenas no estado.

“Para o Idesam, é uma grande honra coordenar todos os estados da Amazônia brasileira nesta rede internacional, que fortalece a posição amazônica no Brasil e a liderança subnacional nas negociações internacionais”, afirma Mariano Cenamo, pesquisador sênior do Idesam e coordenador das atividades do GCF no Brasil.

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