Apuí recebe Unidades de Observação de Café Clonal

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Por Priscila Rabassa – 

Ao completar um ano de atividades, o Projeto Café em Agrofloresta para o Fortalecimento da Economia de Baixo Carbono em Apuí tem promovido avanços substanciais na cafeicultura da região.

Com 28 produtores inscritos, o projeto promoveu o aumento da produção, melhoras na qualidade do grão através da adoção de técnicas agroecológicas, apoio à estruturação dos produtores e da comercialização da produção, realização de estudos técnicos e diagnósticos das propriedades inscritas, oficinas de capacitação de produtores e técnicos locais, além de realizar eventos de intercâmbio entre produtores de Apuí, Rondônia e Costa Rica.

E foram por meio de visitas técnicas de especialistas da área e da troca de conhecimentos com os agricultores, durante os intercâmbios, que foi possível ao Idesam e a Embrapa – RO articularem um acordo de cooperação para instituir em Apuí três Unidades de Observação (UO) com café clonal.

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Em outra realidade, porém com condições climáticas semelhantes, em Rondônia a Embrapa desenvolveu um café clonal chamado BRS Ouro Preto onde os índices altos de produtividade e uniformidade na maturação dos frutos despertou o interesse do Idesam em levar essa tecnologia para ser testada junto ao Projeto Café em Apuí.

Por outro lado, a ideia de trabalhar com práticas agroecológicas de produção também interessou aos pesquisadores da Embrapa – RO que visitaram algumas propriedades com o objetivo de conhecer melhor o trabalho desenvolvido no município de Apuí.

A primeira UO está sendo implantada no setor Coruja, zona rural de Apuí, na propriedade do produtor João Nilton, onde será trabalhado o tratamento agroecológico, utilizando espécies como a Gliricidia e a Ingá, adubação verde com a Crotalária e Feijão de Porco e a Guandu, planta que é fixadora de nitrogênio no solo.

A segunda UO, chamada de jardim clonal, será estabelecida no Viveiro Santa Luzia, onde a ideia é futuramente retirar estacas para fixar novos clones para atender os produtores de café do município. E a última UO é na propriedade do produtor Sebastião Borges, localizada no setor Três Estados, zona rural de Apuí, onde a área receberá o tratamento convencional do café.

Cada Unidade de Observação apresentará cerca de 500 mudas em uma área de 0,3 ha com espaçamento de 3 metros entre ruas de plantio e 2 metros entre plantas. As ruas de plantio seguem uma sequência específica que é caracterizada por 15 variedades que fazem parte do clone BRS OURO PRETO. Portanto, cada linha de plantio representará uma das variedades.

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Para o Engenheiro Agrônomo e pesquisador do Idesam, Vinícius Figueiredo, as práticas recomendadas se mostraram bastante interessantes e serão avaliadas também com as variedades clonais da Embrapa.

“Neste caso, implantaremos uma Unidade de Observação com o manejo idêntico ao recomendado aos produtores, ou seja, agroecológico, outra Unidade seguindo os padrões convencionais da Embrapa, com adubação química, e uma terceira que será manejada conforme orientação técnica da Embrapa para ser um jardim clonal de produção de mudas”, afirma Figueiredo.

Para o jardim clonal pretende-se ter um bom crescimento e formação de brotos para que seja possível iniciar os testes de produção de mudas clonais por estaquia. Espera-se iniciar a retirada de estacas das plantas matriz após oito ou dez meses do plantio.

Já o rendimento das outras Unidades de Observação levará no mínimo dois anos para se obter o primeiro resultado de produtividade e a partir dai monitorar tanto os dados de produtividade quanto as práticas utilizadas e suas influências nos resultados.

A Conilon BRS Ouro Preto é fruto de um trabalho de pesquisa de mais de 20 anos. Com manejo adequado, apresenta potencial de produtividade de 70 sacas beneficiadas por hectare em lavouras de sequeiro. Em testes de campo, chegou a atingir mais de 120 sacas por hectare.

O BRS Outro Preto já está registrado no Serviço Nacional de Proteção de Cultivares do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Em abril de 2013, a Embrapa recebeu o Certificado de Proteção de Cultivar para o café Conilon BRS Ouro Preto. É a primeira variedade de café conilon protegida no país.

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