Implantação de sistemas produtivos e construção de viveiros de mudas marcam 1° ano do Campo Sustentável

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Jovens e mulheres do campo foram fundamentais para o sucesso dessa primeira etapa

Por Comunicação Idesam
Foto: Divulgação

Com mais de 20 mil mudas plantadas em sistemas de Integração Lavoura, Pecuária e Florestas (ILPF), o projeto Campo Sustentável despontou como uma das principais iniciativas de apoio ao setor agropecuário no Estado do Tocantins. Dando protagonismo às mulheres do campo, o projeto busca difundir o ILPF como uma estratégia para recuperação de pastagens degradadas e de diversificação e aumento de renda para as famílias produtoras.

Até o momento, além de implementar mais de 70 hectares de sistemas produtivos integrados em áreas de pastagens degradadas, o projeto elaborou modelos de negócios específicos apresentando a viabilidade econômica dos sistemas implantados e uma plataforma online de apresentação das atividades realizadas. Em parceria com o Idesam, todo esse trabalho é coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Tocantins (Semarh).

Segundo Thaiana Brunes, da Semarh, a escolha das espécies plantadas pelo projeto levou em consideração não só as condições edafoclimáticas, mas também o mercado e o interesse do produtor. Espécies como ipê e baru, por exemplo, possuem grande apelo no mercado local, o que pode significar um incremento na renda desses produtores.

“Fomos contemplados pelo projeto e estamos animados em poder recuperar 25 hectares da nossa terra por meio do projeto. Espero que dê tudo certo, já conseguimos plantar todas as mudas e acredito que só temos a ganhar com esse projeto”, afirma Neiçon Gomes, um dos produtores que recebeu as ações do projeto na sua propriedade, no município de Almas-TO, cujo mercado local é voltado para o comércio de frutas e madeira.

Um estudo sobre o tema lançado em 2019 pela Embrapa aponta que o sistema pode trazer diversos benefícios ao produtor e ao meio ambiente, como a melhora nas condições físicas, químicas e biológicas do solo, o aumento da ciclagem e eficiência na  utilização  dos  nutrientes, a redução nos  custos  de  produção  da  atividade agrícola e pecuária e a diversificação na renda da propriedade rural.

Por ter uma implementação que independe do tamanho da propriedade (desde que bem planejada e seguindo orientações técnicas), o sistema ILPF também tem sido difundido a um público mais jovem pelo projeto. Isso é possível graças ao apoio técnico para estruturação de viveiros de mudas nativas em 5 Escolas Agrícolas do interior do Estado do Tocantins.

 

Atuação nas Escolas Agrícolas

Somado aos benefícios ao meio ambiente por conta da recuperação de áreas degradadas, esses resultados econômicos do ILPF são o que balizam o ensino dessas técnicas aos jovens das escolas. A engenheira agrônoma, Jéssica Milhomem, que também atua como coordenadora do curso técnico em uma escola agrícola familiar do município de Colinas do Tocantins, explica que muitos alunos vêm de pequenas propriedades, geralmente filhos de produtores rurais e que muitas vezes não possuem uma área grande para trabalhar.

“Como estamos trabalhando a integração de lavoura, pecuária e floresta em um pequeno espaço, isso é de suma importância para que eles saiam daqui com esse conhecimento, de que se pode fazer muito em uma pequena área”, completa Milhomem.

No município de São Salvador/TO, o Projeto possibilitou a construção de um viveiro com capacidade de produção de 2500 mudas. A produção de mudas nativas contribuirá para a ampliação do Sistema AgroFlorestal já desenvolvido pela escola, bem como a implantação de um sistema de ILPF.

Em uma das escolas apoiadas, no município de Esperantina/TO, o projeto pôde ajudar a concluir um viveiro que já havia sido parcialmente construído pelos alunos da Escola Família Agrícola Bico do Papagaio. “O projeto nos ajudou bastante a ter um aprendizado maior de como implantar um viveiro nas nossas casas para facilitar a produção de mudas e valorizar ainda mais o trabalho das mulheres”, afirma Anabele Cristina, estudante da escola agrícola.

Responsável também pela capacitação dos jovens das escolas que receberam os viveiros, a engenheira civil e ambiental, Olívia Marques, da Seed Solution, trouxe toda sua experiência em projetos sustentáveis para este braço da iniciativa. “É muito gratificante ver a empolgação dos alunos com todo o trabalho sendo feito, tanto na construção do viveiro como na produção de mudas, no beneficiamento das espécies como jatobá e copaíba e como eles podem usar isso para o futuro profissional e pessoal deles daqui pra frente”, destaca Marques.

Sobre o Campo Sustentável

Coordenado pela Semarh em parceria com o Idesam, o Campo Sustentável tem o objetivo de demonstrar aos produtores rurais os resultados econômicos através da implantação de Sistemas de Integração Lavoura Pecuária e Floresta (ILPF) com modelos produtivos distintos.

Além disso, o projeto tem a finalidade de restaurar e aumentar a produtividade em áreas que foram degradadas diversificando a renda, visando reduzir o desmatamento causado pela pecuária. No início de 2019 foram colhidas 500 toneladas de sorgo forrageiro para silagem em uma área de 25 hectares. Já no início deste ano foram colhidas 1,5 mil toneladas de sorgo forrageiro e milho para silagem em duas áreas que somam de 47,5 hectares, uma produção acima do esperado por conta do manejo adotado.

Até o momento, o projeto já organizou capacitações técnicas em sistemas ILPF em parceria com a Embrapa, trabalha na sistematização da primeira base de experiências em ILPF no Estado do Tocantins e disponibilizou plataforma online para acompanhamento de resultados que pode ser acessada em https://camposustentavel.com.br/

 

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