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Feiras de Trocas: economia solidária em assentamentos rurais

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Feiras de Trocas: economia solidária em assentamentos rurais

Por Marina Yasbek Reia, extensionista do projeto.

O projeto de ATES (Assessoria Técnica, Social e Ambiental) firmado por meio de convênio entre Incra e Idesam, em outubro de 2014, tem promovido Feiras de Trocas como espaços de economia solidária dentro dos assentamentos rurais atendidos. As feiras fazem parte da programação do curso sobre “Capacitação em Associativismo, Cooperativismo e Economia Solidária”, uma das metas do projeto. Elas representam o momento ápice das oficinas, no sentido de gerar a percepção da variedade de produtos agropecuários e não agropecuários, dentro de um mesmo ramal, comunidade ou assentamento.

As Feiras de Trocas estão em evidência atualmente, apesar de datarem da Idade Média, quando o dinheiro ainda não era a moeda de troca única. São espaços que hoje ganharam força como alternativas econômicas, mas socioambientais inclusive.

Num contexto de capitalismo feroz e crise econômica, vale a pena discutir as formas solidárias de fortalecimento de economias locais. Organizados em torno da agricultura como principal fonte de autoconsumo, as condições geográficas e sociais das famílias assentadas no interior do Amazonas favorecem a efetividade e o sucesso desse tipo de espaço.

Durante a feira, quem abre a rodada começa por contar a história e outras particularidades do seu produto, como origem, produtividade e manejo. Então o participante indica outro produto por qual deseja trocar o seu.

Aí a brincadeira começa de fato: na hora do convocado ponderar se deve ou não aceitar a troca. É nesse momento que naturalmente surgem as dúvidas, devido aos diferentes “valores” entre os produtos, momento no qual a equipe aproveita para discutir os conceitos da economia solidária, principalmente o “valor de uso” do produto, Com essa reflexão, é possível avaliar não o valor monetário do objeto, mas sim a sua serventia para quem o doa e para quem ainda pode aproveitá-lo.

Tendo como preceitos centrais a solidariedade entre os participantes e a discussão sobre o que é “valor de uso” e “valor monetário”, a percepção da equipe técnica é de as feiras de trocas de fato podem contribuir para a economia interna dos assentamentos, na medida em que divulgam e socializam os diversos produtos e atividades desenvolvidos entre as famílias. Contudo, o ganho maior reside na valorização dos produtos regionais, na troca de conhecimentos e na união entre os participantes da atividade.

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1ª Feira de Trocas no Projeto de Assentamento Tarumã Mirim

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1ª Feira de Trocas no Projeto de Assentamento Tarumã Mirim

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1ª Feira de Trocas do Aruau (Projeto de Desenvolvimento Sustentável Cuieiras Anavilhanas)

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1ª Feira de Trocas no Projeto de Desenvolvimento Sustentável Cuieiras Anavilhanas

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