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Comunidade do Baixo Rio Negro recebe recursos para saneamento

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Comunidade do Baixo Rio Negro recebe recursos para saneamento

Por Priscila Rabassa,
Foto: Marina Yasbek

Depois de um ano de muito trabalho e aprendizado, os moradores de Nova Canaã do Aruaru, no Baixo Rio Negro já podem comemorar. A comunidade, que faz parte do PDS (Projeto de Desenvolvimento Sustentável) Cuieiras Anavilhanas, projeto de assentamento do Incra localizado na zona rural de Manaus (AM), foi contemplada com a instalação de um poço artesiano e sete fossas sépticas.

A tecnologia, simples e de baixo custo para promoção do saneamento básico, faz parte da ação financiada por meio de uma parceria entre o Fundo Socioambiental CASA e o Fundo Socioambiental Caixa, que liberou recursos no valor de R$ 28.000 (vinte e oito mil reais) para as obras, beneficiando 30 famílias e uma escola da comunidade.

A proposta, apresentada pela associação dos moradores, com apoio de Idesam, Incra e IPÊ (Instituto de Pesquisas Ecológicas), teve como meta descrever a realidade da comunidade que, há muito tempo, sofria com o aumento das endemias e viroses causadas pela falta de saneamento, além dos problemas ambientais gerados com a contaminação dos solos e rios.

Para a gestora ambiental Marina Yasbek, pesquisadora do Idesam, o acesso à água de qualidade e ao tratamento do esgoto são indicadores de desenvolvimento social em qualquer parte do planeta. Assim, a proposta foi melhorar a qualidade de vida da população, que utilizava a água direto do Rio Negro, sofrendo com a qualidade da água e com a dificuldade de captação no período da seca devido à distância que o rio fica da comunidade.

“Ficou evidente que uma comunidade, ao ganhar acesso aos serviços básicos de saneamento, afasta as doenças e também ganha em qualidade de vida, educação e renda. As pessoas se sentem mais cidadãs, mais dignas quando possuem em suas casas esses recursos. Talvez esse seja o maior ganho, ver a comunidade e a própria associação dos moradores incentivados a buscarem outros projetos similares, fortalecendo a comunidade como um todo”, declara.

Com o projeto, foi possível melhorar não apenas as condições de saúde dos comunitários como também contribuir para o desenvolvimento econômico local, pois o fluxo turístico tende a permanecer mais tempo na comunidade quando esta possui melhores condições estruturais e está apta a recebê-los, gerando mais renda para a população.

“A ideia é organizar esses recursos para a formação de um “fundo social” para dar continuidade nas obras utilizando o sistema em mutirão, ampliando o número de moradores com acesso as fossas sépticas,” declara Rosangela Barros, presidente da comunidade.

O diferencial desse projeto é que as tecnologias são implementadas através de cursos de capacitação realizados com a participação da população. Dessa forma, estimula-se a autonomia e a geração de renda, incentivando os moradores a replicarem.

“O Idesam espera que as melhorias apontadas pela população sirvam como alerta para que os governantes priorizem os investimentos em saneamento básico, sobretudo em coleta e tratamento dos esgotos; e que sirvam de exemplo para outras comunidades lutarem pelo que lhes é de direito”, conclui Marina.

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