COP15 – Idesam e TNC lançam Guia de REDD na América Latina

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Ao passo que as negociações sobre REDD na Convenção do Clima seguem em ritmo moroso e muitas vezes de impasse, iniciativas piloto para conservação de florestas tem apresentado resultados significativos e indicam um crescimento contínuo no volume de projetos de REDD voltados ao mercado voluntário de carbono.

Esses são os resultados de um estudo inédito realizado pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), em parceria com a The Nature Conservancy do Brasil (TNC – Brasil), que levantou informações de projetos e iniciativas sub-nacionais voltados à “Redução de Emissões do Desmatamento e Degradação Florestal (REDD)” em diversos países da América Latina.

O Guia de Projetos de REDD na América Latina, que será lançado oficialmente na próxima semana, durante a 15ª Conferência das Partes (COP15) em Copenhagen, reúne os resultados práticos e principais desafios encontrados por estes projetos, tais como o volume esperado de reduções de emissões (créditos de carbono), custos de implementação de atividades, estratégias para captação de investidores e articulação com governos nacionais.

O Guia traz informações sobre 17 projetos de REDD em desenvolvimento no continente latino-americano e, entre os dados revelados, verificou-se que 12% destes projetos já estão em processo de venda de créditos validados por padrões de certificação, e que 59% dos projetos ainda estão em fase de desenho – ainda que já apresentem estrutura metodológica em estágios avançados de construção.

Somando os projetos analisados, se espera um potencial de redução de emissões (REDD) de 521,2 milhões de toneladas de CO2, até 2050 (período máximo de duração do projeto mais longo, de 44 anos). O potencial de conservação chega a 14,8 milhões de hectares – área equivalente a 3,5 vezes o tamanho da Dinamarca.

O custo médio de geração dos créditos de REDD, expresso em toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2) foi de US$3,49, com custos mínimo de US$ 0,13/tCO2 e máximo de US$ 6,27/tCO2. Somando-se os custos de implementação de todos os projetos, será necessário algo em torno de US$ 1 bilhão em investimentos.

Verifica-se ainda que as Organizações Não-Governamentais estão presentes na maior parte dos projetos avaliados, seja em parceria com os governos (41%), setor privado (17%) ou sozinhas (12%). Os dados mostram ainda que os projetos desenvolvidos em escala sub-nacional estão desempenhando um importante papel de preparação para atividades de REDD, gerando lições aprendidas em diversos países latinos, estejam eles em processo de estruturação de políticas nacionais ou não.

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A publicação mostra aos integrantes do processo de negociação da Convenção do Clima que já existe conhecimento e experiências robustos o suficiente para a implantação imediata de projetos de REDD. O que falta é um acordo político que dê sinais positivos para o setor privado – onde está a maior parte dos recursos para pronto investimento. Uma vez que a Convenção dê esses sinais, sem dúvida o número de projetos irá crescer exponencialmente, sendo necessário apenas manter o rigor e qualidade dos projetos”, afirma o secretário executivo do Idesam e coordenador do estudo, Mariano Cenamo.

Para Ana Cristina Barros representante nacional da TNC no Brasil “o Guia revela com muita clareza um outro lado das negociações políticas para salvar o clima do planeta: as ações de chão, com resultados de campo, em hectares e toneladas de carbono! No inicio, sabíamos do que fazia a própria TNC, o Idesam e alguns outros poucos parceiros de quem recebíamos noticias esparsas. Decidimos investigar e revelamos uma tendência muito gratificante, de projetos que se consolidaram há pouco tempo, vários seguindo o mesmo caminho, com um leque grande lições aprendidas por aqueles que já venceram alguns dos desafios de colocar em pratica ações pelo clima. Isso deve abastecer as negociações e ao mesmo tempo, ser abastecido por elas, respondendo ao imenso esforço que deve ser feito – também na pratica, para mudar a forma de uso e valorização da floresta”

Inicialmente, o Guia de Projetos de REDD na América Latina está disponível apenas em inglês e será disponibilizado nos sites do Idesam (www.idesam.org.br) e TNC-Brasil a (www.nature.org) partir de 6 de dezembro. Em janeiro, a publicação será lançada também no Brasil, em português.

Clique aqui para ver a publicação em português.

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