Emissões da aviação civil internacional poderiam financiar projetos sustentáveis no Brasil

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Por Henrique Saunier
Foto: Victor Salviati/FAS

 

O Idesam reuniu, na última terça-feira (14), empresas e órgãos do setor de aviação para discutir desafios e oportunidades da adesão do Brasil ao Esquema de Redução de Emissões da Aviação Civil Internacional (“Corsia/Icao”, na sigla em inglês). As informações apresentadas são fruto de um estudo elaborado pelo Idesam e organizações parceiras, que indica que a inclusão do país no sistema do Corsia poderia evitar uma emissão superior a 18 milhões de toneladas de dióxido de carbono (MtCO2), entre 2021 e 2029.

O objetivo central do Corsia é complementar os esforços de redução de emissões de gases do efeito estufa (GEE) do setor de aviação civil internacional, além de limitar qualquer aumento das emissões de CO2 acima dos níveis de 2020.

Nos últimos dez anos, no entanto, as emissões decorrentes da aviação civil internacional no Brasil seguiram um sentido inverso e apresentaram forte aumento. Em 2006, os voos internacionais com destino ou origem no Brasil, operados por empresas nacionais e internacionais, emitiram 4,7 MtCO2. Em 2010, essas emissões subiram para 6,0 MtCO2 e, em 2015, atingiram 7,5 MtCO2.

A adesão ao Corsia poderia contribuir com a luta contra as mudanças climáticas e gerar incentivos positivos para redução de emissões no país, além de ajudar na redução do desmatamento na Amazônia brasileira, por meio do mecanismo de REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal).

“A demanda gerada por reduções de emissões pelo Corsia pode constituir uma ótima oportunidade para financiar programas e iniciativas que contribuam para o desenvolvimento sustentável no Brasil, em especial no setor de florestas, uso da terra e agropecuária, que atualmente respondem por mais de 70% das emissões nacionais de GEE”, afirma Pedro Soares, gerente do Programa Mudanças Climáticas e REDD+ do Idesam e um dos autores do estudo.

Benefícios ao Brasil

De 2021 a 2026, a adesão dos países ao Corsia é voluntária, e se torna obrigatório a partir de 2027. Caso o Brasil decida aderir às fases voluntárias do Corsia — o que não aconteceu até o momento — serão geradas reduções de emissões da ordem de 8,6 MtCO2, das quais 6 MtCO2 (76%) seriam de responsabilidade de companhias estrangeiras (que operam voos internacionais no Brasil) e 2 MtCO2 (24% do total) de companhias aéreas brasileiras.

Atualmente, o Brasil é o sétimo maior emissor de Gases de Efeito Estufa do mundo. Em 2016, o país emitiu um total de 2,2 gigatoneladas (GtCO2), sendo 73% decorrentes das mudanças no uso da terra (desmatamento) e agropecuária. Além disso, no intervalo de 2012 a 2017, o aumento do desmatamento observado na Amazônia foi de 45%.

O estudo alerta que caso não sejam criados novos mecanismos e fontes de recursos adicionais para financiar a redução do desmatamento e promoção do desenvolvimento sustentável na Amazônia, o setor seguirá sendo o campeão nacional de emissões de GEE.

Informações mais detalhadas podem ser encontradas na publicação completa, já disponível na biblioteca do Idesam. O estudo foi realizado em parceria com a BVRio, Biofílica, Instituto Centro Vida (ICV), Fundação Amazonas Sustentável (FAS) Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS) e do Environmental Defense Fund (EDF).

Além das organizações que assinam o novo estudo, o evento contou com a presença de representantes da Gol Linhas Aéreas, dos ministérios do Meio Ambiente, Transportes e das Relações Exteriores, do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e do Observatório do Clima.

Confira fotos do evento na fanpage do Idesam.

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