Empresas aceleradas pela PPA avançam no desenho de seus negócios

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Além da construção de indicadores, as startups foram incentivadas a estabelecer conexões e trocas que podem proporcionar novas oportunidades de negócios

 

Texto: Mônica Ribeiro
Foto: Henrique Saunier

 

Dando início às atividades do Programa de Aceleração da Plataforma Parceiros pela Amazônia, integrantes de 15 negócios de impacto amazônicos se reuniram de 18 a 20/02 no Impact Hub, em Manaus, e começaram a trabalhar nas teorias de mudança e indicadores de seus empreendimentos.

Desenvolvida em parceria com Sense-Lab e Move Social, a Oficina de Inovação em Modelos de Negócios e Construção de Indicadores de Impacto apresentou o Modelo C aos empreendedores participantes do Programa, estimulando cada um deles a trabalhar ao mesmo tempo no desenho dos negócios e da cadeia de gestão de impacto, integradamente.

Em grupo, os empreendedores avançaram na modelagem individual de seus negócios, ao mesmo tempo em que interagiram entre si em eventuais dúvidas e similaridades. Essas Startups, localizadas em municípios nos estados do Amazonas e do Pará, iniciaram também conexões e trocas que podem proporcionar novas oportunidades de negócios.

“Nossos objetivos nesses dias de workshop foram construir uma narrativa lógica, refinar a visão dos negócios e sua integração com o impacto e definir indicadores chave para cada um deles. Uma visão de sucesso de cada negócio, mas também uma visão conjunta do que tudo isso vai gerar enquanto Programa”, diz Antônio Ribeiro, da Move Social.

Como avaliam Antonio de Lima Mesquita e Nubia Mireya Garzon Barrero, da startup Ecopainéis da Fibra do Fruto do Açaí, o momento foi também de cocriação. A dupla descreve o processo de construção ao longo da oficina como um grande diferencial para o negócio, que ao mesmo tempo em que cada um pensa seu próprio empreendimento, compartilha visões com os outros empreendedores.

Tainah Fagundes, da empresa Da Tribu, aponta que a experiência tem sido importante para que os negócios consigam ter um olhar especial para o impacto: “O impacto é o ponto cego, a gente vai gerando e não mensura, não tangencia. E essa é uma ferramenta [o Modelo C] que vem para nos dar um norte. Fiquei feliz porque estamos com a Move e da Sense-Lab, que são profissionais de destaque voltados para negócios de impacto, e não para incentivar a elaboração de um plano de negócios para uma empresa tradicional. Estamos tendo uma experiência de realmente olhar negócios diferenciados. E para eles também é um aprendizado, entender um pouco da Amazônia, que é muito peculiar. É uma via de mão dupla, de soma”.

Para Andreas Ufer, da Sense-Lab, o chamado de trabalhar com a aceleração desses negócios adotando o Modelo C desde o início do processo contribui para a qualidade do Programa ao longo do ano, ao mesmo tempo em que também ajuda a validar a própria ferramenta. “O potencial disso é muito grande, em duas direções. Primeiro, no sentido de construir uma alternativa robusta para a Amazônia, e segundo, como essa visão pode contaminar o resto do movimento de negócios de impacto. E tem também uma visão diferente para nós, porque a Amazônia tem um contexto diverso, temos aqui um aprendizado de como lidar com tudo isso”.

Antônio Ribeiro, da Move Social, que conheceu vários dos negócios que participam do Programa ao longo do Fórum de Investimento Social e Negócios de Impacto na Amazônia, em novembro do ano passado, considera a realização da oficina no Programa uma espécie de continuidade da relação estabelecida, e destaca o privilégio de vivenciar e poder estar próximo de um processo de transformação da Amazônia. “Isso exige também que a gente estude mais, conheça mais as realidades específicas. E tem sido muito bom ver as pessoas aqui se entregando a essa construção, se abrindo para refletir a partir dessa lógica que a gente está propondo”.

Embora o grupo de empreendedores participantes do Programa de Aceleração da PPA tenha perfis diversos, é perceptível a consciência de sua força como uma espécie de showcase capaz de inspirar iniciativas semelhantes, catapultando uma nova economia para a região.

“É a primeira vez que um grupo tão forte de empreendedores e startups se reúne para resolver problemas socioambientais da Amazônia a partir de seus próprios negócios. A solução para o desmatamento da floresta passa pelo desenvolvimento de soluções inovadoras para a economia da região. A Amazônia precisa deu uma nova economia. E essa economia começa agora”, diz Mariano Cenamo, co-fundador do Idesam e coordenador executivo da PPA.

 

O Programa de Aceleração da PPA

O ecossistema de negócios de impacto na Amazônia está fervilhando. Cada vez mais surgem iniciativas de inclusão de comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas e agricultores familiares em processos produtivos, em novos mercados e processos. Esses negócios prometem alavancar uma nova economia na região, contrária ao desmatamento e às atividades predatórias e valorizando a sociobiodiversidade.

Em 2018, a Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA) e o Idesam realizaram, com apoio de USAID e CIAT, a primeira Chamada de Negócios da iniciativa, recebendo 81 inscrições. Apoiadores da iniciativa desde o começo, USAID e CIAT compartilham a coordenação executiva da PPA com a Equipe de Conservação da Amazônia (ECAM) e o Instituto Peabiru

Do total de inscritos na chamada, 15 foram selecionadas para participar do Programa de Incubação e Aceleração da PPA, que acontecerá durante o ano de 2019 e inclui a realização de oficinas e workshops, mentorias, assessoria jurídica e contábil, bolsas de estudo e a viabilização de espaços de coworking para as startups e empreendedores selecionados em seu portfólio.

Durante o programa de aceleração o empreendedor poderá se candidatar a receber bolsas de estudos ou apoio logístico (custeio de viagens e hospedagem) para participar de conferências, feiras, cursos ou eventos de capacitação que tenham o potencial de contribuir ou alavancar significativamente o desenvolvimento da sua empresa.

(Confira a galeria de fotos do evento no nosso Flickr)

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