(Português do Brasil) Carbono Neutro Idesam completa 10 anos na Amazônia e planta 7 mil árvores em 2020

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Nesse ano, o programa beneficiou oito comunidades da RDS do Uatumã, no Amazonas

 

Por Henrique Saunier
Fotos: Arquivo/Divulgação Idesam

 

Mais de 7 mil árvores foram plantadas pelo Programa Carbono Neutro (PCN), em 2020, beneficiando cerca de 150 pessoas em oito comunidades da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, no interior do Amazonas. Criado e coordenado pelo Idesam desde 2010, o programa tem o objetivo de compensar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) de pessoas, eventos, produtos ou qualquer atividade realizada por instituições que buscam reduzir o impacto da sua pegada no planeta.

Só no ano de 2020, as mudas plantadas terão o papel de compensar em torno de 2 mil toneladas de carbono emitidas na atmosfera, recuperando sete hectares de áreas degradadas na reserva. Isso foi possível graças ao plantio de mudas de Cacau, Cupuaçu, Açaí, Guaraná, Cumaru, Andiroba, Graviola, Abacate, Preciosa  e Itaúba, todas espécies escolhidas em parceria com os comunitários.

As mudas de espécies florestais utilizadas no plantio foram produzidas dentro da própria reserva, em três viveiros construídos nas propriedades de produtores parceiros do PCN. Em paralelo ao plantio das mudas, foi também realizado o plantio de sementes de feijão de porco, Ipê, urucum, patauá, jenipapo, paricá, mudas de banana, macaxeira, abacaxi entre outras à escolha dos produtores.

“Essas espécies garantem a sustentabilidade do sistema, uma vez que produzem frutos em um curto espaço de tempo e em épocas diferentes. Dessa forma, o sistema sempre estará produzindo algo, otimizando o espaço e esforços, gerando alimento e renda para as famílias”, explica o engenheiro ambiental do Idesam responsável pelo plantio, Jefferson Araújo.

As famílias agricultoras beneficiadas pelo Programa Carbono Neutro em 2020 residem nas comunidades do Maracarana, Caribi, Livramento, Pedras e Jacarequara, comunidades tradicionais na RDS conhecidas por seu perfil agrícola. O modelo de sistemas agroflorestais (SAFs) aplicado nestas comunidades foi direcionado para a produção de alimentos, de óleos e recuperação florestal.

Mariza Nobre, uma das comunitárias da RDS do Uatumã e parceira do Programa Carbono Neutro, dá suporte à iniciativa com o seu viveiro de mudas, que nesse último ano produziu quase duas mil mudas utilizadas no plantio. Mariza é um exemplo do papel estratégico da presença feminina no cultivo dos SAFs e no sucesso do programa, que conta com cerca de 80 mulheres em diversas frentes de atuação.

Mariza Nobre no seu viveiro de mudas, na RDS do Uatumã (Arquivo/Rodrigo Duarte)

“Minha função nisso tudo é produzir uma muda boa, para que quando ela for para o campo, a gente consiga um bom resultado e para isso eu conto com o apoio de pessoas da comunidade que prestam serviço para mim. As pessoas que estão por trás são fundamentais, pois assim como precisa de quem faça muda, plante e cuide dos SAFs, precisa também de alguém que financie essa iniciativa, para que ela chegue a mais famílias ainda”, ressalta Mariza Nobre.

De acordo com a coordenadora de novos negócios do Idesam, Talia Bonfante, a comoção de boa parte da sociedade com as queimadas na Amazônia em 2019 foi catalisadora de uma maior participação de pessoas físicas interessadas em compensar suas emissões. Bonfante destaca que pelo menos um terço do plantio do programa foi realizado via doação de mudas de árvores para plantio.

Escolha das áreas de plantio

As áreas recuperadas através da implantação dos SAFs do Carbono Neutro foram cuidadosamente selecionadas ao longo de 2019 pela equipe do programa, que contou como apoio de estagiários do Instituto Federal do Amazonas (IFAM). Nessa etapa de preparação pré-plantio, o Idesam realizou reuniões, cursos sobre roça sem queima e diversas visitas técnicas nas comunidades.

Devido as grandes distâncias entre as comunidades dentro da reserva, um dos principais desafios do programa ainda é o transporte das mudas até as áreas de plantio, etapa que demanda bastante esforços e recursos. A fim de registrar um índice baixo de perda de mudas com essa logística, a equipe precisa realizar várias viagens, em pequenas embarcações regionais.

Todo esse trabalho só foi possível porque o PCN contou com o apoio de 21 parceiros neste ano, incluindo pessoas físicas e instituições. Foram empresas como a Alter-Native Bresil, que apoiou o plantio de 300 árvores e pôde conhecer de perto na RDS do Uatumã o impacto dessa ação na vida das famílias.

“A experiência de conhecer essa realidade de perto, com a minha filha de 16 anos, foi uma grande lição de humildade, de interação com as coisas simples e verdadeiras da natureza. Além do programa e todo o trabalho logístico que o plantio demanda, conseguimos entender que não é simplesmente plantar uma árvore”, destaca o proprietário da empresa de turismo, Yannick Ollivier.

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