Metas de redução de emissões de gases estufa são insuficientes

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Giovana Girardi – O Estado de S. Paulo

Se depender das contribuições que os países apresentaram até agora para reduzir as emissões de gases estufa – que provocam o aquecimento global -, será pouco provável que o planeta consiga estabilizar o aumento da temperatura em 2°C até o final do século.

É o que mostra um cálculo preliminar feito com base nas INDCs (Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida, na sigla em inglês) entregues até a semana que passou à Convenção do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU). As INDCs são os compromissos que os 196 países-membros da convenção têm de propor até 1.º de outubro para fundamentar o novo acordo climático global que deve ser finalizado na Conferência do Clima da ONU (COP-21), a ser realizada em dezembro em Paris.

Até sexta-feira, 56 países, responsáveis por quase 70% das emissões do planeta, apresentaram suas propostas.

Cálculos feitos pelos pesquisadores do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), obtidos pelo Estado, mostram que as emissões do mundo em 2030 – com os cortes sugeridos até o momento – serão no mínimo o dobro do necessário para segurar o aumento da temperatura. A comunidade científica considera que um aumento acima de 2°C em média em todo o planeta podem trazer consequências catastróficas.

Orçamento. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), para evitar o pior cenário, o mundo só pode emitir, entre 2012 e 2100, mil gigatoneladas (Gt) de CO2 – é o chamado “orçamento de carbono”. Numa distribuição igualitária ao longo do tempo, isso significa que podemos emitir no máximo 11,3 Gt CO2 por ano até lá. O problema é que o mundo, em 2010, segundo o IPCC, emitiu 49 Gt do gás, o que dá uma ideia do tamanho do desafio para fazer essa redução.

Os pesquisadores do Idesam calcularam quanto cada um dos países que já apresentaram suas INDCs deverão emitir em 2030 se essas metas forem adotadas. Eles chegaram ao montante de 14,9 Gt. Isso sem contar a China. Hoje o maior emissor mundial, o país somente indicou que vai alcançar seu pico de emissões em 2030, sem trazer nenhum indicativo numérico de quanto vai ser isso.

Pouca ambição. Mesmo sem todas as cartas na mesa, o que fica claro até o momento, dizem os pesquisadores Mariano Cenamo e Pedro Soares, é que a soma das ambições dos países para combater as mudanças climáticas globais não está compatível com a necessidade apresentada pela ciência para manter o equilíbrio climático do planeta.

Cenamo alerta que hoje as INDCs estão sendo apresentadas cada uma de um jeito, o que dificulta a realização de comparação entre elas. Além do caso da China, que só apresentou o ano de pico, não há padrão, por exemplo, sobre a data que é usada como base para se estabelecer as metas de redução de emissões. Por exemplo, a União Europeia se compromete a reduzir 40% das emissões até 2030 com base na quantidade que era emitida em 1990. Já os Estados Unidos prometem cortar de 26% a 28% em 2025, com base nos valores de 2005.

Leia o texto completo no Estadão.

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