Nova metodologia de REDD+ aprovada no VCS

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No dia 14 de julho, foi aprovada oficialmente, pelo Verified Carbon Standard (VCS), uma nova metodologia de REDD+, que permite calcular emissões evitadas por desmatamento. Essa nova metodologia irá ajudar desenvolvedores de projetos e atividades de REDD+ em diversos países a estruturarem seus projetos de forma mais robusta e permitir a submissão para validação de seus projetos ao VCS.

A metodologia de “Desmatamento Não Planejado – VM0015” foi o resultado da união de duas metodologias diferentes, uma delas desenvolvida pelo Banco Mundial e outra construída através de uma parceria entre Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam) e Carbon Decisions International (CDI). A primeira delas era aplicada a desmatamentos em mosaico, enquanto a segunda se aplicava à dinâmica de fronteira. No entanto, os requisitos metodológicos de ambas eram bastante semelhantes e os desenvolvedores optaram por unir os dois documentos, a fim de evitar duplicar a criação de metodologias, aumentando o risco de “despadronização” dos projetos.

De acordo com o secretário executivo do IDESAM, Mariano Cenamo, a colaboração trouxe importantes benefícios para o diálogo sobre REDD. “A aprovação dessa metodologia mostra que há um alto nível de conhecimento científico e técnico apoiando os projetos de REDD no mercado de carbono voluntário. Esperamos que a metodologia VM0015 contribua também para agregar confiança no processo de negociação de REDD+ na UNFCCC”, destaca.

Para Lucio Pedroni, da CDI, essa metodologia é um importante avanço para todo mundo que trabalha para reduzir o desmatamento em áreas tropicais por meio de sua abordagem robusta e amplamente aplicável. “Muitos desenvolvedores de projetos estavam esperando a aprovação dessa metodologia, e finalmente eles poderão finalizar sua documentação e registrar seus projetos no VCS”, diz.

“Unir a ‘metodologia de fronteira’ da FAS com a ‘metodologia de mosaico’ do Banco Mundial foi crucial para permitir o desenvolvimento de projetos de REDD tanto na Amazônia brasileira, como na África e na Indonésia”, comentou Virgílio Viana, Superintendente-Geral da FAS. “Esta metodologia quebrou o ‘paradigma norte-sul’, colocando o ‘sul’ como líder nas discussões de alto nível”.

Jeff Hayward, Diretor do Rainforest Alliance, que junto com o Bureau Veritas Certification, foi responsável pelo processo de dupla-validação da metodologia, disse: “essa é uma metodologia inovadora de alta qualidade que permitirá a projetos de REDD estabelecerem linha de base crível e monitorarem as reduções de emissão”.

A aprovação desta metodologia por um Padrão como o VCS, internacionalmente reconhecido por seu rigor metodológico, atesta que, dentre as lacunas ainda existentes para a implementação de atividades de REDD+, a questão técnica e metodológica não é uma delas. Esta metodologia prova que é possível desenhar e construir projetos que sejam embasados sobre conceitos técnicos sólidos e que garantam que as reduções de emissões geradas serão reais e plenamente mensuráveis, reportáveis e verificáveis.

VERIFIED CARBON STANDARD – VCS

O VCS é um reconhecido sistema de certificação de iniciativas dentro do mercado voluntário de carbono, que permite a inclusão de novas metodologias dentro de seu sistema. Esse programa fornece normas e padrões independentes para a validação da garantia de qualidade de projetos de REDD, tornando possível a comercialização de seus créditos de carbono em mercados voluntários. Para aprovação no padrão VCS, novas metodologias deverão passar por uma dupla validação, as quais foram conduzidas por duas entidades independentes: Bureau Veritas e Rainforest Alliance.

Para ter acesso à metodologia, clique aqui.

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