‘Observatório BR-319’ lança boletim informativo com dados sobre a rodovia

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Ferramenta agrega informações atualizadas acerca da situação de municípios e unidades de conservação afetadas pela BR-319

 

Por Henrique Saunier e Samuel Simões Neto

 

Criado em julho do ano passado, o Observatório BR-319 lança, em outubro, o seu primeiro boletim informativo.  O principal objetivo do boletim é disponibilizar informações autênticas e seguras sobre a BR-319 a todos que residem na rodovia, nos municípios próximos e aos demais interessados no tema.

“Nos últimos meses foi notável o crescimento das fake news (notícias falsas), que deixam as pessoas inseguras ou com uma visão parcial quanto a temas importantes para a sociedade. Como a BR-319 naturalmente é um assunto que gera muitos debates, achamos importante criar um mecanismo de compartilhamento de conteúdos seguros sobre ela”, aposta Fernanda Meirelles, coordenadora de políticas públicas do Idesam.

Além das notícias sobre a BR-319, a primeira edição do boletim também traz um monitoramento dos focos de calor na região, com informações retiradas da plataforma PRODES (projeto do governo federal que realiza o monitoramento por satélites da Amazônia Legal).

Os dados extraídos do PRODES são analisados de forma a oferecer um comparativo da região do estudo com a Região Amazônica e os estados do Amazonas e Rondônia, cortados pela rodovia. “A análise dos dados de setembro mostraram que cinco municípios (Porto Velho, Lábrea, Manicoré, Canutama e Humaitá) foram responsáveis por 93% dos focos de calor da região”, explica a ecóloga.

Ainda que fenômenos naturais tenham influência nesse cenário, a ação humana ainda é a principal responsável pela ocorrência dos incêndios na Amazônia e no Brasil. Historicamente, onde há ocupação humana em ambientes florestais, essa ocupação vem acompanhada de incêndios, usados principalmente com finalidade de ‘limpar a área’ para a produção agropecuária.

“A proposta do boletim é trazer ainda análise de dados de desmatamento, meteorológicos e hídricos, mas ainda estamos buscando parcerias que nos forneçam essas informações atualizadas e mensais”, afirma Meirelles.

 

O Observatório

Em julho de 2017, diversas ONGs ambientalistas do Amazonas se reuniram e alinharam seus posicionamentos em relação à recuperação e reconstrução da rodovia BR-319, chegando ao consenso de que medidas prévias mínimas devem ser implementadas com o objetivo de garantir o ordenamento territorial e a gestão ambiental na região. Atualmente, integram o Observatório da BR-319: Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Fundação Vitória Amazônica (FVA), Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Wildlife Conservation Society (WCS) e WWF-Brasil.

A partir deste entendimento, surgiu a ideia da criação do Observatório BR-319, com objetivo de monitorar as áreas que sofrem influência da BR-319 e, por meio de análises e monitoramento constante, sugerir pontos de atenção e ações de impacto nessas áreas.

Os municípios monitorados foram escolhidos a partir da presença da BR-319 (Manaus, Careiro da Várzea, Careiro, Manaquiri, Beruri, Borba, Manicoré, Tapauá, Canutama, Humaitá e Porto Velho), assim como proximidade (como é o caso de Autazes e Lábrea, que são conectadas à estrada pela AM-254 e pela BR-230, respectivamente).

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