PPA lança estudo com recomendações para investimentos em P&D na Amazônia

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O Estados da Amazônia Legal têm potencial para receber mais de R$ 400 milhões em projetos de Ciência e Tecnologia, mas ainda enfrenta entraves como baixa capacidade técnica para execução de projetos.

 

Por Henrique Saunier
Edição de Samuel Simões Neto

 

Com a nova Lei de Informática (nº 13.674/2018), sancionada em junho passado, a Amazônia pode se beneficiar, nos próximos anos, com um aumento de até 30% no volume de recursos para Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), oriundo de empresas do Polo Industrial de Manaus. Só em 2016, a média de volume de contrapartida em P&D das empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) ficou em R$ 700 milhões.

No entanto, algumas barreiras ainda precisam ser superadas para que este recurso seja aplicado efetivamente no desenvolvimento regional. A falta de projetos robustos e bem elaborados e a dificuldade de acesso às informações sobre esses recursos são algumas dessas barreiras. Esse foi o cenário apresentado por especialistas e empresários reunidos no lançamento do estudo “Caminhos para o investimento sustentável na Amazônia”, na última terça-feira (31/7), no Impact Hub, em Manaus.

Confira as fotos do evento na fanpage do Idesam.

Elaborado por Idesam e Impact Hub, o estudo foi idealizado pela Plataforma de Parceiros pela Amazônia (PPA), que une representantes de empresas e entidades financiadoras no intuito de otimizar o investimento em ações que promovam o desenvolvimento da região Amazônica.

“O objetivo principal do estudo – e da PPA – é tentar auxiliar as empresas baseadas no Polo Industrial de Manaus a aplicar parte dos recursos oriundos das obrigações fiscais da ZFM em projetos de empreendedorismo, negócios e startups voltados à bioeconomia e ao uso sustentável dos recursos naturais na Amazônia”, completa Mariano Cenamo, pesquisador sênior do Idesam e coordenador do estudo.

O estudo está disponível a partir desta quarta-feira (1º/8) neste link.

 

Especialistas falam sobre potencial

Para o diretor de tecnologias inovadoras do MDIC, Luciano Cunha, Manaus recebe uma quantidade elevada de recursos que poucos lugares no mundo recebem, no entanto, os resultados práticos ainda estão muito aquém do esperado, o que, segundo ele, motivou as mudanças na legislação. É dele inclusive a estimativa de incremento de 20% a 30% no volume de recursos para os próximos anos.

“A gente precisa como sociedade aprender a utilizar a lei. Temos que construir projetos que atraiam as empresas. Não é pouco dinheiro disponível para investir e agora com a obrigação do reinvestimento, esse volume durante os próximos quatro anos deve ser aumentado. Então a tem um volume ainda maior estimado e temos que aproveitar. A gente tem que saber chegar na empresa e dizer ‘você tem recurso eu sei como são as regras da lei e quero que você participe do projeto’”, afirmou Cunha.

Uma das coordenadoras do estudo pelo Impact Hub, Juliana Teles aponta que, com a nova Lei de Informática, se amplia a possibilidade de investimento em Institutos de Ciência e Tecnologia (ICTs) públicos e privados, organizações sociais, incubadoras e aceleradoras, abrindo espaço para novas oportunidades no setor. Ela vê com bons olhos a mudança na legislação em relação aos programas prioritários, agora reduzidos pelo Governo Federal a três pilares centrais (bioeconomia, formação em RH e economia digital) e o papel das instituições coordenadoras desses programas na escolha do direcionamento desses recursos.

“As empresas (de informática) aportam o capital nas coordenadoras, podendo direcionar para projetos específicos ou não, então a coordenadora capta os projetos junto às instituições cadastradas no CAPDA (Comitê das atividades de Pesquisa e Desenvolvimento na Amazônia). As instituições e empresas, por sua vez, precisam ter seu papel ativo de buscar as coordenadoras e buscar esses investimentos. Esse tem sido um caminho otimista para se investir em P&D”, afirma Teles.

 

A sociedade precisa formar empreendedores

A falta de capacitação técnica para a elaboração de projetos robustos de P&D foi apontada, no evento, como um dos entraves para o investimento das grandes empresas. A seleção realizada pelo INDT – coordenadora do Programa Prioritário de Economia Digital – é um exemplo, conforme apontado pelo empresário e membro do comitê gestor da PPA, Denis Minev.

“O INDT possui um fundo de investimentos de até R$ 40 milhões para aplicar em startups. O único e grande problema é que não foram encontradas startups suficientes para receber os investimentos com a qualidade necessária”, explica.

“Eles (INDT) trouxeram pessoas de São Paulo acostumadas a investir, mas a experiência foi a de que não havia startups. Havia sim algumas, até fizeram alguns investimentos, mas apenas em quatro (enquanto o esperado era 40). As startups existentes não atingiam os critérios necessários para receber um aporte de grande magnitude”, completa Minev.

O doutor em ciência da computação e ex-membro do CAPDA, Edleno Moura, afirma que existe uma grande necessidade por formação, o que para ele impacta diretamente na dificuldade em encontrar essas startups aptas a receberem investimentos, é algo que pode ser minimizado caso os recursos fossem destinados a projetos com esse fim. Segundo ele, o CAPDA possui uma estimativa de R$ 300 a R$ 400 milhões para aplicar em P&D nos próximos anos, o que ele enxerga como uma oportunidade para se investir em programas de educação e formação.

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