Sistemas Agroflorestais fortalecem a produção de guaraná no AM

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‘Projeto Warana’, desenvolvido com os Sateré-Mawé no leste do Amazonas, terá apoio do Idesam na proposição de melhorias no sistema produtivo do guaraná, recuperação de áreas degradadas e educação ambiental.

Por Larissa Mahall

Durante os próximos nove meses, o Idesam irá trabalhar na implementação 13 sistemas agroflorestais (SAFs) e 2 viveiros florestais na Terra Indígena (TI) Andirá-Marau, localizada na divisa entre os estados do Amazonas e Pará. As atividades integram o Projeto Warana, desenvolvido através de uma parceria entre Sepror (Secretaria de Estado de Produção Rural),  Assai (Associação dos Amigos do Inpa) e Consórcio dos Produtores Sateré-Mawé, com patrocínio da Petrobras.

Além dos SAFs e viveiros, as atividades a serem realizadas pelo Idesam também incluem a instalação de 5 parcelas de inventário de estoque de carbono, e atividades de educação ambiental, como oficinas, treinamentos e a  realização de feira de troca de sementes e experiências entre comunidades indígenas.

A educação ambiental é um tema transversal a todas as ações do Projeto Warana e tem como foco a promoção da saúde e da soberania alimentar das famílias beneficiadas. “Espera-se que o projeto possa contribuir com a diminuição da produção de lixo, com o aproveitamento de resíduos, e com o estimulo à produção e consumo de alimentos mais saudáveis”, explica Etelvino Araújo, coordenador de projetos especiais da Sepror.

Para o engenheiro agrônomo Ramon Weinz, pesquisador do Programa Manejo Florestal do Idesam, a agricultura sustentável é a base desse projeto multidisciplinar, “o Idesam trabalha com o mínimo de insumos, justamente para estimular a economia dessa população e garantir sua soberania alimentar”, reforça.

Além do guaraná, os Saterê-Mawê também cultivam pau-rosa, cumaru, copaíba e várias espécies de óleos.

Expectativas de implementação do SAF

A implantação de Sistemas Agroflorestais tornou-se, nos últimos anos, a principal aposta no desenvolvimento de sistemas produtivos em comunidades ribeirinhas, Unidades de Conservação e Terras Indígenas, pois possibilita a interação entre os saberes tradicional e científico, promovendo geração de renda e preservação.

Essa interação possibilita um sistema de produção mais adaptado às condições da Terra Indígena e incentiva a população local a adotar “novas formas de manejo e tecnologias sustentáveis”, explica André Vianna, coordenador do Programa Manejo Florestal do Idesam.

O pesquisador Ramon Weinz destaca ainda dois aspectos do sistema em agrofloresta: a melhoria da qualidade do solo e a recuperação de áreas antes improdutivas, “consorciando com a produção que eles já cultivam e auxiliando no aprimoramento da técnica”, reforça.

Área de Atuação

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O projeto Warana tem ações previstas em treze comunidades indígenas Satere-Mawé, localizadas nas calhas dos rios Uaicurapá, Andirá e Marau, na Terra Indígena Andirá-Marau.

A TI, situada na divisa entre Amazonas e Pará, abrange áreas dos municípios amazonenses de Parintins, Maués e Barreirinha, e dos municípios paraenses de Aveiro e Itaituba, e é tradicionalmente ocupada por uma população de 7.376 pessoas da etnia Sateré-Mawé em uma superfície territorial de 788.528,38 hectares.

Inventores do Guaraná – Os Sateré-Mawé são os inventores da cultura do guaraná, cujo nome é uma adaptação fonética do português à palavra Waraná, que pertence à língua Sateré-Mawé. Foram estes indígenas que transformaram uma trepadeira silvestre em arbusto cultivado. À esta domesticação somou-se a criação do processo de beneficiamento do guaraná. A produção deste vegetal na Terra Indígena atualmente é certificada pelo Instituto BioDinâmica e pela Forest Garden Products, o que garante a exportação do produto para a Europa à preço satisfatório aos produtores. (Fonte: Projeto Warana)

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