A biodiversidade amazônica como saída para um novo modelo de desenvolvimento regional

content image
A biodiversidade amazônica como saída para um novo modelo de desenvolvimento regional

A região atualmente representa menos de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional

Por Comunicação Idesam
Foto: Luiz Rocha

Um diagnóstico recente produzido pelo Idesam aponta que a Amazônia Legal — que ocupa cerca de 60% do território brasileiro — contribui com menos de 8% do PIB do País. Mesmo com a perda acumulada de 20% da cobertura original de florestas, a participação da Amazônia na economia nacional permanece inalterada há pelo menos três décadas. O estudo faz parte de uma série de três diagnósticos feitos pelo instituto para a iniciativa Concertação pela Amazônia, que defende a construção de uma visão de futuro para a região com valorização dos ativos ambientais e culturais. 

A convite do Arapyaú (que junto com a ICS e Humanize encabeçam a iniciativa), o Idesam produziu três diagnósticos setoriais de um universo de 15 eixos que contribuem para a construção de uma visão de futuro para a Amazônia. Essa visão passa pela discussão sobre conceito e modelos de desenvolvimento para a região, portanto, o Idesam ficou responsável pelos diagnósticos dos setores de bioeconomia na Zona Franca de Manaus, serviços ambientais e negócios de impacto na Amazônia (este último ainda inédito). 

No diagnóstico sobre bioeconomia, o destaque fica para o Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), que visa a injeção de recursos oriundos das contrapartidas financeiras obrigatórias das empresas de eletroeletrônicos instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e inovação na Amazônia. Segundo o diagnóstico, até 2023,  a meta é investir R$ 80 milhões em P&D e inovação para bioeconomia na Amazônia, incluindo aporte em startups amazônicas e em incubadoras e aceleradoras de novos negócios sustentáveis.

Já o diagnóstico sobre serviços ambientais e mercados de carbono defende a valoração dos serviços ambientais prestados pela conservação das florestas através de incentivos econômicos, como estratégia para o Brasil atrair uma nova leva de investimentos nacionais e internacionais. No levantamento, o Idesam aponta que a Amazônia Legal tem um alto potencial de redução de emissões de gases de efeito estufa, o que poderia gerar um valor de US$ 20 bilhões captados em serviços ambientais.  

Para Pedro Soares, gerente de mudanças climáticas e serviços ambientais do Idesam, o principal entrave para alavancar essa economia ainda é um mercado de carbono voluntário incipiente, porém com grande potencial de aumento na sua demanda. “Movimentos recentes liderados por grandes empresas, bancos e investidores mostram uma clara tendência de aumento na demanda por créditos florestais, o que poderá representar novos investimentos privados, em escala, para a conservação das florestas e para o desenvolvimento de sistemas produtivos sustentáveis”, afirma Soares.

Sobre a Concertação pela Amazônia 

O volume de iniciativas envolvendo a Amazônia em curso no Brasil e no mundo é bastante vasto, o que acaba resultando em ações fragmentadas. O intuito dessa concertação é contribuir para que essas iniciativas tenham maior articulação, por isso, a ICS, Humanize, Arapyaú e outras organizações estão empenhadas em articular a construção de uma base de conhecimento ampla sobre a Amazônia, fundamentada nas várias iniciativas em curso.

“Acima de tudo, busca-se articulação dos esforços realizados pela academia, sociedade civil, governo, comunidades locais, filantropia e mainstream econômico, em prol da institucionalização da Amazônia pela sociedade brasileira. A visão de uma Concertação pela Amazônia vai além do apoio a um plano de desenvolvimento econômico sustentável para a região e é altamente dependente de um movimento institucional que torne perene a reflexão sobre a região e contribua para a implementação de uma agenda amazônica para o País”, defende a iniciativa.

Clique aqui para conhecer mais sobre a Concertação Pela Amazônia e acessar os demais diagnósticos setoriais produzidos.