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‘Puxirum’ promove diálogo e articulação entre projetos e organizações indígenas no Idesam

Puxirum, palavra de origem tupi, carrega o sentido do trabalho coletivo em benefício da comunidade. Foi com esse espírito que o Idesam reuniu, nesta sexta-feira (08), organizações indígenas e parceiros em sua sede, no Moinho – Centro de Inovação e Tecnologia, em Manaus, para uma manhã de diálogo, troca de saberes e fortalecimento de conexões em torno dos territórios indígenas e da floresta em pé.  

O encontro foi um desdobramento da participação do Instituto no Acampamento Terra Livre (ATL), realizado em abril, em Brasília. Na ocasião, o Idesam esteve ao lado da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e da Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (APIAM), por meio do Hub de Políticas Públicas do Instituto. 

Durante a programação, os participantes conheceram frentes de atuação do Idesam ligadas à governança territorial, ao fortalecimento de organizações produtivas e ao desenvolvimento de cadeias da sociobiodiversidade. A proposta foi aproximar projetos, organizações e parceiros que atuam na construção de soluções sustentáveis para os territórios, a partir da escuta, da participação coletiva e do protagonismo indígena.  

Para Adriane Formigosa, líder da iniciativa de Governança Territorial do Idesam, a construção dessas soluções passa por uma lógica integrada, que une formação, tecnologia, negócios sustentáveis e organização comunitária.  

“Nós temos na base a formação para uma produção sustentável, depois o desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas para essa produção, e também o desenvolvimento e a aceleração dos negócios que surgem a partir dessas fases anteriores. Existe uma lógica em tudo o que fazemos”, explicou.  

O encontro também apresentou o trabalho do Hub de Políticas Públicas, criado em parceria com a Rainforest Alliance. A iniciativa atua como um núcleo de conexão entre organizações, órgãos públicos e associações socioprodutivas indígenas e comunitárias, apoiando o acesso a políticas públicas e o fortalecimento organizacional.  

Segundo Allex Mendonça, coordenador do projeto, o Hub atua em duas frentes principais: o fortalecimento organizacional de associações indígenas do Purus e a assessoria técnica e jurídica para associações socioprodutivas.  

“A primeira frente é voltada para o fortalecimento organizacional de duas associações indígenas do Purus, uma de Tapauá e outra de Lábrea, com atenção especial à juventude. O outro eixo é voltado para a assessoria técnica e jurídica de associações socioprodutivas, para que elas possam promover cadeias de valor sustentáveis e acessar políticas públicas, como PAA, PNAE e crédito”, explicou.  

A coordenadora tesoureira da COIAB, Dineva Maria Kayabi, destacou a importância da articulação em rede para fortalecer a autonomia das organizações indígenas, a proteção territorial e a valorização dos conhecimentos tradicionais.  

“As parcerias trazem uma visibilidade muito forte. Se cada um continuar fazendo esse trabalho, vamos chegar aonde queremos. Somos a continuidade da nossa ancestralidade. Quem tem seus territórios garantidos tem que honrar, dando respeito e autonomia para levar essa luta para a frente”, afirmou.  

A coordenadora geral da APIAM, Mariazinha Baré, também ressaltou a importância da construção coletiva e da participação indígena em espaços de decisão.  

“A nossa luta se dá muito em função disso: de construir juntos. Além da participação nas políticas públicas, precisamos fortalecer a nossa governança e, nessa rede de organizações e parceiros, participar dos espaços de construção para ter um diálogo mais qualificado. Buscamos parcerias e financiamento direto para os povos indígenas”, destacou.  

A programação contou ainda com uma apresentação de Lincon Barbosa, da equipe de Comunicação do Idesam, sobre a experiência de cobertura do ATL, trazendo reflexões sobre comunicação, mobilização e visibilidade das pautas indígenas. A conversa reforçou a comunicação como ferramenta estratégica para fortalecer narrativas próprias e ampliar o alcance das reivindicações dos povos indígenas. “A pauta indígena não é uma pauta que atinge apenas um público, mas a todos. Estamos na linha de frente, muitas vezes sofrendo violência nos territórios, e denunciar em Brasília tem um peso totalmente diferente. Por isso existe essa mobilização para ir até lá. Realizar os registros também é essencial para que a nossa luta continue tendo importância”, afirmou o comunicólogo. 

Para o Idesam, o Puxirum reafirma que a sociobioeconomia na Amazônia se fortalece quando nasce da escuta, da construção coletiva e do protagonismo dos povos que historicamente cuidam dos territórios. 

Texto: Fabíola Abess/Idesam | [email protected] | Fotos: Rafael Froner

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