(Português do Brasil) Michael Eddy: “O bioma Amazônia tem uma importância para todo o planeta”

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Comunicação PPA

 

Em entrevista, Michael Eddy, diretor da USAID – Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional – ressalta a importância da iniciativa privada para o desenvolvimento sustentável da região.

 

História da USAID no Brasil e na Amazônia

A USAID é a principal agência dos EUA de parceria e cooperação para o desenvolvimento sustentável no mundo, que trabalha em parceria com governos, instituições e empresas locais. No Brasil, realiza a ponte entre americanos e brasileiros em projetos. “Somos muito orgulhosos de representar essa relação”, comenta Eddy.

Na década de 70, a agência contou com quase 400 colaboradores no Brasil, na época a maior operação do mundo da USAID, e na medida que o Brasil foi avançando em termos socioeconômicos, a atuação americana foi diminuindo. “A economia do Brasil é avançada e queremos manter nossa atuação aqui. Por isso, a partir de 2014 a agência começou uma transição, para ser uma plataforma de parcerias”, destaca Eddy. O norte-americano complementa que é necessário trabalhar no espírito de parceria e colaboração e a USAID quer se posicionar como um facilitador de parcerias.

Nesta transição, a agência decidiu manter o legado dos programas de conversação e sustentabilidade da biodiversidade amazônica, assinando um acordo bilateral com o Brasil, focado no apoio aos sistemas de áreas protegidas e unidades de conservação. Michael ressalta: “O bioma Amazônia tem uma importância para todo o planeta”.

 

Nova visão de desenvolvimento sustentável e o surgimento da PPA.

Michael destaca que a região ainda possui desafios semelhantes aos de 40 anos atrás. Apesar do apoio da agência a ONGs e comunidades locais, os problemas de infraestrutura e sustentabilidade das comunidades persistem. Por isso, nesta nova fase, a USAID resolveu ampliar seu investimento, incluindo o setor privado na Plataforma Parceiros pela Amazônia (PPA).

“Um dos principais diferenciais da nossa atuação é que engajamos o setor privado, empresas tanto do Estados Unidos como do Brasil. Na nossa perspectiva, o setor privado está evoluindo no mundo inteiro e reconhecendo que tem um papel essencial em investir em sustentabilidade social e ambiental nas comunidades em que atuam”, ressalta Eddy.  Conclui dizendo que o sucesso das empresas não está ligado unicamente pelo valor financeiro. “As empresas estão entendendo que precisam ter relacionamentos harmônicos com as comunidades em que atuam”.

Assim como as dimensões amazônicas são gigantescas, também são seus desafios. Por isso, o diretor da agência destaca a importância das empresas atuarem em rede e com um objetivo comum.

Esses são dois elementos foram fundamentais para criação da PPA: a atuação colaborativa ao invés do investimento individual de cada empresa e a participação da iniciativa privada. Este modelo inovador já funciona em outros contextos, aqui no Brasil. Michael explica: “o Grupo +Unidos, outra iniciativa da USAID, atua há 10 anos no Brasil e conta com aproximadamente 100 empresas que investem na formação do jovem brasileiro para um mercado de trabalho mais tecnológico e global”. A experiência de uma década do Grupo +Unidos também é benéfico para a PPA: “Quando montamos a primeira rede, tivemos algumas dificuldades e muitos aprendizados. Por isso, esperamos ter resultados expressivos e mais rápidos com PPA, pois já sabemos a melhor forma de atuar em rede.”, complementa.

Michael afirma que as empresas que fazem parte da PPA têm como principal motivação o interesse em resolver os grandes desafios da região amazônica, mas destaca que as empresas podem ter benefícios individuais, por meio do networking e acesso a startups locais, por exemplo. Atualmente a PPA conta com a participação de multinacionais, como a Coca-Cola, grandes empresas nacionais, como a Natura, mas também com a participação de empresas regionais, como a Bemol, varejista com 21 lojas físicas.

 

Atuação da PPA

Um dos principais desafios na Amazônia está ligado à logística das reservas extrativistas, onde são extraídos produtos como açaí, castanhas e o pirarucu. Nestes locais, a própria comunidade extrai os produtos de forma controlada. “Trabalhamos com comunidades que trabalham esses produtos de forma sustentável, ajudando-os a desenvolver cadeias de valor para produtos amazônicos”, explica Eddy. Por exemplo, o transporte de barco pode chegar a 20 horas até um centro urbano e o transporte de peixe é feito sem refrigeração.

Para melhorar a cadeia de valor, a PPA tem atuado em diferentes frentes de trabalho. Em uma delas, a rede está buscando conectar as comunidades e associações de produtores com investidores sociais, uma vez que as comunidades têm pouco acesso ao mercado de crédito tradicional. Desta forma, esperam que as comunidades, com mais acesso a recursos e em conjunto com empresas, consigam melhorar a logística de seus produtos e possam ampliar o acesso a mercados. Outro exemplo de atuação da PPA é o mapeamento de startups que podem ajudar a resolver nos desafios logísticos da região.

Por fim, Michael destaca que a marca “Produzido de forma sustentável na Amazônia” ainda é pouco explorada pelas comunidades e pode ter um apelo para os consumidores globais preocupados com conservação ambiental. Se essa marca tiver um alcance global, pode ser uma das alavancas para alcançar o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

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