Idesam realiza 1º Encontro de Assistência Técnica do Tarumã-Mirim

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Por Samuel Simões Neto

Nos dias 11 e 12 de abril, o Idesam promoveu o 1º Encontro de Assistência Técnica do Tarumã Mirim. O evento foi realizado no Assentamento Tarumã-Mirim, localizado na zona rural de Manaus, como parte do Projeto de Assessoria Técnica, Social e Ambiental (ATES), desenvolvido em parceria com o Incra desde outubro de 2014 em 10 assentamentos do estado.

O encontro ocorreu na Escola Municipal Professora Maria Emília, em uma das principais vias de acesso do assentamento (Ramal da Cooperativa) e contou com a presença de aproximadamente 100 pessoas – entre crianças, jovens e adultos – que participaram de atividades de orientação técnica, oficinas, palestras e educação ambiental.

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Uma das atividades com maior número de participantes foi a oficina sobre Piscicultura, realizada no sábado (11), voltada para a criação de espécies como tambaqui e matrinxã. Durante a manhã, os assentados tiveram orientações teóricas sobre a legislação e manejo da atividade; à tarde, a turma visitou uma propriedade local para aprender boas práticas de adubação de tanques, manejo e biometria (estudo das características físicas) dos peixes.

Para o agricultor Gilberto Benedito, conhecido no assentamento como ‘Baiano’, as orientações repassadas durante a atividade irão contribuir para a sua profissionalização na piscicultura. “Minha expectativa é  que eu passe realmente a ser um piscicultor profissional, estou aguardando a documentação, que já tá em andamento”, destacou.

Na oficina ‘Gestão e Comercialização da Produção’ as técnicas do Idesam mostraram aos agricultores presentes formas de melhorar a produção e incrementar a comercialização de seus produtos. A agricultora Andrea Soares participou da oficina buscando melhorar a receita obtida pela sua produção orgânica. “Enquanto eu vendo o alface por dois reais, dois pés de alface custam 9 reais nos supermercados de Manaus. E mais, nas minhas verduras não tem nada de química, tudo que eu coloco é orgânico”, destacou.

Para as crianças e jovens presentes no evento, foram realizadas oficinas sobre “Lixo e reaproveitamento de materiais” e “Liderança para Jovens Produtores”, respectivamente, com atividades educativas e lúdicas voltadas especificamente para esse público.

Na avaliação de Adriane Morais, facilitadora da oficina voltada aos jovens produtores, a atividade permitiu identificar um grande interesse dos mesmos em participar da organização da comunidade, mas pouca participação efetiva. “Todos mostraram muita vontade de participar de alguma forma. Percebendo isso, conseguimos dar alguns direcionamentos, como eles podem fazer isso, que caminho tomar. Os jovens só se sentem atraídos por questões das quais eles realmente estão fazendo parte.”, explicou.

Por meio de uma doação do Instituto Soka (Cepeam), o Idesam realizou ainda a distribuição de 130 mudas de andiroba e castanha aos participantes do evento.

Também estava prevista uma atividade de orientação dos assentados com técnicos da Conab e ADS, tratando sobre comercialização da produção, mas a equipe não conseguiu chegar ao assentamento em função das péssimas condições da estrada após a chuva ocorrida na manhã de domingo (12).

Cadastro Ambiental Rural

A regularização foi um dos principais temas nos dois dias de atividade. Os técnicos do Idesam divulgaram informações sobre a legislação ambiental atual, o novo código florestal e o cadastro ambiental rural (CAR), cujo prazo nacional encerra no início do próximo mês de maio. Durante o período da tarde, a equipe trabalhou na realização do cadastro junto aos produtores, resultando em 9 cadastros realizados.

Para o agricultor Fábio Ferreira, apesar do curto tempo, a atividade proporcionou novos conhecimentos sobre o assunto. “Com as informações que foram repassadas, podemos evitar de pegar multas no futuro”, afirma.

Apesar do resultado positivo, o engenheiro florestal Natson Siliprandi, responsável pela oficina, destaca a necessidade de realização de mais atividades informativas por parte dos órgãos competentes. “Existe uma grande deficiência no entendimento dos proprietários sobre suas responsabilidades ambientais perante a lei. Muitos não sabem o que é o CAR, confundem com uma licença, um programa, e não tem noção dos detalhes do cadastro”, explica.

Segundo Siliprandi, a atividade de informação não pode se resumir a falar sobre a obrigatoriedade do cadastro, mas deve ser uma discussão mais detalhada. “É o que estamos fazendo aqui: discutindo cada detalhe da legislação pra que eles entendam que, além de uma ferramenta de fiscalização, o CAR é uma forma de ajudar a planejar o lote. Quando eles percebem os benefícios envolvidos, eles aderem ao CAR sem nenhuma resistência”, afirma, reforçando que também se trata de um direito do produtor conhecer a legislação.

Para o presidente do Conselho das Associações do Assentamento Tarumã-Mirim (‘Conselhão’), Cleonaldo Costa, além da falta de informação, a implementação do CAR no assentamento encontra outra grande barreira: a falta de regularização fundiária. “O assentamento Tarumã Mirim tem 22  anos e ainda existem pendências de título de terras qu enão deveriam mais existir. No mutirão passado [realizado em fevereiro de 2015] somente 30%,  pouco mais de 300 famílias, conseguiram finalizar o cadastro, porque a maioria não estava regular. Essa falta de regularização atrasa tudo”, lamenta.

P.A. Tarumã-Mirim

O projeto de assentamento (PA) Tarumã-Mirim abrange uma área de 42.910,76 hectares e fica localizado na zona rural da cidade de Manaus (região oeste), tendo como limites, ao norte e ao sul, terras da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), ao leste e oeste, os igarapés Tarumã Mirim e Tarumã Açú, respectivamente.

Atualmente, o projeto abriga 1.078 famílias, que tem na piscicultura e na produção agrícola suas principais formas de geração de renda. Como forma de organização comunitária, existem cerca de 17 associações no P.A., representadas atualmente pelo Conselho das Associações do Tarumã Mirim, também conhecido como “Conselhão”.

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