Ícone Idesam

Redução e compensação de carbono são chaves para um perfil ESG

Carlos Koury apresenta Programa Carbono Neutro na Assembleia CO2 Neutro, em junho de 2018

Iniciativa do Idesam auxilia empresas que buscam a implementação de boas práticas ambientais, sociais e de governança

 

Por Comunicação Idesam

 

Diante da profunda crise climática que o mundo atravessa, boas práticas ambientais, sociais e de governança — os chamados critérios ESG — são elementos essenciais para empresas que buscam um perfil mais atento aos próprios impactos e com uma maior presença de mercado. Entretanto, com o recente crescimento dessa tendência e, mais especificamente, do elemento meio ambiente, muitas empresas não sabem por onde começar sua jornada rumo à mitigação e redução do impacto.

É onde entram iniciativas como o Programa Carbono Neutro Idesam. Criado em 2010 para compensar inicialmente as emissões do próprio instituto, o PCN evoluiu para um serviço, que permite a pessoas, empresas e iniciativas se responsabilizarem pelos impactos que geram no planeta, por meio da neutralização de emissões de gases de efeito estufa (GEE).

“Trabalhamos com o plantio de árvores nativas no Estado do Amazonas, reflorestando áreas degradadas com sistemas agroflorestais, modelo em que, além de ter o plantio de novas árvores, também beneficia as famílias locais, pois as espécies utilizadas podem ser aproveitadas por quem toma conta destas florestas”, explica Victoria Bastos, coordenadora do Programa de Mudanças Climáticas do Idesam.

De um modo geral, a sociedade tem enxergado de forma mais clara as consequências da crise climática global, seja por mais informação disponível sobre o assunto ou pelos fenômenos climáticos descompassados recentes. Segundo Victoria, como consequência, há reflexo deste tipo de preocupação nos setores da economia, que não só buscam atender às exigências do público consumidor, como também enxergam, com mais clareza, os riscos que uma economia baseada em atividades altamente poluidoras gera.

“Uma recente pesquisa realizada pela Universidade de Oxford analisou que 21% das 2 mil maiores empresas públicas do mundo, responsáveis por vendas de quase US$ 14 trilhões, estabeleceram compromissos de reduzir ou compensar suas emissões, acompanhando o movimento de iniciativas Net-Zero, processo pelo qual empresas ou governos (nacionais, estaduais ou regionais) estabelecem metas para descarbonizar suas operações reduzindo e compensando emissões de gases de efeito estufa para atingir a neutralidade, em determinado período ou data-limite”, exemplifica Victoria.

Em suma, uma melhor gestão do carbono dentro das empresas traz economia a longo prazo e maior resiliência para as empresas. “As que não buscam reduzir suas emissões e insistem em manter operações muito dependentes em fontes de energia não renováveis são, provavelmente, as que não serão capazes de se adaptar à nova economia — uma economia que percebe os grandes impactos ambientais quando são usadas fontes altamente poluidoras, e que enxerga o risco de se sustentar em fontes de energia não renováveis, ou seja, com prazo de validade”, complementa a coordenadora do Idesam.

 

Gratidão à natureza

Fundadora da Bergamia Biocosméticos, organização que aderiu ao PCN do Idesam, Anna Paula Oliveira revela que o benefício mais evidente é a longo prazo, ajudando e compensando a natureza pelas emissões. “Já sobre o consumidor, acreditamos que ele passa a nos ver com outros olhos. Quando ele vê que uma marca é consciente com o meio ambiente e faz algo a respeito para melhorar e compensar, nos dá mais credibilidade”, avalia a empresária.

 

Passo a passo
Questionada sobre os principais passos  para implementar a gestão de carbono em uma empresa ou organização, Victoria estabeleceu a lista a seguir:

  • Diagnosticar as fontes de emissão da organização, isto é, as atividades da empresa que emitem gases de efeito estufa;
  • Definir os limites operacionais e organizacionais, e o período em que serão analisadas as fontes de emissão diagnosticadas;
  • Inventariar estas fontes de emissão em uma ferramenta (o Inventário de Emissões) que permita a coleta de informações que servirão como base para gerar o volume de emissões da empresa de acordo com os limites e período definidos;
  • Coletar os dados e informações de consumo referentes às fontes de emissões inventariadas;
  • Calcular o volume de carbono equivalente emitido pelas fontes de emissões;
  • Analisar o resultado do inventário para traçar estratégias claras e definir as medidas que serão tomadas para a mitigação do impacto por geração de emissões;
  • Reduzir as emissões nas fontes de emissão em que podem ser empregadas tecnologias de baixo carbono ou de menor potencial para emissão, como, por exemplo, utilização de energia renovável ou substituição de combustível no frete por frota que possua combustível de menor impacto em termos de liberação de gases de efeito estufa;
  • Compensar as emissões que não podem ser reduzidas sem prejudicar as operações da organização.

 

“Quando se reduziu o que pode ser reduzido, aí olha-se para a compensação: emissões que não posso reduzir, irei compensar, ou seja, neutralizar. E então existem vários mecanismos para fazer essa compensação, que vão desde o investimento em projetos que realizam o plantio de árvores com reflorestamento até o investimento em compra de títulos no mercado de carbono, por exemplo”

– Victoria Bastos, coordenadora do Programa de Mudanças Climáticas do Idesam.[:en]

[vc_row][vc_column][vc_column_text]Evento acontece nos dias 14 e 15 de setembro, de forma online; André Vianna, gerente no Idesam, compartilha mais detalhes na entrevista a seguir

 

Por Comunicação Idesam

 

Encerrando a primeira etapa do Projeto Cidades Florestais (PCF), o Idesam realiza, de forma online, nos dias 14 e 15 de setembro, a segunda edição do Seminário de Produção Florestal Familiar e Comunitária do Amazonas, o Manejar. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas no site do evento – www.manejar.org.br.

Gerente do Programa de Manejo e Tecnologias Florestais do instituto, André Vianna exalta a trajetória do projeto ao longo dos três últimos anos. “O PCF nasceu em 2018, financiado pelo Fundo Amazônia / BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e desenvolveu junto a 16 organizações sociais – associações e cooperativas do interior do Amazonas –, com apoio do Idesam, o fomento a atividades produtivas florestais. Nós entendemos que o manejo florestal madeireiro e o fomento a produtos florestais não madeireiros, como óleos vegetais, são ferramentas importantes para gerar a conservação da floresta, pois isto gera renda para as populações que vivem nessas localidades”, afirma Vianna, que comenta sobre este e outros tópicos relacionados na entrevista a seguir.

 

Qual a importância de uma iniciativa como o Cidades Florestais para as populações que vivem na floresta?

O projeto busca melhorar a qualidade de vida das populações do interior do estado e, assim,  possam permanecer nos seus locais de origem conservando a floresta. Ao todo, dez municípios receberam atividades do projeto para apoiar o desenvolvimento da economia local com base nas atividades das associações dessas localidades.

 

E como o 2º Manejar encerrará essa etapa?

Essa edição, que será online e todas as pessoas interessadas poderão acompanhar pelo canal do Idesam no YouTube, vai marcar o final dessa etapa do Cidades Florestais e apresentar todos os resultados que foram atingidos, quais foram os desafios enfrentados, as soluções encontradas pela equipe junto a essas organizações e quais foram as inovações que utilizamos para vencer os desafios que existem em nossa região.

 

Em sua visão, a Amazônia precisa de uma alternativa econômica vinda da floresta?

Com certeza. A Floresta Amazônica é fundamental para a manutenção do regime de chuvas do país, então é importante para o setor agrícola do Brasil, para  as populações do Sul e Sudeste, e para o país para garantir o fornecimento de água. Também, consiste em um grande reservatório de carbono, que se removido e queimado agravará os efeitos das mudanças climáticas. Outro ponto a considerar é a importância de as pessoas que vivem na floresta terem boas condições de vida. É essencial a gente buscar novas ferramentas pautadas em questões de sustentabilidade, mas que desenvolvam a economia do interior.

 

E isso é importante até para trazer alternativas para o Amazonas.

Exatamente. Existe essa discussão sobre o desenvolvimento do Amazonas além da Zona Franca. O Amazonas, há muito tempo, depende da Zona Franca de Manaus, então é importante que a gente busque outras matrizes econômicas, preferencialmente de base sustentável, e que desenvolva o Estado como um todo, para não ficar dependendo exclusivamente desse modelo. E estamos em uma posição muito favorável, de destaque, pois o mercado – principalmente internacional – tem valorizado muito a marca Amazônia e produtos sustentáveis. Essas cadeias produtivas sustentáveis têm um apelo e uma possibilidade de venda e geração de recursos muito grande. Precisamos aproveitar essa oportunidade que o Amazonas tem para se desenvolver usando essas cadeias produtivas sustentáveis.

 

Quais temas serão abordados no 2º Manejar?

O seminário vai falar sobre os resultados dos planos de manejo desenvolvidos e trabalhados durante esses três anos com comunidades em Unidades de Conservação (UCs); os resultados da construção de duas usinas de óleos e o apoio a outras três, de cinco municípios do Amazonas, além do crescimento desse segmento em mercados importantes. Também vamos discutir algumas possibilidades de como Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) pode ser uma forma de a gente apoiar essas cadeias produtivas. Vamos discutir, ainda, possíveis encaminhamentos para políticas públicas – o que pode ser melhorado, quais são as demandas de comunidades do interior etc.

 

Aproveitando o gancho, qual a maior dificuldade ao se falar de atividades madeireiras, já que é um tema sensível nesse cenário atual?

Eu, como engenheiro florestal, tenho encontrado dificuldades para comunicar este tema para o grande público. É importante que as pessoas compreendam que a atividade madeireira, quando realizada de forma licenciada, sustentável e responsável, é uma ferramenta de conservação da floresta. Então, não é necessariamente deixando de comprar madeira que estará apoiando a conservação; se você estiver comprando madeira de planos de manejo licenciados, principalmente de comunidades, de Unidades de Conservação (UCs), aí sim estará auxiliando na conservação da floresta.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

© IDESAM. 2026. Todos os direitos reservados.
Desenvolvimento: Comunicação IDESAM e Click Multiplataforma