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Sistema Silvipastoril: lucratividade para o produtor, benefícios para a sociedade

Sistema Silvipastoril: lucratividade para o produtor, benefícios para a sociedade

Por Priscila Rabassa,

Nos últimos anos vem crescendo no Brasil a pressão para a implementação de práticas que promovam o bom uso da terra através da adoção de um modelo que alie o desenvolvimento econômico, social e ecológico a uma prática mais sustentável da pecuária.

Em Apuí, onde a atividade ocupa cerca de 90% das áreas produtivas do município, a tendência sempre foi trabalhar a pecuária de forma extensiva, onde as queimadas e aberturas de novas áreas se faziam presentes nas rotinas de trabalho do homem do campo.

Visando mudar essa realidade, em 2014, o Idesam, com apoio do Fundo Vale, iniciou em Apuí a implantação de áreas com o Sistema Silvipastoril Intensivo (SSPI), que é uma das modalidades dos sistemas agroflorestais onde animais, árvores e pastagens são inseridos juntos em uma mesma área.

Na prática, o Sistema funciona a partir do plantio de mudas de Leucena, uma forrageira arbustiva conhecida cientificamente como Leucaena leucocephala, que proporciona custo menor e lucratividade maior para o produtor. Esse método foi desenvolvido há mais de 20 anos pelo Centro para La Investigación em Sistemas Sostenibles de Producción Agropecuária (CIPAV), da Colômbia, parceiro do Idesam no projeto.

Essa metodologia apresenta um grande potencial de geração de benefícios econômicos e ambientais para o produtor e para a sociedade, pois são sistemas multifuncionais onde existe a possibilidade de intensificar a produção pelo manejo integrado dos recursos naturais, evitando sua degradação e recuperando sua capacidade produtiva.

Nas propriedades assistidas já é possível perceber os benefícios gerados pelo sistema. Na fazenda Vale do Paraíso, do produtor rural Adelário Ronnau, a área já apresenta uma grande produção de capim e uma excelente lotação animal de 4 vacas por hectare, chegando a picos de 5,9 animal/ha, que é a média nacional. Com a pecuária extensiva, a média da região era apenas de 0,75 animal/ha. Já a produção de leite, que tinha a média de 65 litros/dia, agora é de 150 litros/dia, ou seja, quase triplicou em pouco mais de dois anos.

De acordo com Melquesedek Alcântara, técnico em agropecuária do Idesam, o incentivo ao uso desses sistemas são importantes para dar destaque à agropecuária da região no cenário nacional, além de agregar renda e qualidade às propriedades rurais, contribuir para o bem-estar animal e para a qualidade de vida do planeta.

“A produção atende melhor aos princípios da certificação de origem sustentável, pois consideram aspectos ambientais, sociais e econômicos. Podemos citar a melhoria na produtividade dos animais e das pastagens, aumento da renda do produtor, diversificação dos produtos oferecidos ao consumidor, mais conforto para o animal, restauração ecológica das pastagens, entre outros benefícios”, declara.

Com o sucesso das Unidades Demonstrativas em Apuí, o sistema foi ampliado, no início deste ano, para os municípios de Manicoré e Novo Aripuanã, com apoio do INCRA, através do projeto de ATES.

“Tem produtor tão satisfeito com os resultados que já está ampliando o sistema para todas as suas pastagens”, afirma a técnica extensionista do Idesam/INCRA, Ana Paula Rezende.

As áreas foram direcionadas a produtores familiares de gado leiteiro visando aumentar a produtividade das fazendas, reduzir o desmatamento e agregar qualidade de vida aos animais.

O próximo passo é realizar novos dias de campo com o objetivo de capacitar os produtores a cuidarem bem dos animais, para que ele possa expressar sua genética, e para que o produtor tenha rendimento melhor em sua propriedade. Alimentação, nutrição e suplementação animal serão os temas abordados nos cursos que serão realizados até o final do ano.

O agricultor interessado em participar dos cursos ou em implantar o sistema silvipastoril pode buscar apoio com o Idesam, que trabalha com uma equipe especializada.

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