Produção de óleo de copaíba ganha reforço no sul do Amazonas

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Produção de óleo de copaíba ganha reforço no sul do Amazonas

[:pt]Por Samuel Simões Neto e Lucas Moreno

 

Dentre os milhares de extratos que a Amazônia nos oferece dia a dia, o óleo de copaíba é, sem dúvida, um dos grandes destaques. Além das propriedades anti-inflamatórias e bactericidas, a essência é conhecida por tratar doenças respiratórias, problemas de pele e estresse; existem evidências de que pode também prevenir alguns tipos de câncer.

Com todo esse potencial de mercado, ainda existem comunidades que não conseguem garantir uma fonte de renda com a comercialização do produto. Isso ocorre por falta de uma assistência técnica continuada, não apenas nas fases de produção e beneficiamento, mas também nas etapas de distribuição, divulgação e comercialização dos produtos.

O PAE (projeto de assentamento agroextrativista) Aripuanã Guariba, localizado nos municípios de Apuí e Novo Aripuanã, é um exemplo dessa realidade. As famílias que trabalham na extração do óleo ainda dependem da figura do atravessador para escoar sua produção e têm uma margem de lucro reduzida frente ao esforço necessário.

“Desde pequeno, eu e meus irmãos acompanhamos nosso pai na extração do óleo de copaíba. Às vezes, isso significa ficar mais de um mês na floresta em busca do produto”, explica Jessé de Souza da Silva, jovem de 18 anos morador da comunidade de Vila Batista.

A fim de estimular e promover melhorias na cadeia do óleo de copaíba para as famílias do assentamento, o Idesam elaborou uma proposta de ação, submetida ao edital ‘Floresta em Pé’, da FAS (Fundação Amazonas Sustentável). A proposta foi uma das 17 selecionadas e receberá um apoio de R$ 150 mil para o seu desenvolvimento.

O apoio financeiro – viabilizado com recursos do Fundo Amazônia – foi oficializado no último dia 20 de fevereiro, em evento realizado na Fundação Amazonas Sustentável, em Manaus. Estiveram presentes representantes do BNDES, da FAS e dos projetos apoiados, entre eles, Marina Yasbek, pesquisadora do Idesam, e o jovem extrativista Jessé de Souza.

“Além do apoio à comercialização, nossa proposta é incentivar a organização social entre os pequenos produtores envolvidos, estimulando neles o cooperativismo e potencializando os resultados da produção”, comenta a pesquisadora.

 

Resultados esperados

Conforme Ramom Morato, coordenador do Programa Produção Rural Sustentável do Idesam, o óleo de copaíba tem grande potencial de mercado e, apesar da crise econômica existente no Brasil, tem demonstrado resultados positivos e de crescimento.

“Com o apoio, iremos alcançar maior desenvolvimento da cadeia de copaíba, melhorando a qualidade de vida dos extratores do assentamento e evitando a atuação de grileiros na região”, explica.

Outro ponto positivo para a viabilidade do projeto é a experiência que os moradores já possuem na extração do óleo. O PAE Aripuanã Guariba é habitado por famílias que chegaram ao local nos anos 60 para a extração de borracha. Ainda hoje essas famílias obtém renda por meio de produtos florestais, principalmente óleo de copaíba e castanha.

De acordo com diagnóstico realizado pelo Idesam em 2014, as comunidades do PAE já produzem cerca de 2.000 litros de óleo por ano.

“Criar uma maneira para comercializar o óleo de copaíba que nós mesmos tiramos vai resultar em um retorno muito melhor para as nossas famílias”, comenta Jessé.[:en]Samuel Simões Neto and Lucas Moreno
Translated by Felipe Sá

 

Among thousands of extracts the Amazon offers us on a daily basis, the Copaíba oil is, undoubtedly, a highlight. Besides its anti-inflammatory and bactericidal properties, its essence is known for treating respiratory diseases, skin and stress problems; there is evidence that it can also prevent some types of cancer.

With all that market potential, there are still some communities that don’t manage to make a living out of selling the product. This happens due to a lack of continued technical assistance, not only in the production and processing stages, but also in the distribution, dissemination and marketing stages of the production chain.

The Agricultural-Extractive Settlement Project Aripuanã Guariba, located in the municipalities of Apuí and Novo Aripuanã, is an example of this reality. Families that work with the oil extraction still depend on a middleman to access consumer markets and face a reduced profit margin considering the necessary effort.

“Ever since I was little, my brothers and I followed our father in the extraction of the Copaíba oil. Sometimes, this means spending over a month in the forest searching for the product”, explains Jessé de Souza da Silva, 18-year-old resident of the Vila Batista community.

In order to stimulate and promote improvements in the Copaíba oil value chain for the settlement families, Idesam designed an action proposal, submitted to the Standing Forest Call for Proposals launched by FAS, the Amazonas Sustainable Foundation. The proposal was one of the 17 selected and will receive a support of R$ 150.000,00 for its development.

The financial support – made possible with resources from the Amazon Fund – was formalized  in February 20th, at an event held at FAS, in Manaus. Representatives of BNDES, FAS and supported projects were present, among them Marina Yasbek, Idesam’s researcher, and the young extractivist Jessé de Souza.

“Besides our support to the commercialization, our proposal is to encourage social organization between the engaged small producers, stimulating cooperativism, and boosting the results of production”, comments the researcher.

Expected results

According to Ramom Morato – coordinator of Idesam’s Sustainable Rural Production Program – the Copaíba oil has great market potential and, despite Brazil’s economic crisis, it has shown positive and growing results.

“With the support, we will boost the development of the Copaíba production chain, improving the quality of life of the settlement extractors, and avoiding the action of deed-falsifiers (‘grileiros’) in the region”, explains.

Another advantage for the viability of the project is the experience that the residents already have in the oil extraction. Agricultural-Extractive Settlement Project Aripuanã Guariba is inhabited by families who arrived in the 60’s for rubber extraction. Today, these families still obtain income through forest products, mainly Copaíba and chestnut oil.

A diagnosis made by Idesam in 2014 found that PAE communities already produce 2.000 liters of oil per year.

“Creating a way to commercialize the Copaíba oil that we ourselves extract will result in a much better return to our families”, Jessé comments.[:]