Seminário Manejar encaminha demandas do setor primário ao novo Governo do AM

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Primeira edição do ‘Manejar’ encerrou sua programação de 3 dias com uma síntese de todas as demandas discutidas por representantes do setor

 

Texto: Henrique Saunier (Com colaboração de Laura Rydlewski)
Editado em 13/12/2018

 

Produtores comunitários de Lábrea, Silves, Carauari, Boa Vista do Ramos, Apuí, Maués e da região da RDS do Uatumã (São Sebastião do Uatumã e Itapiranga) participaram ativamente dos três dias de programação Seminário Manejar, que encerrou sua primeira edição nesta quarta-feira (28) com uma apresentação das principais demandas e desafios abordados nas mesas de discussões. Além de todo o conhecimento gerado, um documento com reivindicações acerca do manejo florestal no Amazonas foi entregue a um representante da equipe de transição do Governo do Estado.

Demandas como o combate à madeira ilegal, agregação de valor na cadeia produtiva, alta burocracia e dificuldade de acessar mercados foram alguns dos principais pontos discutidos nos painéis e oficinas ministradas nos três dias de seminário.

Com isso, o Seminário Manejar atinge seu objetivo principal, que é o de aproximar manejadores de diferentes localidades com instituições certificadoras, órgãos ambientais e empresas que atuam no setor. A ideia é que agora os grupos retornem ao interior para aplicar na prática o conhecimento obtido nos minicursos em suas atividades junto às associações, cooperativas e povos tradicionais do Amazonas.

O diretor-técnico do Idesam, Carlos Koury, mediou a plenária de encerramento do Seminário, com representantes de parceiros e de órgãos públicos, trazendo um apanhado das necessidades apontadas. “As principais demandas foram para priorizar produção local em editais de compras públicas, a obrigação da compra de madeira manejada florestal local para obras públicas, investimento em assistência técnica e adequação dos processos de comercialização de acordo com a realidade dos manejadores familiares e comunitários. Questões sobre a desburocratização e apoio à descentralização de licenciamento e controle florestal também foram citados pelos produtores”, exemplifica Koury.

Representante da subcomissão do setor primário da equipe de transição do novo Governo do Amazonas, Thomaz Antônio Perez, se comprometeu em levar as demandas ao governador eleito Wilson Lima. “[Na nossa apresentação ao governador] nós vamos colocar como primeiro ponto que temos metade da população vivendo na pobreza, segundo o IBGE. Só em Manaus, temos 600 mil pessoas vivendo com menos de R$ 89 por mês. Isso que vocês reuniram no documento é extremamente importante e vamos fazer um trabalho para que esses assuntos se tornem prioridade”, destacou Perez.

>> Veja aqui o documento com as propostas apresentadas

Mas além de levar de volta apenas as dificuldades e desafios do setor, os comunitários também puderam se inspirar com os casos de sucesso, como o da Cooperativa Mista da Flona do Tapajós, do Pará, que atua no manejo florestal comunitário madeireiro, beneficiando mais de mil famílias. Segundo o representante da cooperativa, Ângelo Ricardo, a movelaria surgiu de uma filial da cooperativa, e hoje consegue agregar valor escoando seus produtos para o Sul e Sudeste do País. O minicurso de boas práticas na produção de óleos vegetais, ministrado no Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA) foi outro ponto alto do último dia do Manejar.

 

Vantagens da Certificação Florestal

Outra plenária disputada pelos produtores, sobre os passos para a certificação FSC, abordou a viabilidade da certificação florestal para produção em pequena escala. De acordo com a coordenadora técnica da FSC Brasil, Daniela Vilela, muitos produtores possuem dúvidas em relação às vantagens do processo. Segundo Vilela, a vantagem está diretamente ligada ao mercado consumidor.

“Em muitos casos, a certificação é uma exigência do cliente, mas mais do que isso. A gente vê como um ganho para a organização no sentido de crescimento interno. Na organização das documentações, na organização das informações, do seu manejo. Quem é certificado, por ter que cumprir todas essas regras, precisa se organizar. Isso traz uma segurança para o empreendimento de saber que ele está em dia com tudo, que cumpriu com todas as leis aplicáveis e traz um empoderamento e consciência maior, além do menor risco de sofrer punições”, ressaltou a representante da FSC Brasil. ­­­­

Atualmente, conforme dados da FSC Brasil, o País possui 200 milhões de hectares de área certificada, atrás dos Estados Unidos, Rússia e Polônia. “Infelizmente, mesmo com tanta floresta, ainda não conseguimos certificar. Houve um crescimento, mas foi principalmente devido a plantações florestais. Infelizmente, florestas nativas estão em um processo de queda e Sul e Sudeste detém a maior concentração de áreas certificadas”, ressaltou Vilela.

No último dia do Seminário Manejar, os participantes também tiveram a oportunidade de passar por um treinamento sobre manutenção e uso de máquinas florestais, conhecer novas tecnologias e se atualizar sobre mudanças na legislação do manejo florestal e da compensação do uso de insumos provenientes de conhecimentos tradicionais.

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