Atividade realizada em junho, na Comunidade Menino Deus do Limão Grande, rendeu um catálogo com as peças produzidas
Por Comunicação Idesam
Durante quatro dias de junho, moradores da Comunidade Menino Deus do Limão Grande, no município de Maués, participaram de uma troca de experiências que mudaria as concepções sobre uma das principais atividades desenvolvidas ali. Era a ‘Oficina de Produto e Mentoria em Acabamento’, ministrada pela consultora e designer Luly Viana, evento que, além de estudar o artesanato brasileiro e desenvolver produtos para o mercado artesanal, também focou no fortalecimento e no desenvolvimento de técnicas.
A oficina, viabilizada pela Aliança Guaraná de Maués (AGM), envolveu comunitários e artesãos da Associação de Artesanato ‘Unidos Para Vencer’ (AAUV), que absorveram conceitos de design contemporâneo e sustentabilidade na transformação dos produtos (com foco na adequação no mercado), empreendedorismo e definição de preços. A ideia também foi potencializar as capacidades dos artesãos e artesãs, contribuindo para sua emancipação socioeconômica.
“Foram quatro dias de oficina e eu posso dizer que foi maravilhoso. Foi um privilégio muito grande para nós da associação e da comunidade recebermos uma designer vinda de São Paulo. Ela nos ensinou coisas que não sabíamos e nos deu ideias de como fazer uma peça bem trabalhada para chamar a atenção dos clientes”, revelou a artesã Patrícia dos Santos.
Conselheira da AAUV, Patrícia dos Santos revela que aprendeu a produzir cestas e peças de argila com a mãe e por meio de valiosas aulas de Célia Itou, antiga artesã da comunidade. Para ela, as oficinas ministradas na comunidade foram de suma importância para a valorização do artesanato no local e para a melhoria das técnicas aplicadas.

Para Luly Viana, a atividade representou um resgate histórico, uma exaltação à cultura regional. “É uma coisa que a gente tem que fortalecer cada vez mais e incentivar. E a forma de incentivarmos é capacitando e inserindo essas pessoas no mercado artesanal”, ressalta a profissional, que visitou a comunidade pela segunda vez.
Atualmente, o artesanato na Comunidade Menino Deus do Limão Grande tem sido fonte de renda para mais de 20 famílias da associação. São pessoas que desenvolvem trabalhos com diferentes matérias-primas – em especial o barro e diversos tipos de cipós –, para a confecção de utensílios domésticos, cestarias e produtos de decoração em geral.
Metas
A ‘Oficina de Produto e Mentoria em Acabamento’ resultou ainda em um catálogo das peças produzidas, intitulado ‘Catálogo Limão 2021’, disponível na biblioteca virtual do Idesam.
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A atividade também serviu para preparar os comunitários para a emissão e renovação da Carteira Nacional do Artesão.[:en]
[vc_row][vc_column][vc_column_text]Evento acontece nos dias 14 e 15 de setembro, de forma online; André Vianna, gerente no Idesam, compartilha mais detalhes na entrevista a seguir
Por Comunicação Idesam
Encerrando a primeira etapa do Projeto Cidades Florestais (PCF), o Idesam realiza, de forma online, nos dias 14 e 15 de setembro, a segunda edição do Seminário de Produção Florestal Familiar e Comunitária do Amazonas, o Manejar. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas no site do evento – www.manejar.org.br.
Gerente do Programa de Manejo e Tecnologias Florestais do instituto, André Vianna exalta a trajetória do projeto ao longo dos três últimos anos. “O PCF nasceu em 2018, financiado pelo Fundo Amazônia / BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e desenvolveu junto a 16 organizações sociais – associações e cooperativas do interior do Amazonas –, com apoio do Idesam, o fomento a atividades produtivas florestais. Nós entendemos que o manejo florestal madeireiro e o fomento a produtos florestais não madeireiros, como óleos vegetais, são ferramentas importantes para gerar a conservação da floresta, pois isto gera renda para as populações que vivem nessas localidades”, afirma Vianna, que comenta sobre este e outros tópicos relacionados na entrevista a seguir.
Qual a importância de uma iniciativa como o Cidades Florestais para as populações que vivem na floresta?
O projeto busca melhorar a qualidade de vida das populações do interior do estado e, assim, possam permanecer nos seus locais de origem conservando a floresta. Ao todo, dez municípios receberam atividades do projeto para apoiar o desenvolvimento da economia local com base nas atividades das associações dessas localidades.
E como o 2º Manejar encerrará essa etapa?
Essa edição, que será online e todas as pessoas interessadas poderão acompanhar pelo canal do Idesam no YouTube, vai marcar o final dessa etapa do Cidades Florestais e apresentar todos os resultados que foram atingidos, quais foram os desafios enfrentados, as soluções encontradas pela equipe junto a essas organizações e quais foram as inovações que utilizamos para vencer os desafios que existem em nossa região.
Em sua visão, a Amazônia precisa de uma alternativa econômica vinda da floresta?
Com certeza. A Floresta Amazônica é fundamental para a manutenção do regime de chuvas do país, então é importante para o setor agrícola do Brasil, para as populações do Sul e Sudeste, e para o país para garantir o fornecimento de água. Também, consiste em um grande reservatório de carbono, que se removido e queimado agravará os efeitos das mudanças climáticas. Outro ponto a considerar é a importância de as pessoas que vivem na floresta terem boas condições de vida. É essencial a gente buscar novas ferramentas pautadas em questões de sustentabilidade, mas que desenvolvam a economia do interior.
E isso é importante até para trazer alternativas para o Amazonas.
Exatamente. Existe essa discussão sobre o desenvolvimento do Amazonas além da Zona Franca. O Amazonas, há muito tempo, depende da Zona Franca de Manaus, então é importante que a gente busque outras matrizes econômicas, preferencialmente de base sustentável, e que desenvolva o Estado como um todo, para não ficar dependendo exclusivamente desse modelo. E estamos em uma posição muito favorável, de destaque, pois o mercado – principalmente internacional – tem valorizado muito a marca Amazônia e produtos sustentáveis. Essas cadeias produtivas sustentáveis têm um apelo e uma possibilidade de venda e geração de recursos muito grande. Precisamos aproveitar essa oportunidade que o Amazonas tem para se desenvolver usando essas cadeias produtivas sustentáveis.
Quais temas serão abordados no 2º Manejar?
O seminário vai falar sobre os resultados dos planos de manejo desenvolvidos e trabalhados durante esses três anos com comunidades em Unidades de Conservação (UCs); os resultados da construção de duas usinas de óleos e o apoio a outras três, de cinco municípios do Amazonas, além do crescimento desse segmento em mercados importantes. Também vamos discutir algumas possibilidades de como Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) pode ser uma forma de a gente apoiar essas cadeias produtivas. Vamos discutir, ainda, possíveis encaminhamentos para políticas públicas – o que pode ser melhorado, quais são as demandas de comunidades do interior etc.
Aproveitando o gancho, qual a maior dificuldade ao se falar de atividades madeireiras, já que é um tema sensível nesse cenário atual?
Eu, como engenheiro florestal, tenho encontrado dificuldades para comunicar este tema para o grande público. É importante que as pessoas compreendam que a atividade madeireira, quando realizada de forma licenciada, sustentável e responsável, é uma ferramenta de conservação da floresta. Então, não é necessariamente deixando de comprar madeira que estará apoiando a conservação; se você estiver comprando madeira de planos de manejo licenciados, principalmente de comunidades, de Unidades de Conservação (UCs), aí sim estará auxiliando na conservação da floresta.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]






