Abordagem midiática de Mudanças Climáticas é destaque da Virada Sustentável

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Texto: Vanessa Brito
Edição: Samuel Simões Neto
Foto: Samuel Simões Neto

Um debate sobre a cobertura de mudanças climáticas na mídia amazonense levou especialistas, jornalistas, estudantes e população em geral para o auditório do Parque do Mindu, na manhã do último sábado (25), em Manaus. A conversa – promovida por Idesam e FAS – enfocou questões como a atuação de jornalistas, a crise dos veículos de comunicação e a busca pela melhor contextualização de eventos ambientais.

Um dos palestrantes, o jornalista da organização WWF Brasil, Jorge Eduardo Dantas, iniciou o bate-papo com a análise de que atualmente existe pouco critério para busca de informação. “Eventos como esse são sempre muito bons porque nos fazem pensar em como é feito esse jornalismo. Hoje, poucas pessoas procuram se informar através de jornais ou por meio de conteúdo mais aprofundado. Ao invés disso, muitas se informam por boatos na internet, o que acaba prejudicando o conhecimento delas sobre determinadas causas”, afirmou.

Para o professor e pesquisador da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Allan Rodrigues, o jornalismo passa por mudanças culminadas pela própria crise dos meios de comunicação. Segundo ele, resultados de pesquisas desenvolvidas no curso de Jornalismo da Universidade apontam que os eventos ambientais não são contextualizados na mídia. “Não há contextualização e também não há engajamento com a causa da sustentabilidade”, destacou. Allan já trabalhou como jornalista em instituições ambientais como o Ibama e o Ipaam.

De acordo com ele, os repórteres atualmente estão mais preocupados com o fazer do que pensar sobre o que estão fazendo. “O jornalismo que aborda a questão ambiental deve ser melhor desenvolvido na região”, disse. A fala foi reforçada pelo jornalista da Rede Amazônica e correspondente do site O Eco, Vandré Fonseca. Segundo ele, as mudanças climáticas estão presentes na pauta da mídia, mas sem uma análise crítica ou novos questionamentos.

“As mudanças climáticas estão tendo cobertura pela imprensa, mas a maneira como os assuntos são mostrados não levam as pessoas a questionar. O jornalista precisa fomentar essas discussões, buscando pesquisadores e especialistas para embasarem os conteúdos. A pauta deve ter como enfoque mostrar como essas mudanças climáticas influenciam a vida das pessoas, por exemplo”, alertou.

O superintendente da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Virgílio Viana, também contribuiu para o debate ao lembrar que é necessário que os jornalistas locais façam um trabalho de resgate histórico sobre determinados temas. “É necessário fazer um trabalho de memória, um trabalho de coleta de dados para contribuir para a formação de um jornalismo mais profundo”, alegou.

O evento contou ainda com participações do secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Itamar de Oliveira Mar, do idealizador do projeto Amazônia para Sempre, o ator e ambientalista Victor Fasano, e do presidente do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), Cláudio Maretti, que destacaram a importância do papel da imprensa na discussão de temas ambientais.

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