‘Cidades Florestais’ auxilia associação de Lábrea (AM) na comercialização de manteiga vegetal

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Associação já visualiza novos mercados para seus óleos vegetais

Texto: Henrique Saunier
Foto: Philippe Schmal/Arquivo Idesam

 

Com uma produção de óleos vegetais bem abaixo das atuais 20 toneladas de capacidade anual da sua usina, a ASPACS (Associação dos Produtores Agroextrativistas da Colônia do Sardinha) passou a vislumbrar outras oportunidades de crescimento para tentar mudar este cenário em Lábrea (AM), onde atua em conjunto com três comunidades indígenas e 40 comunidades ribeirinhas. Por meio de apoio técnico do projeto Cidades Florestais, coordenado pelo Idesam, a associação comercializou pouco mais de meia tonelada de manteigas vegetais de muru muru e tucumã para uma instituição que distribui insumos amazônicos internacionalmente, e ainda pretende exportar matéria-prima amazônica para novos mercados.

O Idesam foi responsável pelo contato com a instituição 100% Amazônia  — empresa de exportação e representação comercial de produtos florestais que possui projeto de sustentabilidade chamado Aryiamuru  — e apresentou ao cliente o funcionamento do projeto Cidades Florestais. A equipe de logística do Idesam também enviou à 100% Amazônia amostras dos lotes das manteigas para que fossem submetidas às análises químicas necessárias para comprovar a sua qualidade, além de acompanhar toda a logística de Lábrea até Belém (PA).

O apoio do Idesam no trabalho da ASPACS busca solucionar antigos entraves conhecidos pelos produtores de óleos vegetais oriundos do extrativismo no Estado do Amazonas: o comércio a preço justo e escoamento de produção para outras localidades. O auxílio na transação veio após o Idesam perceber que a associação estava há dois meses com dificuldade para comercializar os óleos produzidos. Desta forma, a atuação do Idesam também ajuda na interligação dos atores envolvidos na cadeia, com a construção de uma rede de Óleos da Amazônia.

“Uma vez que tivermos esta rede em funcionamento, poderemos pela primeira vez, unir as unidades produtivas de óleos vegetais oriundos do extrativismo através de uma mesma plataforma: a aplicação Cidades Florestais”, adianta Matheus Pedroso, coordenador técnico do Projeto Cidades Florestais.

Pedroso explica que o Projeto Cidades Florestais deve permitir uma melhor organização no setor, unindo produtores extrativistas, usinas de extração, prestadores de serviço e clientes em uma mesma plataforma. A ideia é tornar esses insumos mais acessíveis ao mercado e aplicar as melhorias necessárias no controle de qualidade, nos processos e na rastreabilidade dos produtos da floresta.

Atualmente, o foco principal da ASPACS e do Projeto do Idesam é o mercado de óleos vegetais, obtidos a partir da extração de sementes oleaginosas como andiroba, muru-muru, tucumã e castanha, mas a associação também atua com a agricultura familiar e seringueiros da região. A associação agora sai de uma baixa produção em 2017 para uma retomada dos negócios em 2018, em parte impulsionada pelos benefícios que serão trazidos pelo Cidades Florestais, conforme aponta a presidente da ASPACS, Sandra Maia.

Maia reforça que a ASPACS também trabalha para evitar a figura do atravessador na região, que, segundo a presidente, explora as comunidades indígenas ao comprar por um preço ínfimo e posteriormente revender a valores bem mais elevados. Para ela, quem sai perdendo nessas negociações sempre são as pessoas que não merecem, as mesmas que cuidam do meio ambiente e mantém a floresta em pé.

Para evitar o atravessador, a ASPACS afirma pagar um preço compatível com o mercado e justo aos produtores. O trabalho parece estar rendendo frutos positivos, já que a associação está em fase avançada de negociações para fechar um contrato com uma multinacional do ramo de embalagens.

“Essa empresa está interessada em comprar quantidades significativas de andiroba e já tivemos uma visita do engenheiro da companhia à fábrica. Geralmente trabalhamos com pedidos avulsos, mas ela quer fechar um contrato, o que é um grande incentivo para nós”, comemora a presidente da ASPACS.

Sobre o Cidades Florestais

Financiado com recursos do Fundo Amazônia/BNDES, o projeto Cidades Florestais visa a estruturação de duas novas linhas de produção de óleos vegetais, com mini-usinas de beneficiamento em Apuí e na RDS do Uatumã, além de apoiar melhorias em outras três já existentes.

O projeto busca minimizar a baixa adesão de tecnologias atuais e inserir novas ferramentas que auxiliem na produção florestal. Quanto à produção madeireira, o projeto apoia a implantação de planos de manejo para 15 organizações sociais, com meta de ampliação de 40% da oferta atual de madeira proveniente de planos de manejo madeireiros de origem comunitária e familiar no Amazonas.

O Cidades Florestais realiza, ainda, a estruturação de uma Central Florestal, espécie de núcleo tecnológico, além do desenvolvimento do aplicativo Cidades Florestais. Estas ferramentas possibilitarão a execução de extensão florestal em larga escala, com baixo custo e mais atrativa ao público jovem.

 

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