Cidades Florestais firma parceria de reaproveitamento de resíduos orgânicos para ração animal

sementes

Subprodutos não utilizados pelas comunidades no beneficiamento de óleos como o da Andiroba poderão ser comercializados para o agronegócio

 

Por Henrique Saunier
Foto: Arquivo Idesam

 

O Idesam firmou um Termo de Cooperação Técnica com a Central Brasileira de Comercialização (CBC) com o objetivo de fomentar a venda de produtos apoiados pelo instituto, por meio do projeto Cidades Florestais. Com apoio financeiro do Fundo Amazônia/BNDES, o Cidades Florestais trabalha diretamente com 16 organizações sociais no Amazonas, oferecendo apoio técnico a famílias extrativistas desde o beneficiamento até o escoamento de seus produtos para mercados externos.

Com essa nova parceria, o Idesam escreve mais um capítulo na sua história de quase 15 anos de desenvolvimento de projetos na Amazônia que conciliam geração de renda com a preservação da floresta. Neste termo de cooperação, a CBC irá ofertar gratuitamente um ambiente virtual para comercialização de produtos florestais para atores do agronegócio.

De acordo com Breno Ferreira, consultor comercial da CBC, a parceria se consolidou após a plataforma conhecer todo o trabalho que o IDESAM vem realizando junto as comunidades amazônicas e se sentir atraída pela “cumplicidade da causa” do programa de Produção Rural Sustentável. “Nós da CBC Agronegócios acreditamos que a produção sustentável e monitorada dentro do bioma amazônico oferece a população local, ribeirinha, agricultura familiar em geral a oportunidade de se destacar dentro do cenário mundial, desmistificando a visão pétria de desmatamento generalizado, e ainda garantir o acesso ao mercado e a inclusão social dessas famílias”, ressaltou.

A princípio, os produtos disponibilizados na plataforma da CBC serão resíduos não aproveitados da produção de óleos nas usinas apoiadas pelo Cidades Florestais, que podem ser transformados em ração para o agronegócio. Segundo Eliane Canali, da CBC Agronegócios, subprodutos como da Andiroba, Buriti, Muru-muru, dentre outros do bioma amazônico, possuem alto valor nutricional e são de extrema relevância para alimentação animal. “Mesmo que ainda pouco explorado, tais subprodutos podem gerar aumento de valor e ainda promover segmentos de negócios na indústria bioquímica, biocombustíveis e de alimentos oleaginosos em geral”, explica Canali.

Este será mais um canal de visibilidade para que essas cooperativas e associações amazonenses possam firmar negócios com empresas que se preocupam em consumir insumos provenientes de cadeias produtivas sustentáveis. Atualmente, o Cidades Florestais já realiza essa ponte entre produtores e consumidor por meio de uma Vitrine Virtual que disponibiliza itens como óleos de Copaíba, Andiroba, Cumaru e Breu Branco, todos extraídos pelas comunidades participantes do projeto.

Na avaliação de André Vianna, coordenador do Cidades Florestais, atualmente um dos grandes desafios da produção de óleos vegetais é a destinação adequada do resíduos. “Por meio da parceria firmada, poderemos buscar mercado para estes resíduos, assim, as organizações sociais além de resolverem um problema ambiental, poderão obter renda destes produtos”, completa Vianna.

Sobre o Cidades Florestais

O projeto Cidades Florestais, iniciado em 2018, tem como propósito promover a economia florestal de municípios do interior do Amazonas. Esta promoção se dá por meio do fomento a cadeias produtivas florestais, madeireiras e de óleos vegetais, de comunidades e famílias dos municípios: Apuí, Carauari, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã, Silves, Lábrea e Boa Vista do Ramos.

O projeto promove a implantação de plataforma digital e aplicativo de apoio à gestão da produção comunitária, além de auxiliar na elaboração de Planos de Manejo Florestal e assistência técnica até a comercialização da produção e na implementação de novos equipamentos e maquinários para a atividade florestal.

 

 

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