Projeto GATI apoia a 1ª Feira de Troca de Sementes, Sabores e Saberes

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A feira teve como objetivo estimular a produção de alimentos e o resgate das espécies anteriormente cultivadas pelos Saterê-Mawé.

Texto e Imagens: Robert Miller, do PNGATI/Funai

Nos dias 11 a 13 de junho, com apoio do Projeto GATI para a mobilização indígena, foi realizada a 1ª Feira de Troca de Sementes, Sabores e Saberes e Assembléia Geral do Povo Sateré-Mawê, na Aldeia Simão, Terra Indígena Andirá-Marau, localizada entre os estados do Amazonas e Pará. A Feira foi uma iniciativa do Projeto Warana, que é realizado por um conjunto de instituições, sendo estas o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o Consórcio dos Produtores Sateré-Mawê (CPSM), a Secretaria de Estado de Produção Rural do Amazonas (Sepror), o Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), o Instituto Federal do Amazonas (Ifam), campus de Presidente Figueiredo, e o Centro de Sementes Nativas do Amazonas, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Conforme a Dra. Sonia Alfaia, do Inpa e coordenadora do Projeto Warana, o financiamento por meio de recursos da Petrobrás Socioambiental permitiu ao projeto apoiar atividades produtivas sustentáveis com enfâse na agroecologia, como a produção de mudas, implementação de sistemas agroflorestais, capacitação na coleta de sementes florestais, implantação de hortas escolares e produção de composto orgânico, visando a segurança alimentar e geração de renda nas comunidades Sateré-Mawê.

A Feira iniciou-se na manhã do dia 11 de junho, com um café da manhã com produtos regionais e indígenas.

Em seguida, o Tuisá (liderança) Obadias Garcia fez a abertura, seguido por apresentações dos trabalhos dos parceiros e convidados. Por parte do Projeto GATI, o Coordenador Técnico Robert Miller fez uma breve retrospectiva das ações realizadas, citando o apoio à elaboração da proposta de Plano de Gestão Territorial e Ambiental da TI Andirá-Marau, aprovada recentemente em edital do Fundo Amazônia/BNDES (saiba mais), e o edital de pequenos projetos do Projeto GATI (PPP GATI), ainda em processo de seleção de propostas (saiba mais). Ramon Morato apresentou os trabalhos com agroecologia e agroflorestas feitos pelo Idesam no âmbito do Projeto Warana, envolvendo o plantio de guaraná e pau rosa, enquanto Eudisvam Araújo (Ufam) trouxe informações sobre a capacitação de jovens Sateré-Mawê na coleta de sementes florestais, que envolve a seleção de árvores matrizes e indicação de Áreas de Coleta de Sementes-ACS.

Hoje, dos 57 Sateré-Mawê capacitados, 42 estão cadastrados como coletores de sementes no Registro Nacional de Produtores de Sementes e Mudas (Renasem) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Em seguida, Clara Vignoli e João Gabriel Raphaelli, alunos de mestrado do Inpa, apresentaram os estudos que realizarão no âmbito do Projeto Warana, sendo estes, respectivamente, o levantamento das práticas de manejo dos guaranazeiros e árvores consorciadas no sistema tradicional de produção e a quantificação do estoque de carbono nestes sistemas.

Na parte da tarde ainda do dia 11, Terezinha Dias, agrônoma da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), trouxe um histórico das Feiras de Sementes realizadas em diversas regiões do Brasil, que se iniciou com feira na TI Krahô, em 1997, em parceria com a Fundação Nacional do Índio (Funai). Conforme Terezinha, as feiras são um importante método participativo de promoção do manejo comunitário da agrobiodiversidade, e atualmente vem se multiplicando em várias regiões do Brasil. Convidados para participarem da Feira, os indígenas Davi Sapará e Elinaldo Silva (Macuxi),estudantes do Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol, apresentaram um vídeo sobre as três feiras de sementes tradicionais indígenas realizadas em Roraima, e estenderam convite para a 4ª Feira, que acontecerá em outubro deste ano.

Texto completo disponível no Portal PNGATI.

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