‘Regatão do Bem’ entrega 24 toneladas de alimentos para comunidades do interior

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Em locais distantes dos centros urbanos e de difícil acesso, a ação social, que é parte estratégica para amenizar a crise gerada pela pandemia do coronavírus, contou com o apoio financeiro do Banco do Brasil.

 
Por Priscila Rabassa
Foto: Henrique Saunier
 

Com um intenso trabalho de mobilização social, o Regatão do Bem, coordenado pelo Idesam, com apoio de parceiros institucionais, vem unindo esforços para combater a proliferação da covid-19 e diminuir seus impactos em comunidades remotas do interior do Amazonas.

O projeto, lançado em maio, iniciou esta semana uma força tarefa para entregar 24 toneladas de alimentos e produtos de higiene a famílias que tiveram suas rendas afetadas pela pandemia. A expedição teve início em Maués e na RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável) do Uatumã, localizada nos municípios de São Sebastião Uatumã e Itapiranga, e segue para Apuí e Lábrea, no início de julho.

Ao todo, 1.663 cestas básicas, 1.600 kits de higiene e 750 máscaras estão sendo entregues as mais de 1.600 famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade social e econômica, beneficiando mais de 7 mil pessoas.

Para Silvério Barros Maciel, Presidente da Apadrit (Associação de Produtores Agroextrativistas da Assembleia de Deus do Rio Ituxi), na Reserva Extrativista de Ituxi, e responsável por apoiar a entrega dos kits a 14 comunidades do interior de Lábrea, a ajuda é essencial.

“As doações chegam exatamente no momento em que as famílias estão impossibilitadas de virem à cidade até para venderem seus produtos. São 200 famílias isoladas, que vivem da produção agrícola e florestal, que recebem com muito carinho e alegria essa ajuda”, declara.

Seguindo as recomendações da OMS (Organização Mundial de Saúde) para evitar aglomerações, medidas de proteção estão sendo tomadas durante as entregas. Em cada um dos municípios assistidos, as cestas e kits chegam às associações de produtores agroextrativistas, onde primeiramente são desinfectadas e de lá as equipes seguem até as casas levando as doações às famílias, evitando que pessoas circulem pelas ruas. As equipes também seguem as recomendações de usarem máscaras, álcool gel e de manterem o distanciamento social seguro.

 

Sensibilização – Por onde o Regatão do Bem passa, o encontro é marcado por alegria e agradecimento de quem recebe e de quem doa. O coordenador das ações do Idesam em Maués, Ramom Morato, afirma que o sentimento de gratidão é visível em cada família apoiada.

“A vida dessas famílias no interior não é fácil, ainda mais agora sem trabalhar. Estamos fazendo o máximo possível para ajudar essas pessoas, mas o sentimento de gratidão que sentimos delas é e sempre será inesquecível”.

Em Maués, no Baixo Amazonas, a rede de saúde também foi beneficiada com a ação do Regatão do Bem que, além de cestas básicas, recebeu 500 protetores faciais que serão direcionados para uso de profissionais do corpo clínico, como médicos, enfermeiros e técnicos, e para a equipe administrativa, incluindo os recepcionistas, motoristas e auxiliares de limpeza, que atuam também na linha de frente. Os protetores faciais foram doados pela FAS (Fundação Amazonas Sustentável) e pelo Instituto C&A, por meio da Global Shapers Manaus.

“Esse trabalho de sensibilização quanto à importância do uso da máscara é necessário para evitar tanto a contaminação quanto a disseminação do novo coronavírus. É uma forma simples de se proteger e proteger os outros”, afirma Morato.

 

Demanda – Por meio de articulação, doações e apoio de instituições, como o Banco do Brasil, foi possível realizar a expedição com sucesso. No entanto, a demanda pelo auxílio ainda é enorme nas comunidades. Devido o isolamento social, famílias estão impossibilitadas de trabalhar, ficando sem a única renda para sobreviver. Por isso, toda doação é importante para amenizar a situação de crise.

De acordo com a diretora executiva do Idesam, Paola Bleicker, essa é a segunda vez que a expedição do Regatão do Bem acontece no período da quarentena e a previsão é que o projeto se estenda até o final de julho.

“Com a união de esforços, conseguimos aumentar a quantidade de famílias atendidas e isso nos deixa muito felizes. São pessoas que ficaram de fora ou não conseguiram ainda receber o auxílio emergencial do governo federal, mas que, com o projeto, passam a contar com uma certeza de apoio para atravessar esse momento tão delicado. Por isso, a proposta é que o projeto se estenda até o próximo mês, já que a demanda por ajuda só aumenta”, explica.

A expedição contou ainda com a parceria da FAS, que apoiou a logística de envio dos kits de Manaus para a RDS do Uatumã, 330 km de distância de Manaus, onde 500 famílias foram beneficiadas. Em Maués, a articulação é realizada pela AGM (Aliança Guaraná de Maués), que faz o levantamento das necessidades da comunidade e apoia na logística de envio e distribuição das doações.

Doações – Em busca de novos parceiros para juntos ampliar o movimento, pessoas físicas ou jurídicas podem contribuir com doações em dinheiro ou de cestas básicas e itens de segurança (máscaras e álcool gel) e produtos de limpeza. Tecidos para confecção de máscaras também estão na lista de itens aceitos para doação e que serão entregues as costureiras locais, visando contribuir para a geração de renda com a venda das máscaras.

Os kits são compostos por alimentos da cesta básica, como arroz, feijão, massa, açúcar, farinha, sal, óleo, café e leite em pó, por exemplo. Além disso, as famílias recebem produtos de higiene e limpeza como água sanitária, sabão em barra, desinfetante, papel higiênico e álcool em gel. Ao todo, são quase 20 itens que ajudam a suprir as necessidades mínimas de uma família de quatro pessoas durante esse período de quarentena.

Para saber como doar, acesse idesam.org/regataodobem

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