Por Paola Bleicker, diretora executiva em Idesam
Entre ferramentas, cultura e estratégia, o principal debate do AI Festival foi sobre adaptação humana em tempos de inteligência artificial.
Hoje participamos do primeiro dia do AI Festival da StartSe, um evento que reuniu lideranças e especialistas de empresas como IBM, Google, Anthropic, Oracle, McKinsey, Microsoft, entre outras grandes referências globais em inteligência artificial.
Minha principal percepção após esse primeiro dia de imersão é que não existe mais espaço para discutir “se” vamos usar IA. A discussão agora é “como” vamos nos adaptar, aprender e incorporar isso de forma estratégica, ética e inteligente dentro das organizações.
Foi muito interessante ver a quantidade de ferramentas, soluções e aplicações já sendo utilizadas em diferentes setores — desde operações internas até tomada de decisão, comunicação, análise de dados, produtividade e relacionamento. A velocidade dessa transformação é muito maior do que imaginávamos há poucos anos.
Mas talvez o ponto mais forte e recorrente das palestras tenha sido outro: a IA não veio para substituir o humano. Ela veio para potencializar capacidades humanas, eliminar gargalos operacionais, reposicionar funções e abrir espaço para atividades mais estratégicas, criativas e analíticas.
Ao mesmo tempo, ficou muito evidente que isso exigirá uma grande capacidade de adaptação das equipes e das lideranças. Não basta apenas criar guardrails operacionais ou definir políticas de uso. Precisaremos desenvolver cultura, repertório e capacidade crítica para explorar o potencial dessas ferramentas sem perder aquilo que é essencialmente humano: visão, contexto, sensibilidade, propósito e tomada de decisão.
Outro ponto que me chamou atenção foi a importância de manter o conhecimento dentro das organizações. As empresas que conseguirem estruturar processos, registrar aprendizados e transformar conhecimento institucional em inteligência acessível terão uma vantagem enorme nesse novo cenário.
Saio desse primeiro dia com a sensação de que a IA não deve mais ser vista apenas como uma tecnologia. Ela começa a se consolidar como uma nova identidade organizacional — algo que influencia a forma como as empresas operam, aprendem, se relacionam e constroem valor.
E talvez o maior desafio daqui para frente não seja tecnológico. Seja humano.
O AI Festival da StartSe acontece nos dias 13 e 14 de maio, em São Paulo.










