A importância dos Sistemas Agroflorestais na RDS do Uatumã

A dinâmica de agricultura na Região Amazônica é caracterizada pelo desmatamento, fogo, plantio, pousio, fogo, plantio, e assim sucessivamente… Esse ciclo termina com o esgotamento total do solo e seu posterior abandono, que estimula a abertura de novas áreas. A utilização dos Sistemas Agroflorestais (SAFs) e de técnicas de plantio consorciados em áreas de roça permite uma maior longevidade do sistema agrícola da mandioca, além de uma maior diversidade de produtos alimentícios produzidos, resultando em uma menor pressão por desmatamento em novas áreas de floresta.

Na dinâmica tradicional, o solo é utilizado até que as suas reservas naturais de nutrientes e matéria orgânica sejam esgotadas. Devido ao empobrecimento dos solos utlizados, existe uma constante pressão para abertura de novas áreas e consequentes desmatamentos. No caso do ambiente amazônico, portanto, a manutenção da produtividade dos solos em áreas desmatadas é extremamente necessária como um elemento de desestímulo ao desmatamento.

1.  Rebrota de margaridão e solo forrado com capim napier (adubação e biomassa acrescentada ao solo); 2. Cumaru; 3. Pau d’ Arco (6 meses); 4. Açaí verde com bananas e solo com capim napier e margaridão; 5. Ingazeiro adubador, na entrelinha do cacau, na sombra da banana.

Aproveitando a oportunidade de se propor alternativas aos modelos agrícolas já praticados na região, e até no Brasil como um todo, e com o intuito de se reproduzir uma agricultura tropical com a dinâmica do clima e das características naturais  do país, apostamos fortemente na RDS do Uatumã como sendo uma potencial referência para a prática de uma agricultura sustentável e também ecológica.
Acreditamos que um Sistema Agroflorestal deva ir além de se consorciar diferentes espécies frutíferas e/ou florestais com a produção agrícola. O sistema o qual nos empenhamos deve acrescentar ao ambiente, caminhando sempre na contramão do esgotamento das reservas naturais de nutrientes e matéria orgânica do solo.
O modelo de SAF  que almejamos envolve justamente a recuperação de áreas que até então eram consideradas degradadas, e se propõe como elemento enriquecedor da biodiversidade das capoeiras. Agregando fertilidade e estrutura ao solo, permite-se o desenrolar ecológico natural semelhante a uma exuberante floresta tropical como é a Floresta Amazônica. Sem esquecer, é claro, a lucratividade econômica e social para o agricultor beneficiado, uma vez que cria-se a condição para perenidade de sua produção.
Bom, toda essa explicação é importante para entendermos o trabalho que é realizado em campo na RDS do Uatumã, que envolve desde as primeiras conversas com os comunitários até a implantação e manutenção dos SAFs.

Minhocas são indicadores da fertilidade do solo.
O SAF do Sr. Monteiro, ou Papa para os amigos, foi implantado em janeiro de 2012 pelo programa Carbono Neutro e com esse intuíto de recuperação e desenvolvimento. Todos os esforços tendem a acrescentar fertilidade ao solo e conforto às mudas, bem como o controle de espécies agressoras as mesmas, como é o caso da capina da brachiaria e capim agulha, e a seleção de espécies companheiras espontâneas como a arnica, embaúba, goiabeiras e pimenteiras.

Acompanhando a sazonalidade climática de nossa região, as mudas já estão preparadas para receber a forte seca do verão. As espécies de adubação verde já foram incorporadas ao solo e já estão rebrotando com vigor, e a satisfação das mudas e do ambiente já está visível aos olhos de todos.

Equipe descansa após um dia de trabalho.
Ramom Morato

Engenheiro Agrônomo e pesquisador do Idesam

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