Lábrea (AM) – Jovens indígenas de Lábrea vêm fortalecendo a governança territorial e ampliando sua incidência política por meio do Hub de Políticas Públicas, iniciativa do Idesam por meio da Iniciativa de Governança Territorial (IGT), em parceria com a Rainforest Alliance. O projeto atua como espaço de articulação e formação de lideranças, valorizando a cultura, a identidade e a língua materna como pilares da governança nos territórios.
A iniciativa apoia processos conduzidos pela própria juventude indígena, contribuindo para o fortalecimento institucional de organizações como a Organização da Juventude Indígena de Lábrea (OJIL) e a Organização da Juventude Indígena de Tapauá (OJIT), que vêm ampliando sua participação em espaços de diálogo e tomada de decisão.
O projeto está estruturado para atuar em territórios-chave da Amazônia, onde políticas públicas, conservação ambiental e direitos territoriais precisam caminhar juntos, reforçando o papel do Idesam como articulador de soluções integradas para o desenvolvimento sustentável.
Implementação das oficinas
Após a realização de um encontro presencial com a Organização da Juventude Indígena de Tapauá (OJIT), foi a vez do primeiro encontro com a Organização da Juventude Indígena de Lábrea (OJIL), realizado nos dias 10 e 11 de dezembro, no município de Lábrea (AM). A capacitação contou com a participação de cerca de 30 jovens lideranças de diferentes povos, como Apurinã, Jarawara, Palmarí, Jamamadi e Deni. As atividades abordaram temas como os direitos garantidos pela Constituição Federal, especialmente os artigos 231 e 232, e a Convenção 169 da OIT, além de reflexões sobre territorialidade, identidade cultural e formação de lideranças.
Segundo Allex Jordan, advogado e consultor de projetos do Idesam, a iniciativa busca preparar a juventude indígena para atuar de forma qualificada nos espaços de decisão.
“A ideia é fortalecer as organizações juvenis para que possam incidir em políticas públicas e ampliar sua representatividade. Parte delas também está recebendo assessoria para se formalizar e existir oficialmente como pessoa jurídica”, explica.
A formalização das organizações e assessoria com organizações produtivas possibilita o acesso a políticas públicas como a Carteira do Artesão, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), gerando oportunidades de renda, reconhecimento institucional e maior circulação econômica nos territórios.
A iniciativa contempla municípios do Amazonas que integram o Núcleo de Desenvolvimento da Sociobioeconomia (NDS), principalmente nas regiões do Médio Purus, Madeira e Juruá, incluindo áreas com importantes Unidades de Conservação estaduais e federais, como a Floresta Estadual de Tapauá, a Reserva Extrativista Médio Purus, a Reserva Extrativista de Canutama e a Floresta de Canutama, além de diversas Terras Indígenas.
Para Wendel Apurinã, coordenador executivo da OJIL, o fortalecimento da juventude indígena por meio do Hub tem sido fundamental para ampliar a incidência política e a defesa dos territórios no Médio Purus.
“Esperamos ampliar esse fortalecimento e alcançar mais juventudes, para que esses jovens possam se preparar, conhecer seus direitos e atuar como grandes guardiões da fauna, dos rios, igarapés e lagos onde vivem. A juventude indígena precisa entender o que assegura seus direitos e qual é o seu papel”, afirma.
Ao integrar formação política, fortalecimento institucional, acesso a políticas públicas e valorização cultural, o Hub de Políticas Públicas contribui para consolidar a juventude indígena e organizações produtivas como agente central na construção de soluções para seus territórios. Em 2026, o projeto seguirá levando oficinas aos territórios, fortalecendo redes e promovendo a atuação integrada conforme a proposta de um hub.
Texto: Fabíola Abess/Idesam | [email protected] | Fotos: Arquivo Idesam






