Idesam incentiva produção familiar de óleo de Copaíba em comunidades ribeirinhas de Apuí (AM)

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Iniciativa foi selecionada para receber apoio pelo edital ‘Floresta em Pé’

Por Henrique Saunier
Imagem: Arquivo Idesam

 

Nascido em Novo Aripuanã (AM) — mais especificamente no Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Aripuanã Guariba — Jessé da Silva, 28 anos, sempre acompanhou junto com seus irmãos as empreitadas do pai para extração de óleo de copaíba e castanha. Senhor Oraldino, conhecido na região como Branco, levava Jessé e toda a família para ficar um mês inteiro na floresta em busca de óleo de copaíba, para, no fim das contas deixar sua produção nas mãos do atravessador local.

Este é o cenário que hoje Jessé busca mudar, como um dos parceiros locais no Projeto de Fomento ao Beneficiamento e Comercialização de Óleo de Copaíba. Selecionado no edital Floresta em Pé, promovido pela FAS com apoio do Fundo Amazônia, o projeto gerido pelo Idesam tem por objetivo apoiar grupos de comunitários da região ribeirinha dos rios Aripuanã e Guariba no processo de mapeamento, extração, armazenamento, transporte e comercialização do óleo de Copaíba.

Nesta realidade atual onde o atravessador ainda é uma figura muito presente, o que reduz a margem de lucro dos produtores, Jessé vê a questão como uma oportunidade de criar uma opção a mais aos moradores locais. Os produtores do óleo agora vislumbram um mercado onde eles possam comercializar o óleo de copaíba a um valor maior do que o praticado na região atualmente.

As ações iniciaram em março de 2018, com reuniões de nivelamento técnico e mapeamento participativo das áreas de coleta e inventário amostral para o levantamento do potencial produtivo de copaíba nessa região. Também já foram distribuídos kits de Equipamento de Proteção Individual (EPI), a fim de assegurar boas condições de trabalho aos extratores.

O projeto trabalha com 10 famílias em seis diferentes comunidades. Esse número tende aumentar, já que a atividade extrativista é comum na região e garante a geração de renda para muitas famílias do assentamento, conforme aponta Ramom Morato, coordenador do Programa de Produção Rural Sustentável (PPRS) do Idesam e um dos responsáveis pelo projeto.

Os benefícios serão sentidos principalmente por pessoas como Paulo Afonso Ferreira, de 41 anos, dos quais mais de 30 dedica à atividade de extração de óleos. Assim como Jessé, o ofício vem de família, aprendido com o pai, que era seringueiro. Residindo na região há mais de 20 anos, ele também começou como seringueiro, mas migrou para a extração do óleo com a desvalorização da borracha no mercado e agora vê no projeto uma nova oportunidade de valorização da atividade.

O Idesam iniciou sua atuação no Aripuanã Guariba através de uma chamada pública do Incra para assistência técnica em 11 assentamentos, quando percebeu o potencial local da cadeia de copaíba. “Percebemos as fragilidades existentes na cadeia produtiva, bem como os baixos preços pagos aos extrativistas. Historicamente, a região é reconhecida como grande fornecedora de matéria-prima de produtos florestais não madeireiros”, explica Morato.

Mercado

Mesmo com a crise econômica, o setor de cosméticos e fragrâncias demonstra resultados positivos e de crescimento, tornando os óleos vegetais da Amazônia produtos de grande demanda tanto por empresas de produtos finais como de consumidores. É aí que o óleo de copaíba entra, com seu poder de penetração no mercado, aliado ao baixo custo de produção, quando comparado a outros óleos que necessitam de maquinários para extração.

Além de já prospectar mercados para o produto em feiras e revendedores em São Paulo e Rio de Janeiro, o Idesam também projeta inserir o óleo de copaíba em empresas de fragrâncias de pequeno e médio porte, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, sem contar as grandes indústrias brasileiras.

Com esse mercado em vista, é esperada uma produção de 1,2 mil litros de óleo de copaíba, que serão comercializados em frascos de 30 mililitros até galões de 50 litros. Em 18 meses de atividade, o empreendimento dos comunitários possui estimativa de faturamento de R$40 mil.

Para Ramom Morato, a profissionalização da atividade e a organização social que favorece o acesso a mercados diferenciados e a valorização da atividade de forma sustentável são os principais impactos esperados nas comunidades atendidas. “O acesso às politicas públicas existentes para agricultura familiar e a diversificação da produção é a outra frente que caminha junto com os objetivos do projeto”, completa.

Atualmente, o Idesam trabalha na estruturação da associação local em Apuí. Além desta iniciativa, a cadeia de óleos nobres da Amazônia também é contemplada via Projeto Cidades Florestais, que pretende criar uma usina de beneficiamento de óleos vegetais, como andiroba, patauá, buriti, castanha, entre outros potenciais identificados na região.

 

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