Cidades Florestais

Nove organizações sociais dos municípios de Apuí, Carauari, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã, Silves, Lábrea e Boa Vista do Ramos passaram a ser beneficiadas pelo projeto Cidades Florestais. Elas fazem parte da primeira fase de um plano estratégico para promoção do uso múltiplo da floresta, por meio do fomento ao manejo florestal em pequena escala e da produção de óleos vegetais de origem familiar e comunitária, o qual teve início em março de 2018. Uma segunda fase ainda deve integrar outras organizações interessadas em participar do projeto.

O Cidades Florestais visa a estruturação de duas novas linhas de produção de óleos vegetais, com mini-usinas de beneficiamento em Apuí e na RDS do Uatumã, além de apoiar melhorias em outras três já existentes. O projeto busca minimizar a baixa adesão de tecnologias atuais e inserir novas ferramentas que auxiliem na produção florestal. Quanto à produção madeireira, o projeto apoia a implantação de planos de manejo para 15 organizações sociais, com meta de ampliação de 40% da oferta atual de madeira proveniente de planos de manejo madeireiros de origem comunitária e familiar no Amazonas.

O Cidades Florestais realiza ainda a estruturação de uma Central Florestal, espécie de núcleo tecnológico, assim como, o desenvolvimento do aplicativo Cidades Florestais. Estes possibilitarão a execução de extensão florestal em larga escala, com baixo custo e mais atrativa ao público jovem.

 
O manejo florestal comunitário, madeireiro e não madeireiro, tem sido apontado como uma ferramenta para a redução do desmatamento, pois se caracteriza como uma importante fonte de renda sustentável aos manejadores e uma alternativa às práticas predatórias de exploração convencional.

Quando realizado de forma comunitária, o manejo tem potencial de fortalecer o espaço social e político das famílias e da comunidade – uma vez que devem agir como protagonistas no processo de produção e organização – além de proporcionar a inclusão produtiva, garantia de renda e maior apropriação sobre a terra. Entretanto, há barreiras a serem superadas para a consolidação do manejo florestal comunitário, tais como: a garantia de acesso e uso da floresta, o fortalecimento da organização social, o crédito, a assistência técnica e o acesso ao mercado.

O fomento ao manejo é particularmente relevante no estado do Amazonas, que, por um lado, detém a maior área de floresta conservada da Amazônia, mas, por outro, apresentou o maior crescimento do desmatamento entre os anos de 2015 e 2016. Ainda que aproximadamente 10% da área do estado do Amazonas seja destinada ao extrativismo vegetal, a participação dos planos de manejo madeireiro de pequenos produtores em relação ao volume total licenciado foi pouco expressiva: 4% durante o período de 2010 a 2014. E, de acordo com estudo do Idesam, somente 20% do volume de madeira licenciado em 2014 por planos de manejo de pequena escala elaborados pela instituição foram comercializados.

  • Até o momento, foram realizadas 16 oficinas de apresentação de projeto para as organizações sociais beneficiárias do projeto. Durante as oficinas estiveram presentes 279 pessoas, sendo 198 homens e 81 mulheres. As oficinas serviram para explicar as atividades previstas no projeto às organizações sociais do território interessadas na atividade florestal madeireira e não madeireira, além de tirar dúvidas e dar mais informações sobre uso do aplicativo Cidades Florestais.

 

  • Criação de um Grupo de Trabalho de Manejo Florestal da associação de produtores que atende os municípios de Itapiranga e São Sebastião do Uatumã. O objetivo principal do GT é elaborar um plano de manejo com área de 6 mil hectares, para beneficiar as 20 comunidades da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã.

 

  • Produção piloto de 42 kg de óleo de buriti, comercializados para a empresa GDM em Manaus, gerando R$ 1,6 mil à organização social da RDS do Uatumã. A experiência foi um teste para obter informações e identificar os diversos gargalos, tanto na parte de campo quanto na parte de produção do óleo.

 

  • Cerca de 25% da estruturação da Central Florestal já executada, além de 80% das capacitações florestais realizadas.

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