Primeiro módulo da atividade, realizado no final de agosto, reuniu 45 participantes.
Por Comunicação Idesam
Entre os dias 25 e 29 de agosto, 45 moradoras do município de Apuí participaram de uma atividade nascida de uma demanda delas: conseguir prosperar mais na atividade de cultivo de hortaliças. O workshop de hortas agroecológicas para mulheres e jovens, iniciativa do Idesam e da startup reNature, com financiamento da organização LB Foundation, mobilizou participantes das associações de Produtores Familiares Ouro Verde (APFOV) e de Mulheres Agricultoras do Setor Três Estados (Amast).
O Idesam atua em Apuí desde 2006, promovendo a agricultura regenerativa por meio da implementação de Sistemas Agroflorestais (SAF) responsáveis por produzir o primeiro café agroflorestal orgânico da Amazônia, o Café Apuí. A parceria entre reNature e o instituto foi estabelecida em 2020 e seguirá até 2023, com o desenvolvimento de diversas atividades com foco na capacitação técnica da comunidade local, no fortalecimento de associações de produtores e na difusão e melhoria de práticas e técnicas agrícolas nos SAFs.
Ministrada por Maria de Fatima Zuazo, presidente da Associação Maniva de Certificação Participativa e integrante da Associação de Produtores Orgânicos do Amazonas (Apoam), a iniciativa tem como propósito viabilizar a continuidade da agenda de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) junto às associações durante a pandemia e diante das restrições de atividades presenciais e coletivas. Para isso, consiste na realização de oficinas com o objetivo de envolver, capacitar e empoderar mulheres e jovens das comunidades de Apuí, por meio da produção de hortas orgânicas que garantam a segurança alimentar e diversifiquem a renda familiar.
Para Marina Yasbek Reia, coordenadora de projetos do Idesam em Apuí, o workshop alia a geração de conhecimento à promoção do empoderamento entre as mulheres e jovens participantes, por meio de conceitos relacionados à transição agroecológica. Esse trabalho mais concreto com foco em gênero teve início em 2020, com apoio da GIZ, a Agência Alemã de Cooperação Internacional.
A mudança do manejo convencional para o agroecológico tem sido chamada de ‘conversão’ ou ‘transição’. Trata-se de aprender uma nova forma de agricultura, pois são aplicados conceitos de ecologia à produção agrícola.
– Marina Reia, coordenadora de projetos do Idesam em Apuí
“Essa transição oferece aos agricultores a oportunidade de melhora em sua produção e comercialização, mas sem sobrecarregar seus custos – além da possibilidade de maior recompensa pelo mercado, se forem certificados. De modo geral, é uma transição para um modelo de agricultura sustentável que proporciona inúmeros benefícios sociais, ambientais e econômicos”, explica a coordenadora.
Segundo ela, a escolha por um público totalmente feminino tem explicação no próprio contexto vivido pelas participantes da atividade. “As mulheres precisam de ações e projetos que sejam especialmente delineados para atender às especificidades de suas rotinas de trabalho doméstico e externo e demais fatores limitantes historicamente ignorados. Da mesma forma, a temática das capacitações deve nascer da própria demanda observada na rotina dessas mulheres, a fim de apoiar o desenvolvimento de ações capazes de empoderar de fato essas mulheres como responsáveis pela atividade de produção e comercialização de hortaliças”, argumenta.
Mudança de rotina
De acordo com a produtora Patricia Coutinho Francisco, foram absorvidas muitas práticas novas para aplicação nas hortas, como conhecimentos sobre o controle de pragas e doenças. “Também aprendemos a fazer cobertura de solo e a mantê-lo com mais umidade, usando a bananeira. Aprendemos a produzir biofertilizante, que é um adubo foliar essencial, e ainda o composto. Enfim, é com esse aprendizado que vamos nos tornar produtoras orgânicas. Amei esse curso e fiquei muito feliz com o que aprendi”, revela.
Já Elia Lucas Alevs afirma que a iniciativa a auxiliou em algumas dificuldades que tinha com o solo local. “O nosso solo é muito carente de nutrientes. Como é muito aberto e já tinha pastagem há muito tempo, para eu poder recuperar e fazer a minha horta tinha muita dificuldade com pragas. Acredito que, de agora em diante, eu só vou usar essas técnicas, pois estou cansada de fazer de um outro jeito que não funcionava”, confessa a produtora, ressaltando que todos os produtos da sua horta também serão consumidos em casa.
“Como tudo é muito orgânico, vai me trazer uma confiança a mais de pôr isso na minha mesa. Já até coloquei em prática na minha horta, com biofertilizante e biomassa pronta. O que eu puder passar para as meninas aqui da associação eu vou passar, porque eu creio que isso vai ajudar muito”, finaliza Elia.
Retorno em 2022
Passado esse primeiro módulo prático, a programação de capacitação deve ser retomada em março de 2022, com uma segunda parte, também de forma presencial, mas realizada ao longo do ano.
O workshop é parte de um projeto maior entre Idesam e reNature, com financiamento da LB Foundation e duração de três anos (2021 a 2023). O foco é a melhora da qualidade do Café Apuí, o fortalecimento da APFOV e a promoção de atividades de capacitação técnica.
[:en][vc_row][vc_column][vc_column_text]Evento acontece nos dias 14 e 15 de setembro, de forma online; André Vianna, gerente no Idesam, compartilha mais detalhes na entrevista a seguir
Por Comunicação Idesam
Encerrando a primeira etapa do Projeto Cidades Florestais (PCF), o Idesam realiza, de forma online, nos dias 14 e 15 de setembro, a segunda edição do Seminário de Produção Florestal Familiar e Comunitária do Amazonas, o Manejar. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas no site do evento – www.manejar.org.br.
Gerente do Programa de Manejo e Tecnologias Florestais do instituto, André Vianna exalta a trajetória do projeto ao longo dos três últimos anos. “O PCF nasceu em 2018, financiado pelo Fundo Amazônia / BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e desenvolveu junto a 16 organizações sociais – associações e cooperativas do interior do Amazonas –, com apoio do Idesam, o fomento a atividades produtivas florestais. Nós entendemos que o manejo florestal madeireiro e o fomento a produtos florestais não madeireiros, como óleos vegetais, são ferramentas importantes para gerar a conservação da floresta, pois isto gera renda para as populações que vivem nessas localidades”, afirma Vianna, que comenta sobre este e outros tópicos relacionados na entrevista a seguir.
Qual a importância de uma iniciativa como o Cidades Florestais para as populações que vivem na floresta?
O projeto busca melhorar a qualidade de vida das populações do interior do estado e, assim, possam permanecer nos seus locais de origem conservando a floresta. Ao todo, dez municípios receberam atividades do projeto para apoiar o desenvolvimento da economia local com base nas atividades das associações dessas localidades.
E como o 2º Manejar encerrará essa etapa?
Essa edição, que será online e todas as pessoas interessadas poderão acompanhar pelo canal do Idesam no YouTube, vai marcar o final dessa etapa do Cidades Florestais e apresentar todos os resultados que foram atingidos, quais foram os desafios enfrentados, as soluções encontradas pela equipe junto a essas organizações e quais foram as inovações que utilizamos para vencer os desafios que existem em nossa região.
Em sua visão, a Amazônia precisa de uma alternativa econômica vinda da floresta?
Com certeza. A Floresta Amazônica é fundamental para a manutenção do regime de chuvas do país, então é importante para o setor agrícola do Brasil, para as populações do Sul e Sudeste, e para o país para garantir o fornecimento de água. Também, consiste em um grande reservatório de carbono, que se removido e queimado agravará os efeitos das mudanças climáticas. Outro ponto a considerar é a importância de as pessoas que vivem na floresta terem boas condições de vida. É essencial a gente buscar novas ferramentas pautadas em questões de sustentabilidade, mas que desenvolvam a economia do interior.
E isso é importante até para trazer alternativas para o Amazonas.
Exatamente. Existe essa discussão sobre o desenvolvimento do Amazonas além da Zona Franca. O Amazonas, há muito tempo, depende da Zona Franca de Manaus, então é importante que a gente busque outras matrizes econômicas, preferencialmente de base sustentável, e que desenvolva o Estado como um todo, para não ficar dependendo exclusivamente desse modelo. E estamos em uma posição muito favorável, de destaque, pois o mercado – principalmente internacional – tem valorizado muito a marca Amazônia e produtos sustentáveis. Essas cadeias produtivas sustentáveis têm um apelo e uma possibilidade de venda e geração de recursos muito grande. Precisamos aproveitar essa oportunidade que o Amazonas tem para se desenvolver usando essas cadeias produtivas sustentáveis.
Quais temas serão abordados no 2º Manejar?
O seminário vai falar sobre os resultados dos planos de manejo desenvolvidos e trabalhados durante esses três anos com comunidades em Unidades de Conservação (UCs); os resultados da construção de duas usinas de óleos e o apoio a outras três, de cinco municípios do Amazonas, além do crescimento desse segmento em mercados importantes. Também vamos discutir algumas possibilidades de como Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) pode ser uma forma de a gente apoiar essas cadeias produtivas. Vamos discutir, ainda, possíveis encaminhamentos para políticas públicas – o que pode ser melhorado, quais são as demandas de comunidades do interior etc.
Aproveitando o gancho, qual a maior dificuldade ao se falar de atividades madeireiras, já que é um tema sensível nesse cenário atual?
Eu, como engenheiro florestal, tenho encontrado dificuldades para comunicar este tema para o grande público. É importante que as pessoas compreendam que a atividade madeireira, quando realizada de forma licenciada, sustentável e responsável, é uma ferramenta de conservação da floresta. Então, não é necessariamente deixando de comprar madeira que estará apoiando a conservação; se você estiver comprando madeira de planos de manejo licenciados, principalmente de comunidades, de Unidades de Conservação (UCs), aí sim estará auxiliando na conservação da floresta.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]






