Ao todo, foram recebidas mais de 50 propostas das cinco regiões do Brasil. Os quatro vencedores serão premiados em dinheiro e terão seus projetos apresentados a empresas e investidores da região.
Com informações do PPBio
A primeira edição do Prêmio Elos da Amazônia 2021 trouxe boas surpresas e cenários. Em três semanas de inscrições à premiação foi possível verificar que pesquisadores e empreendedores de todo o país têm ideias e soluções para os mais variados gargalos existentes nas cadeias de produção. Eles só precisavam de uma oportunidade.
Com o objetivo de resolver os principais desafios presentes na cadeia produtiva do açaí e auxiliar comunidades e cooperativas da região que atuam diretamente nesses processos, o prêmio foi lançado e recebeu mais de 50 propostas de 12 estados provenientes das cinco regiões do Brasil.
As iniciativas deveriam estar relacionadas ao uso de tecnologia para a colheita e conservação do fruto, criação de novos produtos provenientes do açaí e melhoria da relação do produtor com o mercado.
“Identificar soluções reais, vindas de todo o Brasil, nos mostra que há um caminho para seguir. Nossa maior intenção é poder aplicar as soluções nos gargalos da cadeia produtiva do açaí. Para isso, é necessário recurso. Então, nosso próximo grande passo será buscar investidores e empresas interessados nas soluções propostas e conectá-los aos proponentes das soluções com maior destaque”, afirmou o diretor técnico do Idesam e coordenador do PPBio, Carlos Gabriel Koury.
O evento de apresentação das soluções, chamado “Açaí Pitch Day”, aconteceu de forma virtual e contou com a presença dos nove finalistas do prêmio e de três jurados convidados. Nele, os selecionados tiveram três minutos para falar de maneira objetiva sobre seus projetos e, ao final, responder às perguntas dos jurados.
Após as exposições dos trabalhos, a banca julgadora se reuniu de forma privada e definiu os quatro vencedores da primeira edição do Prêmio Elos da Amazônia 2021. Entre os premiados estão três projetos do Pará e um do Rio de Janeiro:
1º lugar: Biorrefinaria de sementes de açaí
A tecnologia propõe uma solução para o acúmulo e descarte inadequado do principal resíduo gerado pela cadeia produtiva do açaí: as sementes, popularmente denominadas de “caroço”.
2º lugar: Café padronizado do caroço de açaí
O projeto desenvolve um café do caroço de açaí padronizado em laboratório. A tecnologia será aplicada na fábrica modelo Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Belterra – AMABELA e poderá envolver outras comunidades da Amazônia.
3º lugar: Revfood – Película Comestível
Líquido comestível, feito a partir de casca, talo e caroço de frutas, que ao ser despejado sobre a superfície dos alimentos, forma uma película comestível capaz de prolongar o tempo de prateleira dos alimentos. A tecnologia poderá ser aplicada no açaí.
4º lugar: Debulhadora Automatizada Sustentável
Tecnologia inovadora desenvolvida pela equipe Caaetécatu que busca solucionar um dos problemas da cadeia do açaí: o trabalho infantil na etapa de debulha do fruto.
A premiação será em dinheiro, no valor total de R$ 30 mil, sendo R$ 12 mil para o primeiro colocado, R$ 9 mil para o segundo, R$ 6 mil e R$ 3 mil para o terceiro e quarto, respectivamente. O prêmio também irá proporcionar uma conexão direta das iniciativas reconhecidas com empresas e investidores de impacto da região.
Mais informações: www.elosdaamazonia.org.br[:en][vc_row][vc_column][vc_column_text]Evento acontece nos dias 14 e 15 de setembro, de forma online; André Vianna, gerente no Idesam, compartilha mais detalhes na entrevista a seguir
Por Comunicação Idesam
Encerrando a primeira etapa do Projeto Cidades Florestais (PCF), o Idesam realiza, de forma online, nos dias 14 e 15 de setembro, a segunda edição do Seminário de Produção Florestal Familiar e Comunitária do Amazonas, o Manejar. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas no site do evento – www.manejar.org.br.
Gerente do Programa de Manejo e Tecnologias Florestais do instituto, André Vianna exalta a trajetória do projeto ao longo dos três últimos anos. “O PCF nasceu em 2018, financiado pelo Fundo Amazônia / BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e desenvolveu junto a 16 organizações sociais – associações e cooperativas do interior do Amazonas –, com apoio do Idesam, o fomento a atividades produtivas florestais. Nós entendemos que o manejo florestal madeireiro e o fomento a produtos florestais não madeireiros, como óleos vegetais, são ferramentas importantes para gerar a conservação da floresta, pois isto gera renda para as populações que vivem nessas localidades”, afirma Vianna, que comenta sobre este e outros tópicos relacionados na entrevista a seguir.
Qual a importância de uma iniciativa como o Cidades Florestais para as populações que vivem na floresta?
O projeto busca melhorar a qualidade de vida das populações do interior do estado e, assim, possam permanecer nos seus locais de origem conservando a floresta. Ao todo, dez municípios receberam atividades do projeto para apoiar o desenvolvimento da economia local com base nas atividades das associações dessas localidades.
E como o 2º Manejar encerrará essa etapa?
Essa edição, que será online e todas as pessoas interessadas poderão acompanhar pelo canal do Idesam no YouTube, vai marcar o final dessa etapa do Cidades Florestais e apresentar todos os resultados que foram atingidos, quais foram os desafios enfrentados, as soluções encontradas pela equipe junto a essas organizações e quais foram as inovações que utilizamos para vencer os desafios que existem em nossa região.
Em sua visão, a Amazônia precisa de uma alternativa econômica vinda da floresta?
Com certeza. A Floresta Amazônica é fundamental para a manutenção do regime de chuvas do país, então é importante para o setor agrícola do Brasil, para as populações do Sul e Sudeste, e para o país para garantir o fornecimento de água. Também, consiste em um grande reservatório de carbono, que se removido e queimado agravará os efeitos das mudanças climáticas. Outro ponto a considerar é a importância de as pessoas que vivem na floresta terem boas condições de vida. É essencial a gente buscar novas ferramentas pautadas em questões de sustentabilidade, mas que desenvolvam a economia do interior.
E isso é importante até para trazer alternativas para o Amazonas.
Exatamente. Existe essa discussão sobre o desenvolvimento do Amazonas além da Zona Franca. O Amazonas, há muito tempo, depende da Zona Franca de Manaus, então é importante que a gente busque outras matrizes econômicas, preferencialmente de base sustentável, e que desenvolva o Estado como um todo, para não ficar dependendo exclusivamente desse modelo. E estamos em uma posição muito favorável, de destaque, pois o mercado – principalmente internacional – tem valorizado muito a marca Amazônia e produtos sustentáveis. Essas cadeias produtivas sustentáveis têm um apelo e uma possibilidade de venda e geração de recursos muito grande. Precisamos aproveitar essa oportunidade que o Amazonas tem para se desenvolver usando essas cadeias produtivas sustentáveis.
Quais temas serão abordados no 2º Manejar?
O seminário vai falar sobre os resultados dos planos de manejo desenvolvidos e trabalhados durante esses três anos com comunidades em Unidades de Conservação (UCs); os resultados da construção de duas usinas de óleos e o apoio a outras três, de cinco municípios do Amazonas, além do crescimento desse segmento em mercados importantes. Também vamos discutir algumas possibilidades de como Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) pode ser uma forma de a gente apoiar essas cadeias produtivas. Vamos discutir, ainda, possíveis encaminhamentos para políticas públicas – o que pode ser melhorado, quais são as demandas de comunidades do interior etc.
Aproveitando o gancho, qual a maior dificuldade ao se falar de atividades madeireiras, já que é um tema sensível nesse cenário atual?
Eu, como engenheiro florestal, tenho encontrado dificuldades para comunicar este tema para o grande público. É importante que as pessoas compreendam que a atividade madeireira, quando realizada de forma licenciada, sustentável e responsável, é uma ferramenta de conservação da floresta. Então, não é necessariamente deixando de comprar madeira que estará apoiando a conservação; se você estiver comprando madeira de planos de manejo licenciados, principalmente de comunidades, de Unidades de Conservação (UCs), aí sim estará auxiliando na conservação da floresta.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]






