Artigo publicado originalmente na Seção Um Só Planeta do site Globo.com em 10/11/2025
Por *Renato Rebelo
A COP30 em Belém representa uma oportunidade histórica. O mundo chega à Amazônia não apenas para ouvir discursos sobre meio ambiente, mas para enxergar, de perto, um território de inovação econômica. Um território que já produz, mas que ainda precisa se conectar de forma mais sólida aos mercados globais. A chance que temos é singular: mostrar que a floresta em pé pode gerar riqueza, inclusão e futuro.
A Amazônia já deu passos importantes. Cadeias como a castanha, os óleos vegetais, o pescado, o cacau, a madeira manejada e a restauração florestal já operam em escala comercial. Estudos recentes indicam um crescimento expressivo no número de negócios de bioeconomia. Em paralelo, mercados globais buscam com urgência soluções de baixo carbono, alimentos sustentáveis, cosméticos e biomateriais. Oferta existe. Demanda também. O que falta é a ponte capaz de unir, de forma genuína, essas duas realidades.
Essa ponte precisa ser construída por uma nova geração de empreendedores que una três forças complementares: as lideranças comunitárias que conhecem o território como ninguém, a ciência e a tecnologia que trazem inovação, e modelos de negócio preparados para competir globalmente. Mas essa conexão não brota do nada: exige mediação, visão de longo prazo e paciência estratégica.
*líder da Zôma, geradora de negócios do Idesam
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