Resíduos industriais representam um gargalo mundial, com forte impacto ambiental, mas também trazem oportunidades de inovação. Quando tratados de forma sustentável, podem reduzir custos de gestão e ser reinseridos nos processos produtivos. Foi da Amazônia que surgiu essa resposta transformadora durante a Edição 2025 do Desafio Industrial da Chamada Elos da Amazônia, promovida pelo Idesam.
O projeto vencedor entre três iniciativas selecionadas, com o nome Amazon UpCycle, desenvolvido pela startup Amazon Eco Technology Pesquisa, apresentou uma solução inovadora para um desafio global das indústrias de fitas adesivas: a destinação correta dos resíduos sólidos gerados no processo produtivo.
O Edital foi realizado pelo Idesam, pelo Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), da Suframa, fortalecendo a ponte entre desafios industriais e soluções sustentáveis de base amazônica.
A Elos recebeu propostas de startups (57,1%) e instituições de ciência e tecnologia (42,9%), com inscrições vindas de Manaus (71,4%), Araguaína (14,3%) e São Paulo (14,3%). Das soluções apresentadas, 57,1% precisam de adaptações para atender ao desafio, 28,6% já estão prontas e 14,3% demandam grandes ajustes.
Outro destaque importante dos projetos inscritos é a conexão direta com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como inovação, trabalho decente, produção sustentável, cidades mais resilientes e parcerias estratégicas.
Responsável por toda articulação e organização do edital e com a empresa investidora, Paulo Simonetti, Líder de Inovação Aberta e ESG, falou sobre quanto soluções para gestão e beneficiamento de resíduos são essenciais para assegurar a sustentabilidade das indústrias no Polo Industrial de Manaus.
“Para atingir esse objetivo nós usamos a metodologia conhecida como inovação aberta, que foi a publicação do desafio, seleção da startup mais bem preparada para solucionar o problema, ela testou e confirmou em pequena escala que consegue resolver o problema de destinação e agora a indústria investidora irá usar o recurso de investimento obrigatório de P&D para implementar a solução da startup em escala”, detalhou.
“Essa metodologia trás segurança para o investimento da empresa e permite atender uma demanda direcionada por ela, mas que é uma dor do setor, portanto quando escalar, essa startup investida poderá atender a demanda de outras indústrias do Polo Industrial de Manaus”, destacou Paulo.
Seus diferenciais como circularidade, inovação aberta e a força simbólica de nascer na Amazônia e atender a demandas de uma indústria internacional — reforçam não apenas a viabilidade econômica, mas também a potência de um modelo que conecta desenvolvimento, sustentabilidade e impacto global.
“O PPBio tem um papel fundamental em fortalecer a ponte entre a ciência e a inovação aplicada na Amazônia. Ao apoiar projetos como a Amazon UpCycle, conseguimos transformar desafios ambientais locais em soluções que atendem demandas industriais globais. Esse tipo de iniciativa não só promove a bioeconomia regional, gerando emprego e renda, como também reforça a importância da sustentabilidade e da circularidade na produção industrial, mostrando que a Amazônia pode ser um laboratório de inovação para o mundo”, avaliou Karol Barbosa, Líder do Programa Prioritário de Bioeconomia.
Desafio
Os danos vão além do ambiental, um estudo recente publicado na revista Nature Medicine mostrou que microplásticos e nanoplásticos, partículas de plástico com menos de 5 milímetros, tendem a se acumular em maior concentração no cérebro humano do que em órgãos como fígado e rins, revelando riscos potenciais ainda pouco dimensionados para a saúde pública.
É nesse contexto que soluções inovadoras ganham destaque. A proposta de uma startup amazônica, que alia tecnologia, modelo de negócio e novas aplicações para resíduos, demonstra como a bioeconomia pode oferecer caminhos concretos de transformação, conta Marcel Castro, sócio da startup.
“Identificamos a oportunidade de expandir nosso portfólio e áreas de atuação transformando os resíduos plásticos da indústria investidora no Polo Industrial de Manaus. A partir disso, fornecemos as partículas para outras indústrias que as utilizam em processos produtivos, na fabricação de produtos como mangueiras e tubos”, explica Castro.
O encontro com o Idesam foi fundamental para transformar um resíduo em um processo sustentável, fortalecendo a economia circular e agregando valor ambiental.
“Temos uma cultura de sustentabilidade muito forte e, apesar da incineração do resíduo ser algo que atendesse as premissas ambientais da companhia, a geração de resíduo sempre causou um incomodo sobre o sentimento de poder fazer algo de diferente”, explicou a supervisora de qualidade e supply chain da indústria investidora localizada no Polo Industrial de Manaus, Dayane Oliveira.
Texto: Imprensa Idesam | [email protected] | Foto: Divulgação | Revisão: Larissa Mahall






