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Desmatamentos, invasões ilegais e outros problemas que atingem indígenas são destaques do informativo do Observatório BR-319

Desmatamentos, invasões ilegais e outros problemas que atingem indígenas são destaques do informativo do Observatório BR-319

O informativo é divulgado mensalmente pelo Observatório, com notícias e dados de monitoramento de desmatamento, queimadas e Covid-19.

 

Por Observatório BR-319
Foto: Cristian Braga/Greenpeace

 

As constantes ameaças sofridas pelos indígenas Karipuna que vivem na área de influência da BR-319, em Rondônia, como desmatamento e invasões ilegais, são destaques do informativo mensal do Observatório BR-319 (OBR-319), lançado nesta semana.

A Terra Indígena (TI) Karipuna perdeu mais de mil hectares de floresta somente em 2021 e está entre as mais desmatadas da Amazônia Legal, liderando o ranking de desmatamento, em outubro, entre as 69 TIs monitoradas pelo OBR-319. Além disso, bateu o recorde da série histórica para o mês, com a perda de 145,53 hectares (ha).

A segurança alimentar dos Karipuna, que está comprometida por conta das invasões, também é abordada no informativo. Em relação ao desmatamento e queimadas, os rios da região estão secando causando uma série de problemas para os indígenas como a falta de peixes e prejudicando as árvores frutíferas.

“Todo ano a gente prepara o terreno para plantar, mas durante a pandemia, por causa das invasões, não pudemos fazer isso. No entanto, os invasores puderam entrar. Encontramos invasões a poucos quilômetros das comunidades e até barreiras em ramais. O meu povo não está tendo sossego e vive psicologicamente abalado. Ninguém dorme direito, come direito ou vive em paz. Nos ameaçam de morte, dizem que vão nos matar em emboscadas. Nós vivemos preocupados uns com os outros”, disse a liderança indígena, Adriano Karipuna.

Outra matéria de destaque do informativo relata o reforço na saúde indígena em Tapauá, com a capacitação de profissionais de 19 comunidades da TI Apurinã do Igarapé São João. Membros do OBR-319 participaram da cerimônia de abertura da capacitação, que também recebeu autoridades locais e da saúde indígena. É esperado que 1.167 pessoas sejam beneficiadas, direta e indiretamente, pela capacitação.

 

“Na pandemia tivemos muita dificuldade de saúde dentro da comunidade, parou tudo, ainda não tinha agente de saúde e, agora, estamos recebendo esse evento que vai melhorar muito e trazer conhecimento para o nosso povo”

–Augostinho Batista da Silva Apurinã, cacique da comunidade Santo Augostinho.

 

Já na sessão de monitoramentos há informações sobre o aumento de desmatamento em seis municípios, dos 13 que fazem parte da região da BR-319. Além disso, também aborda o aumento dos focos de calor das Unidades de Conservação (UC) monitoradas.

Saiba mais sobre essas e outras notícias na 25ª edição do Informativo BR-319, acessando o site: observatoriobr319.org.br.

 

BR-319: monitoramento e recomendações

O impacto do asfaltamento da rodovia BR-319 nas mudanças de cobertura do solo, nos movimentos migratórios e no bem-estar das populações que vivem nessas regiões é a principal linha de atuação da iniciativa no Idesam, que integra o Observatório da BR-319. Desde 2009, o Idesam atua em fóruns e consultas públicas, onde busca destacar a importância da realização de um processo transparente e que atenda a todas as normas e exigências socioambientais para a conclusão da obra.

A iniciativa é responsável pela criação do Observatório da BR-319, que reúne várias organizações e ambientalistas que atuam na região, com o objetivo de garantir as salvaguardas socioambientais para as comunidades afetadas pela rodovia. Com apoio financeiro da Fundação Moore, as ações são encabeçadas por organizações como CNS (Conselho Nacional das Populações Agroextrativistas), Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), ONG Casa do Rio, Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), IEB (Instituto Internacional de Educação do Brasil), FAS (Fundação Amazônia Sustentável), Transparência Internacional, WCS (Wildlife Conservation Society) e WWF-Brasil.

 

 

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