Práticas agroecológicas trazem bons resultados em comunidades indígenas do Amazonas

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Por Rogério Lima

As atividades do Projeto SAF Indígena chegam ao final de sua implantação com resultados positivos para agricultores e produtores de alimentos na região do Alto Rio Negro, no Amazonas. Pioneiro na região, o projeto visa fortalecer a economia da produção agrícola e promover a soberania alimentar de comunidades do município de São Gabriel da Cachoeira, no extremo norte do Estado.

A iniciativa faz parte de outro projeto maior, denominado Agricultura Indígena e encabeçado pela Secretaria de Estado da Produção Rural do Amazonas (Sepror). Em São Gabriel da Cachoeira, além do apoio do Idesam, as ações também contaram com a parceria da Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro (Foirn).

Ao todo, foram implantadas duas Unidades Demonstrativas de SAFs, dois bancos de sementes tradicionais e dois viveiros – sendo o primeiro de mudas florestais e medicinais e o segundo de variedades tradicionais. O projeto foi dividido em etapas e teve a sua última concluída no final do mês de novembro, quando uma equipe de técnicos do Idesam monitorou as áreas plantadas e produziu um estudo de potencial econômico dos sistemas ali desenvolvidos.

Estevan Garcia Martins, da etnia Kubeo, foi um dos produtores que melhor tiveram resultado com o plantio de milho crioulo. Através do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas – IDAM, foi articulada a venda de 800 espigas de milho para o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA.

Segundo Ramom Morato, pesquisador responsável pelo projeto, o diálogo estabelecido com as comunidades indígenas foi essencial para o sucesso do projeto. A equipe foi convidada para participar do Conselho da Roça, grupo que tem como objetivo orientar políticas públicas aos comunitários. “Encaramos que o Idesam participou de um momento único de mudanças, onde foram levantadas demandas por lideranças e agentes locais”, disse ele.

Nas etapas iniciais do projeto, foram implantadas Unidades Demonstrativas de Sistemas Agroflorestais em duas comunidades: Itacoatiara-Mirim e Ilha do Duraka. O monitoramento realizado nessas unidades revelou êxito das espécies plantadas nas UDs e aceitação do trabalho pelas comunidades. “No intuito de melhorar a qualidade de vida das comunidades indígenas, é preciso fortalecer os elos entre a agricultura local e as políticas já existentes”, conclui Morato.

SAFs são economicamente viáveis

Embora as UDs não tenham sido implantadas com objetivo comercial, o estudo econômico realizado nessa etapa do projeto revelou a implantação de SAFs é economicamente viável para as comunidades indígenas. A projeção, de dez anos de produção, mostra que o custo médio de implantação desses sistemas é de R$ 1.657,82, com mão de obra familiar inclusa.

Quanto ao potencial de produção, foram plantadas cinco culturas frutíferas de ciclo longo e nove culturas agrícolas. Estima-se que, ao final de dez anos, o volume total de produção da comunidade de Itacoatiara-Mirim é de 8 toneladas e 14 toneladas na de Ilha de Duraka.

PAA – O Programa Nacional de Aquisição de Alimentos é um instrumento de política publica já existente e atuante na região, seu objetivo é garantir o acesso a alimentos em quantidade e qualidade às populações em situações de insegurança alimentar e nutricional e promover a inclusão social no campo por meio do fortalecimento da agricultura familiar.

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